Li o livro porque está referenciado como literatura utópica. Mas o livro de Rabelais é bem mais conhecido por seu personagem gigantesco, cujo apetite corresponde ao tamanho e só é comparável a sua sede por vinho. A história, carregada de exageros em quantidade de comida e bebida ingeridas e descrições escatológicas, é satírica, divertida e agradável de ler. Narra a trajetória de Gargântua, cujo pai, Grandgousier, é forçado à guerra com Picrochole por causa de uma desavença relativa a quatro ou cinco dúzias de fogaças que alguns súditos deste levavam ao mercado. Gargântua, em defesa do pai, recebe a ajuda de Frade Jean, que se revela fundamental para a vitória. Como recompensa, é oferecida ao frade a região de Teleme, junto do Rio Loire, onde este funda sua utopia. Em poucas páginas, Rabelais descreve como viviam os moradores do local, os “telemitas”, cuja única cláusula de vida era: “Faze aquilo que te apetecer”.