Com a rara habilidade de desenhar personagens, paisagem e acontecimentos, a inglesa Anne Zouroudi apresenta, em O mensageiro de Atenas, um romance rico na recriação das belas ilhas gregas e evocativo de um território onde as fronteiras de realidade e fantasia se mesclam. Na idílica e remota ilha grega de Thiminos, a calma é interrompida pela morte de uma jovem. Aos olhos da polícia local, trata-se de um simples acidente. Assim, o caso é encerrado. De Atenas, porém, chega um detetive, Hermes Diaktoros, disposto a reabrir a investigação do que presume ser um assassinato. Alheio às conjecturas e com métodos investigativos nada ortodoxos, seu recado para os habitantes das ilhas é claro: dizer a verdade ou enfrentar as conseqüências. Mergulhando no caso, Hermes faz com que venha à tona a verdadeira Thiminos: em meio a existências monótonas, um mundo onde os mitos do passado não são esquecidos e no qual paixões proibidas ainda têm conseqüências devastadoras.
O Mensageiro de Atenas -
Anne Zouroudi
Dá-lhe café e cigarro!
O livro narra a investigação acerca da morte de Irini Asimakopoulos, uma jovem grega encontrada morta em um penhasco. A história se passa na última década do século XX em Thiminos, ilha grega banhada pelas águas turquesa do Mar Egeu e na qual reina a tranquilidade... Será? A narrativa aos poucos vai mostrando uma sociedade fechada, na qual a maioria das pessoas se conhecem a vida toda: nascem, vivem e morrem na ilha. Quem não nasce ali é visto com desconfiança e encarado como estrangeiro, inclusive gregos de outras regiões. A religião – catolicismo ortodoxo – desempenha um papel importante em suas vidas. Ao homem cabe o sustento da casa; à mulher o papel de cuidar do marido e dos filhos; o casamento é encarado como sua garantia de segurança, de sustento para a vida. As traições por parte dos homens geralmente são conhecidas, mas quase sempre toleradas. Casamento é o objetivo da vida da mulher; os filhos são sua alegria na vida. Irini não é originária da ilha e é casada com um pescador mais velho que com frequência a deixa só enquanto ele vai para alto-mar. Aos poucos, ela passa a ter destaque quando circulam boatos de traição na qual ela estaria envolvida. É nesse contexto que é encontrada morta em um penhasco. Ela foi assassinada ou suicidou-se? Para resolver a questão, Hermes Diaktoros, investigador de Atenas, chega à ilha para liderar a investigação. Lá, depara-se com a preguiça e corrupção da polícia, a desconfiança dos habitantes com um “estrangeiro” e precisa contornar tudo isso para concluir como Irini morreu. Aos poucos, vamos conhecendo os habitantes da ilha, suas histórias, alegrias, frustrações, corrupção e maldade em um lugar no qual a monotonia da vida é quebrada pelas fofocas sobre os vizinhos. No início a narrativa é um pouco arrastada, mas não chega a desagradar. A autora faz várias descrições que nos permitem imaginar bem as cenas. Além do narrador em terceira pessoa, o livro intercala relatos em primeira pessoa de outros personagens. Apesar do início mais lento, quando vamos conhecendo quem teria motivos para assassinar Irini, a história engata e é difícil largar o livro. A forma como a conclusão se dá é surpreendente. No entanto, senti falta de algo. Algumas tramas secundárias encerram bem, mas de forma repentina, sem muita explicação. Nota: 3,5. SPOILER . . . . Hermes aparece como mensageiro/punidor e sua origem também fica no ar, mas não é algo que chegue a atrapalhar e talvez seja explicada nos outros livros da série.
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