“Você se lembra, Nana... quando estávamos juntas, na beira do rio, éramos como faíscas de luz dançando na superfície da água?!
Virei-me para cantar aquela melodia que você sempre cantarolava nessa hora.”
Finalmente as duas Nanas estão se conhecendo e vão dividir o mesmo apartamento. Nana K. simplesmente sentiu uma grande paixão por Nana O. e tornou-se muito dedicada a ela.
Cada capítulo é escrito a partir do ponto de vista da Komatsu, relembrando seu relacionamento com Osaki – quase como um diário. Esse tipo de narrativa mantém tudo interessante me fazendo perguntar onde elas estão agora.
É difícil escrever sobre ‘Nana’ sem sentir que não estou fazendo justiça; isso é mais do que uma mera história de duas melhores amigas envolvidas em romances. As Nanas realmente exemplificam uma bela dualidade, a dificuldade entre equilibrar o amor verdadeiro e uma carreira apaixonada.
E, além disso, a história é muito realista, com ambas as Nanas buscando a realização, sejam através de relacionamentos românticos ou de sucesso profissional, e as suas tentativas de estabelecer suas próprias versões de felicidade e lugar no mundo, por mais transitórias ou equivocadas que sejam que por sua vez são comoventes e frustrantes.
Há uma sensação constante de algo não realizado, de um anseio agridoce que cria uma sensação de nostalgia; isso reflete muito bem o deslocamento daquele período de transição dos vinte e poucos anos, quando você não é mais uma criança, mas ainda não entendeu toda essa questão de vida adulta.
Exatamente por isso considero o tom narrativo no volume 2 consideravelmente mais melancólico, nostálgico, de modo tal que posso sentir a solidão da Komatsu. Ter a sensação de que estamos lendo um diário de confidências não é algo aleatório. Acredito que Yazawa fez isso de maneira intencional.
E os relacionamentos ficam mais tensos à medida que aumentam os enganos e as confusões, justamente porque a mangaká brilhantemente desenvolve personagens complexos que se enrolam em suas próprias teias de emoções, lidando com vários conflitos dos quais não estavam preparados. São jovens adultos que mal abandonaram a adolescência.
Escrever sobre amizade entre mulheres requer uma sagacidade muito própria e um conhecimento ímpar sobre o mundo feminino. Yazawa o faz de maneira sublime.
A mangaká traçou uma relação comovente entre as duas protagonistas apresentando uma exploração complexa da amizade feminina em seus vários matizes – às vezes protetora e devotada, às vezes ciumenta e possessiva, às vezes distante e arrependida.
Da mesma forma, há um reconhecimento das falhas em cada personagem e em cada relacionamento, dando a narrativa uma pincelada de escuridão que desmente suas armadilhas modernas de que a vida é um eterno conto de fadas.
A arte de Yazawa é facilmente elogiável. Seu fascínio pela moda fica claro em suas figuras magras e de pernas compridas e na menção casual a marcas de estilistas famosos.
Então, além de ser uma história extremamente envolvente, ‘Nana’ é um luxo visual absoluto, completo com olhos expressivos e piercings faciais transpirando beleza e elegância.
Mesmo com toda a introspecção e crítica social, ‘Nana’ também pode ser divertida, alegre e deliciosamente dramática. E a música, parte importante da história, é um verdadeiro deleite, me transportando imediatamente para o mundo tumultuado de um show de punk rock em um local underground e sujo.
Esse mangá tem uma daquelas histórias que ficará para sempre comigo.
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