O Informe de Brodie -

    Jorge Luis Borges

    Globo
    2000
    500 páginas
    16h 40m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    O romance faz parte desse volume de Obras Completas.

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    Alexandre Figueiredo12/04/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O assombro crepuscular

    Vingança, assassinato, horror. Há também valentia e coragem. Mas a espinha dorsal dos contos que compõem “O informe de Brodie”, que é um dos últimos grandes livros do homem mais enigmático da literatura mundial, é a violência, seja ela simbólica ou literal. Composto de uma estética direta, “O informe de Brodie” é uma tentativa de Borges no campo do relato realista. As circunstâncias criam a narrativa. E é muito interessante que a maior parte das histórias do livro seja feita através desse estilo. Fica claro que há um esforço em transformar a oralidade em escrita, se confundindo, portanto, com a própria vida de seu autor, que foi privado da leitura com os olhos, esse prazer labiríntico, quando ficou completamente cego a partir dos 55 anos - o que não o proibiu de escrever. Borges procura, em onze curtos e precisos contos, a legitimidade do relato. Muitas das histórias aqui presentes começam com aquela clássica situação em que nos deparamos com as primeiras ficções de nossas vidas: os famosos “alguém me contou isso” ou “a história que ouvi foi esta”. Em muitos dos contos, Borges aborda, direta ou indiretamente, a formação da nacionalidade da Região do Prata. E essa é uma característica muito particular da prosa do mestre argentino, que sempre propôs a vanguarda sem esquecer a tradição, por mais contraditório que isso possa parecer. Além disso, é preciso salientar que o livro é publicado na maturidade do escritor, quando ele já tinha 71 anos, o que para alguém como Borges deve ser considerado um assombro crepuscular. Estes foram meus contos favoritos: “A intrusa”, que abre o livro e nos coloca em poucas linhas dentro da proposta da estória; “O indigno”, que cria uma atmosfera de faroeste; “História de Rosendo Juárez", onde os leitores se deparam com uma face incomum e não tão evidente de Borges, a política; “O encontro”, em mais uma narrativa bem estruturada de conflito com muita testosterona e nervos à flor da pele; “Juan Muraña”, meu preferido desta coletânea graças ao fantástico e inesperado final; e por fim “O duelo”, que mostra um tipo diferente de combate e coloca como protagonistas duas mulheres. Claro, é preciso fazer uma menção honrosa a mais um de seus famosos prólogos, que é extraordinário e erudito como sempre. Toda leitura de Borges é um jogo intelectual em que a linguagem toma o protagonismo e a imaginação é ilimitada. Um livro de Jorge Luis Borges é sempre um boa companhia e esse é consideravelmente mais acessível que outras obras (e sim, me refiro a "Ficções"). Assim como “História universal da infâmia”, “O informe de Brodie” é uma excelente porta de entrada para conhecer o grande escritor que os hermanos deixaram para a eternidade.

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