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    Cidade aberta -

    Teju Cole

    Companhia das Letras
    2012
    320 páginas
    10h 40m
    ISBN-13: 9788535921250
    Português Brasileiro
    3.6
    60 avaliações
    Leram97Lendo7Querem191Relendo0Abandonos11Resenhas12
    Favoritos4Desejados191Avaliaram60

    Este premiado romance de estreia acompanha as caminhadas do jovem médico Julius. Aclamado pela crítica e comparado a nomes como W. G. Sebald e J. M. Coetzee, o autor traça um delicado retrato de Nova York e da solidão. Prêmio Pen/Hemingway Prêmio New York City Book Prêmio Rosenthal da American Academy of Arts and Letters A expressão cidade aberta pode referir-se a uma cidade ocupada pelo exército invasor durante uma guerra e poupada em troca de rendição. A Nova York pós-Onze de Setembro percebida por Julius, um jovem psiquiatra residente no hospital Columbia Presbyterian, carrega em si um pouco dessa atmosfera - é uma cidade de traumas não admitidos e muita solidão. Julius faz longas caminhadas após o trabalho, como contraponto a seus atarefados dias no hospital. Além da “evocação de liberdade”, esses passeios são o motor de suas reflexões e reminiscências, pelas quais ele relembra sua história, sua infância na Nigéria, sua condição de imigrante, e também a história da própria cidade em que vive e dos habitantes dela. Teju Cole parece transferir muito de si ao protagonista do romance - ambos são nigerianos que saíram de sua terra natal para estudar nos Estados Unidos. Além de escritor, Cole é também fotógrafo, e a observação precisa e o zelo com os detalhes parecem ser seu principal legado a Julius. Numa sucessão de meditações, informações históricas, reflexões sobre música e literatura, e nítidas descrições das paisagens urbanas - motivos que renderam a Cole muitas comparações a W. G. Sebald -, o personagem estabelece uma espécie de diário não cronológico de suas reminiscências nigerianas e nova-iorquinas. Uma reflexão sobre história e cultura, identidade e solidão. — Colm Tóibín

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    Sérgio Carvalho da Silva07/03/2013Resenhou um livro
    1 (Ruim)

    Sensível ou enfadonho?

    Título original: Open City Gênero: Romance Ano de lançamento: 2011 Ano desta edição: 2012 Editora: Companhia das Letras Páginas: 320 Idioma: Português (tradução de Rubens Figueiredo) Citação: "Eu era o filho estranho, entende? Faltava às aulas para poder ir a outro lugar e ler o que eu queria, por conta própria. Assistir às aulas nunca me ensinou nada. Tudo o que há de interessante está nos livros, os livros é que me deram consciência da diversidade do mundo. É por isso que não vejo os Estados Unidos como monolíticos. Não sou como Khalil nesse aspecto. Sei que lá existem pessoas diferentes, com ideias diferentes, sei de Finkelstein, de Noam Chomsky, e o importante para mim é que o mundo se dê conta de que nós também não somos monolíticos, no que eles chamam de mundo árabe, que somos todos indivíduos. Discordamos uns dos outros. Você acabou de me ver discordando de meu melhor amigo. Somos indivíduos." Entrei em contato com o livro de Teju Cole ao me inscrever para um dos clubes de leitura que a Companhia das Letras organiza na cidade de São Paulo. E, devo confessar, que péssima maneira de começar num clube de leitura. A premissa do livro parece ótima: Julius, um nigeriano morador de Nova Iorque, é um psiquiatra que faz sua residência, e que gosta de fazer longas caminhadas pela cidade, e refletir sobre o que vê, sobre si mesmo, numa cidade que ainda carrega os traumas e cicatrizes do atentado de 11 de setembro de 2001. O grande problema é que o romance de estreia de Teju Cole é lento, enfadonho, embora descrito como memorável, e tenha ganho prêmios literários lá fora. Sinceramente, a Nova Iorque que Julius enxerga é estéril, solitária e pedante: entre seu amor pelos museus e pela música clássica, ele consegue nos instigar ao falar de certas obras, mas nos entediar ao descrever quais sensações ele está sentindo quando arrebatado pela sinfonia X ou Z... Talvez eu simplesmente não conheça o suficiente de música clássica para me identificar com o protagonista, mas talvez simplesmente seja muito chato ler sobre as sensações que qualquer estilo de música provoca em qualquer pessoa. O protagonista é polêmico por ser extremamente arrogante, mas não é uma aversão a ele que me fez não gostar do livro, mas simplesmente a maneira como Cole conduz a trama (que, na verdade, não existe): Julius vagueia por Nova Iorque, mistura suas impressões da cidade com as de sua infância na Nigéria, descobre meio sem querer que quer ir atrás de sua avó em Bruxelas, vai, procura por ela por dois dias depois passa o resto do tempo apenas vagando pela cidade, volta para Nova Iorque e continua vagando e divagando pela cidade. Nada acontece. Julius é um nigeriano bem nascido, filho de um negro e uma branca de origem germânica. Por ser mestiço e ter um nome pouco tradicional na Nigéria, fica claro que ele não se encaixa lá, fato que se repete onde quer que vá: ele é sempre o outsider, não parece se sentir confortável em nenhum dos cenários do livro. A Nova Iorque que ele descreve é, na maior parte do tempo, um lugar de aparência fria, mas não em relação à temperatura, e sim às pessoas; parece que as pessoas não são parte da paisagem da cidade, somente um pequeno entrevero. Para não dizer que somente falei mal do livro, há que se elogiar a quantidade de contradições em Julius, que acabam por torná-lo um personagem mais complexo e verossímil: ele não tem problema em entrar no táxi de um negro, mas acha ofensivo usar o serviço dos engraxates do metrô; ele demonstra estar incomodado ao encontrar Moji, a irmã de um amigo de infância num mercado, e inclusive comenta como ela é irritante e não muito bonita, para algumas páginas à frente, depois de estabelecer uma amizade, comentar como a mesma estava linda na festa no apartamento de seu namorado. Além de sua arrogância, ele também carrega uma certa misantropia, sendo avesso a se relacionar com algumas pessoas, mas o livro só se torna levemente interessante quando há tais interações, já que a vida de Julius é extremamente monótona: seja o preso que ele visita na cadeia, num trabalho voluntário, ou Faroucq, o muçulmano que ele conhece na lan house em Bruxelas (cuja fala foi reproduzida na citação), ou o professor Saito, admirado por sua sabedoria; tais personagens trazem outras vozes, e alguma riqueza e diversidade para a narrativa. Aliás, utilizando-se das vozes dos personagens Teju Cole levanta alguns temas polêmicos para debate, com opiniões fortes que não posso afirmar que sejam suas, mas que são relevantes o suficiente para receberem um pouco de reflexão: a questão do estado de Israel e a Palestina, com uma crítica à eterna lembrança do massacre dos judeus na segunda guerra mundial, a crítica á política externa americana, preconceito contra os árabes no pós-onze de setembro, casamento gay, sustentabilidade e reciclagem, preconceito racial. Teju Cole dá alguma relevância a seu romance ao abordar tais assuntos, mas de maneira superficial. Depois de quase 300 páginas de nada acontecendo, uma revelação bombástica é feita sobre o protagonista, e as consequências para tanto simplesmente não existem. O romance continua como se o que aconteceu nas páginas anteriores tivesse sido irrelevante, não há a menor consequência para o diálogo de Moji e Julius, e ele continua a viver sua vida como se aquilo não tivesse proporcionado o menor incômodo nele. O livro termina com um monólogo sem propósito sobre os pássaros de Nova Iorque, um monte de informação irrelevante que talvez sirva para demonstrar que o protagonista é uma pessoa extremamente solitária, mas que no final só demonstra que este livro demonstra uma tal sensibilidade que não é para todos (com certeza, não sensibilizou a mim). P.S.: Apesar do livro, o encontro do Clube de Leitura foi divertido e proveitoso! E para o próximo leremos um escritor clássico: "O Aleph", de Jorge Luis Borges! Resenha postada originalmente em: http://catharsistogo.blogspot.com.br/2013/03/cidade-aberta-teju-cole.html

    4 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.6 / 60
    • 5 estrelas18%
    • 4 estrelas32%
    • 3 estrelas37%
    • 2 estrelas10%
    • 1 estrelas3%
    Teju Cole profile picture

    Teju Cole

    Teju Cole nasceu em 1975 nos Estados Unidos, filho de pais nigerianos e foi criado em Lagos, na Nigéria. Desde 1992 mora nos Estados Unidos e atualmente vive no Brooklyn, em Nova York. É autor dois livros publicados: uma novela (Every Day is for the Thief), e um romance (Open City). Teju frequentemente escreve contribuições para jornais como The New York Times, Qarrtsiluni, Chimurenga, the New Yorker, Transition, Tin House, A Public Space, entre outros. Seu romance de estréia, Open Cities, foi muito elogiado pela crítica, que o comparou aos escritores Albert Camus, W.G. Sebald e Joseph O'Neil. O romance traz a história de um jovem psiquiatra nigeriano em Manhattan e lança um olhar de desilusão sobre a Nova York pós-11 de Setembro. Além de escritor, Teju Cole também é fotógrafo e historiador da arte.

    4 Livros
    7 Seguidores

    Teju Cole