O livro me surpreendeu, porque com esse título, eu não esperava nada de bom. Mas a escrita do autor é fluida, o que atrapalha é o excesso de linguagem caricata. Seja o protagonista, que é policial, seus colegas, os informantes, até os leões-de-chácara, todos têm tiradas jocosas, fazem analogias meio idiotas, parece que passam os dias ensaiando frases feitas. Na pág. 53, o autor meio que justifica a linguagem engraçadinha da narrativa: Que merda, no entanto, era aquela que só o fazia encontrar tipos espirituosos, sempre com um chiste na ponta dos lábios? Coisas como: mais limpo que Omo total dá pra ver de Marte que o velhinho é tira. É mais visível que um outdoor na principal saída da cidade - ( ) tiraram as medidas para um paletó de madeira, deram-lhe um passe livre para uma semana na geladeira do IML, saca? - ah, botaram um vírus letal no winchester dele. este sim tinha feito jus à música e morrido na contramão atrapalhando o tráfego me faça um download da situação, delegado abrindo dois braços que deveriam ser protegidos pelo IBAMA como toras de madeira de lei roubadas da Amazônia. etc. O final do capítulo 18, especialmente a cena descrita nas páginas 156/157 é sensacional! Eu entrei no clima e foi bem tenso. O curioso é que, de todos os livros que eu estava lendo e abandonei quando tive um bloqueio literário em 2021, este é o único que eu tive vontade de retomar, mesmo crendo que este não é o melhor dentre eles. Acredito que seja porque as situações retratadas aqui são muito diferentes das que se vê nos seriados e livros policiais norte-americanos que nos massificam e nos iludem quanto ao trabalho da polícia. No mínimo eu tive curiosidade de acompanhar esse policial ferrado e desprestigiado em sua investigação capenga. Achei o final um tanto confuso ou vai ver eu que não entendi, mas foi interessante ler um livro que eu não procuraria por mim mesma, uma troca meio no escuro e que me apresentou a um escritor brasileiro que eu não conhecia. Então valeu. SOBRE O AUTOR: Juremir Machado da Silva é gaúcho de Santana do Livramento, jornalista, escritor, radialista, ensaísta, tradutor e professor universitário. É graduado em História e Jornalismo pela PUCRS, doutorado e pós doutorado em sociologia pela Université Paris V - Sorbonne. Publicou mais de 30 livros, entre ficção, ensaio e tradução. Recebeu prêmios e condecorações, entre eles, o Prêmio da Bienal do Livro de Brasília, em 2014, por Jango: a vida e a morte no exílio e o Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), em 2018, por Raízes do conservadorismo no Brasil. NOTA: Adios, baby faz parte da trilogia Mitomanias, lançada pela Editora Sulina, que tem ainda Nau frágil e Ela nem disse adeus. Aparentemente, são histórias independentes. Fontes: TheBorbaCast, Grupo Editorial Record e Editora Sulina.


