Cartas a uma jovem amiga (J. Krishnamurti).
Melhores trechos: "...A plenitude interior é de longe mais importante do que a exterior. Podem roubar-nos a riqueza exterior; causas exteriores podem deitar por terra aquilo que diligentemente fomos construindo; mas as riquezas interiores são incorruptíveis, nada pode atingi-las, porque não foram formadas pela mente. O preenchimento psicológico pode trazer alguma satisfação, mas depressa se desvanece, e de novo voltamos à caça. Todo o problema do preenchimento cessa quando há compreensão do desejo. O desejo é o esforço para «ser», para «vir a ser». Com o fim do «vir a ser», a luta pelo preenchimento desaparece... O que é importante é uma mudança radical no inconsciente. Qualquer acção consciente da vontade não pode tocar o inconsciente. Como o querer consciente não pode atingir as buscas, os pedidos, os desejos do inconsciente, a mente consciente tem de permanecer tranquila, quieta, não tentando forçar o inconsciente de acordo com qualquer padrão particular de acção. O inconsciente tem o seu próprio padrão de acção, a sua própria estrutura, dentro da qual ele funciona. Essa estrutura não pode ser quebrada por qualquer acção exterior, e a vontade é um acto exterior. Se isto for verdadeiramente visto e compreendido, a mente externa fica serena; e porque não há qualquer resistência montada pelo querer veremos que o chamado inconsciente começa a libertar-se a si mesmo das suas próprias limitações. Só então haverá uma transformação radical na totalidade do ser humano..."

