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    Coronelismo, enxada e voto - O município e o regime representativo no Brasil

    Victor Nunes Leal

    Companhia das Letras
    2012
    368 páginas
    12h 16m
    ISBN-13: 9788535921304
    Português Brasileiro
    4
    162 avaliações
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    Um dos marcos inaugurais da moderna ciência política no Brasil, Coronelismo, enxada e voto continua pleno de validade mais de sessenta anos após sua primeira publicação - a despeito do desaparecimento quase completo do país agrário que o inspirou. O rigor demonstrado por Victor Nunes Leal em sua interpretação de documentos históricos, legislações e dados estatísticos (então novidade nos trabalhos de ciências humanas realizados no país); a escrita fluente, livre de empáfia bacharelesca e torneada segundo a melhor tradição do ensaísmo de interpretação nacional; os insights inéditos sobre a estrutura sistêmica do coronelismo, que transcendia o âmbito do mandonismo local para entranhar-se nos mais elevados escalões da República: diversos são os méritos deste livro, concebido como tese de concurso para a cátedra de política da antiga Universidade do Brasil (atual UFRJ), onde Nunes Leal ensinou entre 1943 e 1969. O coronelismo, sistema arcaico e brutal, foi o principal sustentáculo político da República Velha (1889-1930). Segundo o autor, a concessão do oficialato da Guarda Nacional - milícia imperial criada em 1831 - aos grandes proprietários de terras e escravos selou a ilegítima aliança entre o poder público e os interesses privados desses mandachuvas. Já na República, os ex-cativos e seus descendentes logo se incorporaram à esfera de influência eleitoral dos herdeiros da casa-grande. Desse modo, sucessivos governos estaduais e federais se elegeram com os “votos de cabresto” dos grotões. Embora há muito a supremacia dos caudilhos rurais seja apenas um episódio de nossa história, suas nefastas consequências ainda se fazem sentir na arcaica distribuição fundiária do país.

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    ToniBooks31/01/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Êêêêêê... Ôôooo... Vida de gado...🎶🎶🎶🎶

    A frase acima foi retirada da letra de "Admirável gado novo" - alusão à Aldous Huxley -, canção do paraibano Zé Ramalho, mas bem que poderia ter sido o subtítulo de "Coronelismo, enxada e voto", livro escrito pelo mineiro Victor Nunes Leal. Ambas, música e livro, são obras que nos remetem a um status social opressor, onde o Coronel exerce o poder absoluto, sendo, verdadeiramente um ser onipotente. A obra de Nunes Leal, mesmo que tenha sido escrita nos anos quarenta do século passado, ainda traduz o nefasto controle dos "caciques" politiqueiros, das cidades do interior brasileiro sobre a grande massa de trabalhadores rurais sujeitos a um regime de controle político, eleitoral, judicial e econômico. Quem nasceu nessas cidadezinhas sabe do que Victor Nunes está falando. Eu nasci.

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    Victor Nunes Leal

    Foi um jurista, ministro do STF e professor da atual UFRJ, cargo que conseguiu pela tese publicada posteriormente com o título de "Coronelismo, enxada e voto", uma das primeiras obras da moderna ciência política brasileira; seus escritos jurídicos estão reunidos nos dois volumes de Estudos de Direito Público, que incluem o parecer pela constitucionalidade da posse de José Sarney como presidente da República em 1985. Ministro de 1960 a 1969, afastado pelo Ato Institucional nº 5 (AI-5), voltando a exercer a advocacia, já tinha ocupado os cargos de consultor-geral da República (1960), além de chefe da Casa Civil da Presidência da República (1956-1959) e procurador-geral de Justiça do Distrito Federal (Rio de Janeiro) em 1956, no governo de Juscelino Kubitschek, seu amigo pessoal, que o homenageou nomeando o Palácio da Alvorada com o nome do distrito onde o jurista havia nascido.

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    Minas Gerais, Brasil

    Victor Nunes Leal