Entrar
    Book cover
    Compartilhar
    Editar
    • Sinopse
    • Edições1
    • Vídeos0
    • Grupos0
    • Resenhas12
    • Leitores425
    • Similares0
    Skoob logo

    Saiba mais

    Quem somosTermos de usoFale conoscoCentral de ajudaPrivacidade

    Fique por dentro

    Livros em destaque

    Explore

    LivrosAutoresEditorasLeitoresCortesias

    Siga nas redes sociais

    Baixe o app

    Google PlayApp Store

    A Vida Gritando nos Cantos -

    Caio Fernando Abreu

    Nova Fronteira
    2012
    248 páginas
    8h 16m
    ISBN-13: 9788520931783
    Português Brasileiro
    4.5
    100 avaliações
    Leram157Lendo10Querem254Relendo0Abandonos4Resenhas12
    Favoritos27Desejados254Avaliaram100

    Crônicas inéditas em livro, escritas entre 1986 e 1996, publicadas no jornal O Estado de São Paulo. Trecho da obra: - 'Outro dia, uma amiga se queixou ao telefone- ‘Tenho vinte e sete anos e descobri que, até agora, tenho me alimentado de migalhas'. Falei qualquer coisa banal e consoladora, como 'a vida é assim mesmo, paciência' - e desliguei. Só não desliguei a cabeça- a frase ficou dias dando voltas dentro dela. Até que, não lembro bem como, de algum lugar de dentro de mim veio a resposta que não cheguei a dar à minha amiga- 'Mas será que isso que você chama de migalhas não será, afinal, o próprio pão?'

    Edições (1)

    Ver mais
    • book cover
    Resenhas (12)Ver mais
    Ive Brunelli picture
    Ive Brunelli14/09/2012Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Caio F. em grandes epifanias

    O estilo e a verve tão peculiares dos romances e contos de Caio Fernando Abreu certamente impressionam mais seus leitores do que suas crônicas. Não que a estas falte qualidade – muito pelo contrário –, mas o fato é que até o momento o mercado editorial dispunha de apenas um livro de crônicas do autor: Pequenas Epifanias, uma seleção póstuma organizada por Gil França Veloso em 1996, pela editora Sulina. O livro reunia alguns textos publicados no Estado de S.Paulo entre 1986 e 1988, além de outros entre 1993 e 1995. Neste A Vida Gritando nos Cantos, as pesquisadoras Lara Souto Santana e Liana Farias “escarafuncharam” exaustivamente os arquivos do Estadão até conseguirem reunir um número muito maior das crônicas que Caio F. publicou naqueles fins dos 80, nacos dos 90. O resultado não podia ter sido melhor: um verdadeiro presente para os admiradores de Caio porque agora eles estão diante de uma amplitude muito maior de seu trabalho como cronista. Não temos mais apenas uma seleção de crônicas. Agora temos praticamente tudo. Por esse motivo, este A Vida Gritando nos Cantos deve ser lido em conjunto com Pequenas Epifanias. Os dois livros se completam ao revelar a grande riqueza estilística e o desembaraço com que ele enfrentava a árdua tarefa de publicar um assunto novo a cada semana. Assim, o grande romancista e contista se mostra como hábil narrador das miudezas de um cotidiano que já passou, mas que permanece atual pela vivacidade, a graça, a inspiração e a capacidade que ele tinha de não apenas informar, mas também comentar e opinar sobre os mais diversos assuntos. Caio demonstra maestria como um cronista de habilidades múltiplas: consegue se expressar com o mesmo lirismo de uma Cecília Meireles ou de um Carlos Drummond de Andrade, a mesma ironia de um Fernando Sabino, uma introspecção próxima à de Clarice Lispector, um bate-papo despretensioso parecido com o de um Otto Lara Rezende, o mesmo tom besteirol (para se usar um termo da época) de um Stanislaw Ponte Preta ou o humor de Luís Fernando Veríssimo, sem falar na mordacidade, na malícia e na crítica áspera e cruel de um Nelson Rodrigues. Tudo isso sem copiar nenhum deles, porque Caio... bom, Caio era Caio. Caio F., sim, cronista dos melhores. É por esses caminhos que relembramos, com ele, filmes, peças de teatro, artes plásticas, shows e outros eventos da época, como obras de Fassbinder, Wim Wenders, músicas e performances de Laurie Anderson, ou voltamos no tempo contemplando quadros de Bosch ou a música de Glenn Miller ou a vida de Zelda e Francis Scott Fitzgerald. É com ele que lembramos, sem dó nem piedade, que o filme Atração Fatal foi muito divertido, cheio de suspense, mas profundamente moralista e, por isso, prestava um desserviço à luta contra a caretice que os jovens tentavam empreender contra o sistema em plena era da aids. É com ele que temos notícias de fatos curiosos sobre diversas personalidades da música e da literatura, das artes, da televisão, do cinema e do jornalismo, como Rita Lee, Cazuza, Marina Lima, Patrício Bisso, Tutty Vasquez, Suzanne Vega, Ney Matogrosso, Derek Jarman, Madonna, Vânia Toledo e Ana Cristina Cesar, por exemplo. É com as crônicas de Caio que temas como sexo, política, cinema, a passagem do tempo, as relações de amor e amizade, o medo, a economia caótica, Deus, novelas e mais o que você quiser são abordados de forma nua e cruel, de frente, sem rodeios, às vezes de forma irada, às vezes de maneira poética e, em outras, com muita, muita descontração. Sem falar no vocabulário próprio de Caio: termos como naja, lasanha, saia justa, jacira, nigrinha, rodenir... Uma riqueza de conteúdo infinitamente maior e mais rica que as citações piegas e idiotas que costumam aparecer em redes sociais – falsamente atribuídas a ele. Depois deste A Vida Gritando nos Cantos, você vai compreender porque Caio não pode ser autor de qualquer bobagem. Um livro para se ler e reler para sempre.

    7 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.5 / 100
    • 5 estrelas62%
    • 4 estrelas26%
    • 3 estrelas9%
    • 2 estrelas3%
    • 1 estrelas0%
    Caio Fernando Loureiro de Abreu  profile picture

    Caio Fernando Loureiro de Abreu

    Caio Fernando Loureiro de Abreu nasceu no dia 12 de setembro de 1948, em Santiago, no Rio Grande do Sul. Jovem ainda mudou-se para Porto Alegre onde publicou seus primeiros contos. Cursou Letras na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, depois Artes Dramáticas, mas abandonou ambos para dedicar-se ao trabalho jornalístico no Centro e Sul do país, em revistas como Pop, Nova, Veja e Manchete, foi editor de Leia Livros e colaborou nos jornais Correio do Povo, Zero Hora, O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo. <br /><br />No ano de 1968 — em plena ditadura militar — foi perseguido pelo DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), tendo se refugiado no sítio da escritora e amiga Hilda Hilst, na periferia de Campinas, São Paulo. <br /><br />Considerado um dos principais contistas do Brasil, sua ficção se desenvolveu acima dos convencionalismos de qualquer ordem, evidenciando uma temática própria, juntamente com uma linguagem fora dos padrões normais. <br /><br />Em 1973, querendo deixar tudo para trás, viajou para a Europa. Primeiro andou pela Espanha, transferiu-se para Estocolmo, depois Amsterdã, Londres — onde escreveu Ovelhas Negras — e Paris. Retornou a Porto Alegre em fins de 1974, sem parecer caber mais na rotina do Brasil dos militares: tinha os cabelos pintados de vermelho, usava brincos imensos nas duas orelhas e se vestia com batas de veludo cobertas de pequenos espelhos. Assim andava calmamente pela Rua da Praia, centro nervoso da capital gaúcha. <br /><br />Em 1983 transferiu-se para o Rio de Janeiro e em 1985 passou a residir novamente em São Paulo. Volta à França em 1994, a convite da Casa dos Escritores Estrangeiros. Lá escreveu Bien Loin de Marienbad. <br /><br />Ao saber-se portador do vírus da AIDS, em setembro de 1994, Caio Fernando Abreu retorna a Porto Alegre, onde volta a viver com seus pais. Põe-se a cuidar de roseiras, encontrando um sentido mais delicado para a vida. Foi internado no Hospital Menino Deus, onde posteriormente veio à falecer.

    51 Livros
    1.849 Seguidores
    Rio Grande do Sul, Brasil

    Caio Fernando Loureiro de Abreu