Sendo seu décimo sexto livro, Christine foi concebida pelo Stephen King já famoso e em sua melhor fase. Embora o plot seja considerado lugar-comum atualmente, a história do perdedor e do objeto-que-se-volta-contra-o-homem foram valiosas cartas de inovação que acompanham boa parte das histórias do King e que o fizeram tão famoso. Na obra em questão ambos os aspectos são utilizados com a maestria de quem domina tais ferramentas, com o bônus de ser escrita pelo mestre das contos de terror.
Christine conta, a partir da visão de Dennis, a história de Arnie Cunningham, o já citado ~perdedor~. Arnie é do tipo que encontra sua chance de existência(não só no meio acadêmico) em algum fator externo, e, por muito tempo, esse fator é o personagem-narrador Dennis. Até que ele compra Christine. Para não tornar esse resumo longo, falo o que é óbvio: Christine, ou seja o qual for a entidade, seduz Arnie e o consome.
Ok até aí, a história é ordinária. Mas é na força que King tem em transformar um plot ordinário em uma história grandiosa que está o "plus" do livro. Veja bem: são mais de 450 páginas contendo uma construção de ambiente e personagens muito eficiente, numa trama que sustenta a tensão e constrói mistérios até o clímax, que contém o melhor da ação que pode-se esperar do autor.
E são nesses pontos que o livro me conquista. Aliás, não só este, como todos os outros que já li do Stephen King. O "loser" e sua transformação, como isso influencia seus amigos e família, a força da união dos personagens e o crescimento dos personagens durante a história são marcas do gênio do terror, que podem ser encontrados todos reunidos nesta obra.
Claro que nem tudo é elogiável. Se por um lado a trama é muito bem construída, por outro o ritmo da história é um pecado fatal. A narrativa do Dennis é contínua até certo ponto, quando, lá pro meio do livro, a perspectiva muda. Esse foi pra mim o maior problema, uma vez que o que se segue são centenas de páginas que não tem tanta relevância quanto a narrativa principal.
Stephen King é encontrado em sua essência em "Christine". Meu balanço final é bem claro: ambientação espetacular em um ritmo que deixa a desejar. Mas fica longe de atrapalhar a experiência que a obra proporciona; de fato se não fosse por esse pequeno problema, seria o melhor livro de ficção que já li.