Em Azul Inalcançável, a jornalista Maiesse Gramacho volta seu olhar para aspectos sutis do cotidiano: as contradições nossas de cada dia, as dificuldades que encontramos para nos comunicar, as dúvidas que muitas vezes povoam nossas almas e os medos - sim, no plural - que nos impedem de tomar atitudes capazes de mudar nossos destinos.
Azul Inalcançável -
Maiesse Gramacho
Esse é o terceiro livro da autora que resenho aqui no blog, e como os outros eu o encaixo como um livro de crônicas, contos e mini-contos. O livro é dividido em duas partes: Nuvens e Ondas A primeira parte achei mais leve, com diálogos e contos bem curtinhos, todos demostrando sentimentos profundos, melancólicos, doloridos e tristes. A segunda parte já eram contos maiores e mais reflexivos, mais fortes as vezes, e nunca perdendo a força de se tentar algo melhor em alguns deles. É uma leitura rápida, leve e que as vezes te leva a pensar o quão profundo alguns contos são, eu imaginei algumas vezes os personagens quando lia o livro. Não tenho muito o que falar, o livro é curtinho e só lendo para sentir e visualizar cada sensação descrita nos contos e mini-contos. Vou deixar um conto para vocês que amei ( pude visualizar toda a história contada ): Vestida de outono Muitas vezes, ela se perde, mesmo conhecendo a cidade como a palma da sua mão. Porque se distrai com o ipê florido, o céu em nuances que vão do amarelo-ouro ao vermelho-fogo, passando pelo laranja, roxo, rosa. Ela faz dessas caminhadas um filme mudo, em que falar não é preciso para expressar o susto e a alegria diante do belo, do singelo, do natural. Inebriados os sentidos, se perde também em pensamentos. Navega doida entre lembranças e expectativas, mal pode distinguir o vivido do sonhado. Imagina sua vida como um eterno Outono de folhas que se suicidam dos galhos e enfeitam o chão de dourado e marrom. Ela se vê caminhando sobre esse tapete que exala um cheiro gostoso. Ousa até sentir felicidade, ela que é tão triste. "Se eu fosse uma estação, seria Outono com certeza!", pensa com seus botões, enquanto toca troncos, flores, folhas. Quando volta a si, ou melhor, quando precisa voltar ao que se costuma chamar !realidade", ela percebe que se perdeu. Na cidade que conhece como a palma da mão.
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