Joaquim Manuel de Macedo tinha uma certa preferência por histórias com tramas cheia de reviravoltas e herois arrogantes e tolos. O Moço Loiro é uma obra possuidora de ambos em abundância.
O roubo de uma relíquia de família é o desastre que em movimento a trama - e essa não existiria se Lauro tivesse descido de seu pedestal e ousado se defender e exigir o envolvimento da polícia. Uma saída simples, mas na época em que a história se passa, pouco tempo após o tráfico negreiro ser considerado pirateria, não passaria tal medida pela cabeça de nenhum brasileiro. Como de fato ainda não passa na maioria das famílias.
O ostracismo familiar perdura pela maior parte da vida do rapaz até que sua prima chega em idade casadoura e os pequenos dramas envolvendo ciúmes e cirandas se envolvem com política e economia. São tantas informações fornecidas ao leitor que é preciso cuidado especial, pois o autor não se furta em encher o cotidiano dos personagens com pequenas cenas.
As melhores partes talvez sejam justamente as mais sensacionalistas - o casal que se pega de tapas, amigos passando a perna uns nos outros, os pequenos vexames do dia-a-dia. De fato, a história já se recomendaria apenas por isso.
Mais do que uma obra literária, ela poderia facilmente ser um exemplo das noveletas diárias ou das atuais novelas tevelevisivas.