Neve -

    Orhan Pamuk

    Editorial Presença
    2008
    428 páginas
    14h 16m
    ISBN-13: 9789722339100
    Português Brasileiro

    Um poeta turco, Ka, regressa à Turquia após doze anos de exílio na Alemanha onde trabalha como jornalista. Vem assistir ao funeral da sua mãe. Secretamente, porém, aspira a reencontrar uma antiga namorada que vive em Kars, uma cidade nos confins da Anatólia. Um jornal contrata-o entretanto para aí fazer uma reportagem sobre o suicídio de várias jovens que se recusam a deixar de usar o tradicional lenço, por imposição do estado laico. Terá também de cobrir as eleições locais, para as quais os islamitas se encontram particularmente bem posicionados. Isolada sob um forte nevão, a cidade torna-se um microcosmo onde Ka se apercebe de que todos o vêem como um estranho. Uma obra apaixonante e de extrema actualidade, em que Orhan Pamuk tenta compreender a complexidade da sociedade turca e do fundamentalismo religioso numa abordagem que só o romance permite aprofundar.

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    Clio picture
    Clio02/03/2024Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    Sempre leio romances políticos com uma certa expectativa, e é isso o que esse livro trata. O crime que se torna o fio narrativo é apenas a forma escolhida por Pamuk para poder escancarar o conflito religioso-político que atualmente domina a Turquia. Uso esse advérbio de tempo com cuidado, pois pelo que lembro de História, nunca deixou de o ser na região. Ka, nosso protagonista, é o responsável pela divisão do livro. Na primeira parte, seus pensamentos parecem os de um estrangeiro - resultado de sua estada na Alemanha, sem dúvida -, são cheios de curiosidade e uma certa maravilha que aos poucos se apaga na segunda parte, quando a violência finalmente retorna ao seu mundo e agora a beleza do lugar, se revela em pensamentos e escrita singela. Todo o resto é guardado para o horror do que acontece. Essa balança parece ter sido a escolha de Pamuk para criticar a presença europeia na Turquia que, sem se ver como tal, se ressente de sua presença e exige uma autonomia que não oferece aos seus cidadãos. O forte da crítica não chega a tocar verdadeiramente em outras questões sociais como feminismo e emancipação. O autor é cuidadoso nesse momento, e a pergunta permanece... Recomendo.

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