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    Reflexões Sobre A Revolução Na França -

    Edmund Burke

    Topbooks
    2012
    662 páginas
    22h 4m
    ISBN-13: 9788574751368
    Português Brasileiro
    4.3
    295 avaliações
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    Favoritos0Desejados1581Avaliaram295

    A obra começa pela análise dos sujeitos revolucionários, os atores da Revolução, que careciam de qualquer experiência prática em assuntos de governo. Os representantes do povo não entendiam de legislação, e eram, muitas vezes, indivíduos rudes e despreparados para o poder, o que gerava abusos e comprometia a ideia de soberania popular. Nesse sentido, a Revolução não encarnaria os valores da liberdade, e sim os valores do poder. Defensor do ethos clássico-cristão, o pensador irlandês advogava uma espécie de commonwealth cristã e europeia, da qual a França jacobina se apartara; nessa linha, chega a defender o apoio do governo britânico à causa contra-revolucionária francesa. Edmund Burke procura denunciar o espírito voluntarista da Constituição francesa, fundada num individualismo igualitário abstrato. Com isso, pretende sublinhar o abismo existente entre o reformismo à inglesa e o espírito absolutista da Revolução Francesa; para ele, tratava-se de um fenômeno novo, que não podia ser comparado à Revolução Inglesa de 1688, esta sim capaz de provocar uma mudança dinástica e constitucional ponderada e limitada. Burke se filia assim à longa linhagem que inclui Bernard Mandeville e Adam Smith, na qual está a gênese do pensamento econômico e liberal inglês. Para o autor, a sociedade humana desenvolve-se não tanto por intermédio da atividade racional do homem, mas, sobretudo, por meio de sentimentos, hábitos, emoções, convenções e tradições, sem as quais ela desaparece, coisas que o olhar racional é incapaz de vislumbrar. Um racionalismo impaciente e agressivo, que se volta contra a ordem social, acaba destruindo tanto as más como as boas instituições. Burke objetiva defender, assim, a ideia da limitação da Razão em face da complexidade das coisas, propondo que, diante da fragilidade da razão humana, a humanidade deve proceder com respeito para com a obra dos seus antecessores, em prol do desenvolvimento social.

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    Julio Henrique Santos Soares picture
    Julio Henrique Santos Soares05/05/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O Pai do Conservadorismo Moderno

    Em Reflexões sobre a Revolução na França, Burke mostra-se um feroz crítico da famosa Revolução, marco na transição para a contemporaneidade e do racionalismo iluminista. A obra foi escrita em forma epistolar, destinada a um intelectual francês, com argumentação contrária a qualquer inovação consistente em abrupta e violenta ruptura com as antigas instituições políticas, morais e religiosas. Diferente da proposta reacionária, o "pai do conservadorismo moderno" não defende a manutenção absoluta do "status quo", mas reformar para conservar, sempre que for necessário. Sem perder de vista a preservação de tradições, valores e princípios provados pelo tempo e benéficos à sociedade, advoga que tais reformas devem ocorrer de maneira lenta e gradual. Nesta esteira, interessante sua proposta de que a sociedade vincula vivos, mortos e os que ainda vão nascer. O radicalismo dos revolucionários franceses, vaticinou Burke, levaria o país à violência sem precedentes, o que ocorreu na fase do terror imposta pelos jacobinos pouco tempo depois. O contra-revolucionário Burke foi certeiro. Outro aspecto do escrito diz respeito à entusiasmada defesa que o autor faz da monarquia constitucional britânica. O conservadorismo está relacionado com disposição e valores, mas não se pode olvidar o contexto do conservador envolvido. Burke, estadista anglo-irlandês, critica o sistema democrático no processo revolucionário. São frequentes as citações de cunho cristão, revelando que o conservadorismo político de Burke teve forte influência da cosmovisão bíblica. Aliás, sua consciência da natureza humana pecaminosa (orgulhosa, egoísta, vaidosa e outros vícios) tornou-o cauteloso com propostas de inovações abstratas e presunçosas que prometiam o "paraíso" na terra a partir da destruição e desprezo de todo passado, principalmente dos fundamentos da civilização ocidental. Leitura muito importante para formação da convicção em torno da retórica conservadora. Excelente.

    8 curtidas

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