MATERIALISMO DIALÉCTICO E PSICANÁLISE Produzida em 1929 e atualizada em 1934, esta obra, que polemiza, dentro do materialismo dialéctico, contra uma estabilização de conceitos tendente a bloquear o desenvolvimento da teoria psicanalítica, aparece hoje com uma nova atualidade. Tal atualidade, que permite considerar "Materialismo Dialéctico e Psicanálise" como um importante documento da recente reabertura do processo da Psicanálise, deve-se quer à reformulação metodológica levada a cabo por Wilhelm Reich, quer à dilucidação de alguns pontos fulcrais neste setor do conhecimento. No centro da investigação de Reich está o problema das relações entre o indivíduo e a sociedade e, consequentemente, de uma adequação metodológica a este objeto de estudo, sem incorrer em reduções ou extrapolações que afetem a especifidade da psicanálise. Para além de possíveis aspectos controversos, o conteúdo desta obra abre um campo de reflexões àqueles que procuram um estatuto científico para a psicanálise. Às raras contribuições de psicanalistas a este problema, faltava uma orientação adequada nas questões fundamentais do materialismo dialético; por outro lado, esses psicanalistas desprezavam completamente o problema central da sociologia de Marx: a luta de classes. No livro Materialismo Dialético e psicanálise, Reich vai expor sua teoria psicanalista baseada nos ensinamentos de Freud e no materialismo histórico de Marx e Engels. Como ele mesmo diz: “Existirão ligações entre a psicanálise de Freud e o materialismo dialético de Marx e de Engels? Responder a esta pergunta, discernir essas ligações no caso de existirem, é o objetivo a que nos propomos. A nossa resposta permitirá também dizer se é possível encetar a discussão sobre as relações da psicanálise com a revolução proletária e a luta de classes. As poucas contribuições ao tema “psicanálise e socialismo”, que encontramos na literatura até hoje, pecam pelo fato de faltar uma orientação à discussão, quer do lado do marxismo, quer do lado da psicanálise. Do lado marxista, a crítica da aplicação dos conhecimentos psicanalíticos à teoria social era em parte justificada. Às raras contribuições de psicanalistas a este problema, faltava uma orientação adequada nas questões fundamentais do materialismo dialético; por outro lado, esses psicanalistas desprezavam completamente o problema central da sociologia de Marx: a luta de classes. Por isso mesmo, essas contribuições não tinham a mínima utilidade para um sociólogo marxista, da mesma forma que um ensaio sobre os problemas psicológicos não tem para o psicanalista qualquer significação, se não tomar em conta os fatos do desenvolvimento sexual infantil, do recalcamento sexual, da vida psíquica inconsciente e da resistência sexual.”



