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    Mário Faustino - Uma Biografia

    Lilia Silvestre Chaves

    Secult - IAP
    2004
    400 páginas
    13h 20m
    ISBN-10: 8573130415
    Português Brasileiro
    4
    8 avaliações
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    Favoritos1Desejados6Avaliaram8

    Tese de doutorado da professora Lília Silvestre Chaves, Mário Faustino, uma biografia (Secult/IAP/APL). Em recente palestra, Benedito Nunes disse existir um tempo necessário para que a obra de um escritor seja devidamente apreciada. Pode haver, em alguns casos, um entusiasmo inicial que não se confirma depois. No caso do poeta e crítico Mário Faustino, o tempo tem ampliado as possibilidades de apreciação de sua obra e confirmado a genialidade de seus versos. Mário Faustino sobrevive ao tempo. E parece um movimento natural que desviemos um pouco o nosso olhar, fixado em sua obra, para conhecer o homem que morreu muito jovem. "Vive-se, também, em palavras", nos diz Lília. "Poesia e vida minhas deverão seguir paralelas, até que a morte nos separe...", predizia o poeta, que desapareceu em 1962, aos 32 anos, num desastre de avião. A obra segue vivendo e trouxe, cristalizada, a vida, conferindo-lhe novos contornos na memória que suscita. Benedito Nunes destaca que essa biografia tem a virtude de atar as conexões do individual com o social, e destas com “o todo da vida do autor e com os outros inúmeros fios que desta vida passaram a constituir a existência trans-histórica de sua obra poética”. Lília dissolve os limites antes traçados entre obra literária e vida pessoal. Mostra-nos as semelhanças entre texto e vida. Para Benedito, que prefacia o livro, “a vida se tornou poesia, a biografia confundida na grafia do poema”. Lilia Silvetre Chaves refaz o roteiro afetivo de Mário Faustino na cidade de Belém. Vai à casa dos amigos; ouve longos relatos; lê cartas, bilhetes, dedicatórias; e olha seus álbuns de fotografias. Na narrativa muito cuidadosa que Lília constrói, e que aqui se vale muito das cartas e das crônicas diárias, desfrutamos do olhar do Poeta sobre a Belém daqueles dias, principalmente do calor de sua amizade. Um tempo de fazer amigos, que levaria para o resto da vida, aprendizado e grande crescimento pessoal. A autora acompanha cronologicamente essas amizades e seus desenlaces pelas cartas. Correspondência que com alguns durou enquanto Mário viveu. Também pelas cartas Lilia chega ao conhecimento das reflexões que Mário fazia sobre a criação poética e sobre sua própria poesia. Numa delas, declara que tinha intenção de fazer, com os poemas-fragmentos, uma espécie de montagem “à maneira cinematográfica” que iria organizar a sua poesia e a sua vida. Lilia parece aquiescer a esse desejo e coloca a serviço dessa idéia sua erudição e habilidades de fina pensadora e escritora. Vai elaborando, com milagrosas mãos, essa grande “colagem” que organiza, harmoniza e aproxima vida e poesia, “uma refletindo, ou melhor, ‘reflexando’, a outra”. De maneira consistente e sábia, Lilia empreende sua escrita. Biógrafo e biografado “em tempo de poesia” é o que encontramos ao ler Mário Faustino, uma biografia”. TextO: Andréa Sanjad

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    Lilia Silvestre Chaves

    Lilia Silvestre Chaves nasceu em Belém do Pará, em 1951. Desde cedo, ainda adolescente, entregou-se à pintura, o que lhe valeu alguns prêmios, sendo um internacional, para expor em Paris. Foi um passo para que a arte, de uma maneira geral, estivesse sempre presente em sua vida: o cinema, o teatro e, principalmente, a literatura e a música. Mas sua carreira seria para sempre dedicada às palavras. Graduou-se em Letras, pela Universidade Federal do Pará, onde ensina Literatura Francesa desde 1979. Em 1992, apresentou sua dissertação de mestrado (UFPA) A Crônica de Saint-John Perse: um canto de Grande Idade. Cursou o doutorado em Literatura Comparada na Universidade Federal de Minas Gerais e em 2004 defendeu a tese Mário Faustino: uma biografia literária, publicada em setembro do mesmo ano (SECULT-IAP-APL). Lançou seu primeiro livro de poemas – E todas as orquestras acenderam a lua – em 2000 (Belém: Imprensa Oficial). Como poeta, participou de várias publicações: A poesia do Grão-Pará (Seleção de Olga Savary. Rio de Janeiro: Graphia Editorial, 2001), 1ª Antologia de poemas eróticos – Eros (São Paulo: Editora Poesia Diária, 1999), Antologia horizontes (São Paulo: Editora PD, 1999). Como ensaísta, organizou e apresentou o livro Espumas Flutuantes e outros poemas, de Castro Alves (São Paulo: Ática, 1997) e prefaciou, entre outros livros, a reedição de Que é Literatura? E outros escriptos, de José Veríssimo (Belém: SECULT, 1994), e as traduções de Saint-John Perse, por Benedito Nunes e Michel Riaudel (Crônica/Chronique de Saint-John Perse, Belém: CEJUP, 1992), e de Blaise Cendrars, por Sérgio Wax (Páscoa em Nova-Iorque, prosa do Transiberiano e outros poemas. Belém: UFPA, 1995).

    6 Livros
    3 Seguidores
    Pará, Brasil

    Lilia Silvestre Chaves