O Macaco e a Essência -

    Aldous Huxley

    Globo
    2004
    202 páginas
    6h 44m
    ISBN-10: 8525037060
    Português Brasileiro

    Bob Briggs é um roteirista de Hollywood às voltas com problemas amorosos. Ao expor a vida conturbada ao amigo e confessor, em passeio pelos estúdios, ambos quase são atropelados por um caminhão que carrega roteiros recusados pela indústria cinematográfica, a caminho da incineração. Depois de uma curva brusca, alguns deles caem do veículo, espalhando-se pela rua. por curiosidade, a dupla começa a ler os textos. E um em particular desperta a atenção dos dois: chama-se "O Macaco e a Essência", escrito por um certo William Tallis. Instigados pela temática, saem à procura do autor da obra. A busca é infrutífera e o que se segue é a apresentação do roteiro na íntegra: um filme que conta a história do mundo após o Juízo Final, detonado por bombas radioativas, e a expedição de redescobrimento da América no século XXII, dominada por babuínos. Na obra - crítica mordaz aos rumos da ciência e da civilização do século XX e perspectiva sombria sobre os tempos de guerra que se aproximam - nada escapa à metralhadora giratória de Huxley.

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    Fernando Almeida26/01/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    "Os macacos escolhem os fins, só os meios são dos homens"

    O livro narra a história de dois amigos que encontram um roteiro rejeitado por uma produtora, e o resto da história é a apresentação dele. O roteiro inicia com uma guerra entre macacos, que são usados no sentido figurativo para nos remeter à ideia de bestialidade na qual o homem foi subemetido pelo uso irresponsável da ciência e de outros intrumentos de poder. O ápice da crítica de Huxley ao uso irresponsável da ciência se dá na cena em que Albert Einsten aparece como um animal de estimação enjaulado pelos macacos. Após o fim da guerra, a história foca em Dr. Poole, que adentra na cultura dos homens que restaram após a Terceira Guerra Mundial, deformados e alterados pela radiação do solo e dispersão das armas químicas. Assim, procurando justificar as atrocidades cometidas pela humanidade, é que essa nova raça passa a responsabilizar e cultuar o Diabo pelo que aconteceu. Mais críticas são tecidas, sobretudo a religião e a misoginia instaurada no cerne da maioria delas. Assim como Padonra nos mitos gregos, e Eva no Cristianismo, a mulher do culto ao Belial aqui, é responsável por dar à luz a bebês deformados, pois se deixa possuir pelos desejos do Diabo. E todas as explicações sobre a genética alterada pela radiação são abandonadas em prol da culpabilização das mulheres. Huxley apresenta uma história que parece extremamente pessimista em relação ao futuro e que ao mesmo tempo não se situa tão distante da realidade do mundo atual.

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