Analisa a recepção das Cartas Chilenas, a famosa sátira atribuida a Tomas Antônio Gonzaga, escritas às vésperas da Inconfidência Mineira, que apresentaram-se desde o início como um instrumento pedagógico. A forma de cartas é importante recurso retórico que remete a naturalidade e parcialidade. Pesquisa, analisa e periodiza as permanências e as mudanças nessa postura interpretativa, procurando relações entre esta última e a apropriação das Cartas Chilenas, enquanto fonte histórica, nos anos compreendidos entre 1845 - primeira edição da sátira - e 1989, o bicentenário da Inconfidência mineira e centenário da Proclamação da República. É uma história da leitura do poema, que mostra como até 1880 predominam os conceitos da historiografia romântica e uma acentuada afirmação da brasilidade. Posteriormente Silvio Romero insere a leitura positivista e naturalista sobre o poema. Mais tarde, o poema vai ser lido pela crítica literária sob a ótica da sociologia weberiana, o culturalismo, o marxismo, o estruturalismo e a histórias das mentalidades.
Uma República de Leitores - História e Memória na recepção das Cartas Chilenas (1845-1989)
Joaci Pereira Furtado
Hucitec
1997
230 páginas
7h 40m
ISBN-10: 8527104156
Português Brasileiro
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