Em Reflexões sobre a Revolução na França, Burke mostra-se um feroz crítico da famosa Revolução, marco na transição para a contemporaneidade e do racionalismo iluminista. A obra foi escrita em forma epistolar, destinada a um intelectual francês, com argumentação contrária a qualquer inovação consistente em abrupta e violenta ruptura com as antigas instituições políticas, morais e religiosas.
Diferente da proposta reacionária, o "pai do conservadorismo moderno" não defende a manutenção absoluta do "status quo", mas reformar para conservar, sempre que for necessário. Sem perder de vista a preservação de tradições, valores e princípios provados pelo tempo e benéficos à sociedade, advoga que tais reformas devem ocorrer de maneira lenta e gradual. Nesta esteira, interessante sua proposta de que a sociedade vincula vivos, mortos e os que ainda vão nascer.
O radicalismo dos revolucionários franceses, vaticinou Burke, levaria o país à violência sem precedentes, o que ocorreu na fase do terror imposta pelos jacobinos pouco tempo depois. O contra-revolucionário Burke foi certeiro.
Outro aspecto do escrito diz respeito à entusiasmada defesa que o autor faz da monarquia constitucional britânica. O conservadorismo está relacionado com disposição e valores, mas não se pode olvidar o contexto do conservador envolvido. Burke, estadista anglo-irlandês, critica o sistema democrático no processo revolucionário.
São frequentes as citações de cunho cristão, revelando que o conservadorismo político de Burke teve forte influência da cosmovisão bíblica. Aliás, sua consciência da natureza humana pecaminosa (orgulhosa, egoísta, vaidosa e outros vícios) tornou-o cauteloso com propostas de inovações abstratas e presunçosas que prometiam o "paraíso" na terra a partir da destruição e desprezo de todo passado, principalmente dos fundamentos da civilização ocidental.
Leitura muito importante para formação da convicção em torno da retórica conservadora. Excelente.