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    Divine Invasions - A life of Philip K. Dick

    Philip K. Dick

    Harmony
    1989
    352 páginas
    11h 44m
    ISBN-10: 0517572044
    4
    4 avaliações
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    This is a biography of the novelist, Philip K. Dick, who was born into a repressed and unhappy family. From early childhood he showed extraordinary mental aptitude offset by emotional instability. He began writing stories for pulp magazines at an early age, and through most of his life turned out stories and novels at speed to support himself as an author. This book shows a generous but insecure man, troubled by the turbulence of his times and by his own difficult marriages, and driven to attempted suicide and near-insanity by his ceaseless quest to find meaning in the universe.

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    Bruno Alves da Silva27/04/2014Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Um homem sem Castelo Alto

    Imagino que, na confecção de uma biografia, a questão da verificabilidade das informações sempre pose uma questão fundamental para o autor. Quando apostamos em traçar uma linha de vida a partir de depoimentos, correspondências e confissões, temos que acreditar que o que está sendo dito (ainda mais quando se referem a causos de uum passado distante) são de fato os acontecimentos que ocorreram. E aí temos outro problema fundamental: a memória, sempre composta a partir do presente, geralmente apresenta discrepâncias. Lembranças, e portanto depoimentos, são imperfeitos. Um ponto de vista subjetivo a respeito de acontecimentos passados. Pode-se ver como Lawrence Sutin enfrentou estes dois problemas em sua biografia <b>Divine Invasions: The Life of Philip K. Dick</b>. Não raro vemos testemunhos contraditórios durante a narrativa, geralmente entre o biografado e a outra pessoa que participou das cenas que descreve; seja em depoimentos para outras pessoas, seja em suas anotações e cartas. Sua vida era guiada por crises; sendo assim, sua resposta a cada crise era um testemunho distinto da pessoa com quem ele entrou em conflito. E, como disse sua mãe Dorothy, Philip funcionava melhor em crises. Tanto que pulava de uma para a outra — não funcionaria de forma alguma em um cenário normal de um dia ensolarado. <i>PHILIP K. Dick (1928-82) remains a hidden treasure of American literature because the majority of his works were produced for a genrescience fiction-that almost invariably wards off serious attention. You can’t write about rocket ships and be serious, can you? A great white whale serves as a literary symbol, but surely the same can’t be true of a telepathic Ganymedean slime mold.</i> É com sensibilidade que Sutin abordou estas contradições na vida de Dick: expõe a sua versão em cartas, expõe a versão de uma segunda, ou té mesmo uma terceira pessoa. Aponta, quando é possível, para elementos que tornem uma ou outra versão a mais provável, mas jamais chega a distinguir categoricamente a verdade da construção. Estas contradições são explicadas por sua segunda esposa, Kleo Mini: <i>I shouldn’t say it’s not true. If we’re talking about Philip, essentially it’s true-it just didn’t happen. This is a Philip construct of a situation that existed and it’s a little way to describe that situation without strictly adhering to specifically real life data. But then, that’s what he did.</i> Assim como transformava elementos da sua vida real em material para a sua ficção, alterava os eventos de uma forma que, muitas vezes, nem percebia; lembrava dos elementos não exatamente como eles aconteceram, mas como lembra que o afetaram. Por isso poderia muitas vezes reclamar de uma humilhação passada por uma pessoa que nem se tocava do que estava acontecendo. Mas, para Philip, a mágoa ficou. E quantas mágoas! O escritor, que viveu de 1928 a 1982, guardou muitas durante sua vida. Desde a morte da sua irmã gêmea, Jane, quando tinham apenas duas semanas de idade, foi-se acumulando de fobias, temores e anseios. Alguns que jamais viria a superar, alguns que pareceu superar no desenvolvimento de sua carreira. Por exemplo, ao começar a escrever a ficção científica que lhe tornaria tão reconhecido, não levava esta parte do trabalho a sério; sua FC era apenas um ganha-pão enquanto tentava colocar a sua verdadeira obra no mercado: “literatura séria”, que seria categoricamente recusada pelos editores durante a sua vida e a maioria da qual viria a ser publicada após a sua morte. Livros como <i>Confessions of a Crap Artist</i> (único publicado em vida) e <i>Gather Yourselves Together</i>. E apesar de conseguir de fato fazer vários livros com um foco mais literário do que meramente “científico” (como <i>O homem no Castelo Alto</i> e <i>The Transmigration of Timothy Archer</i>), esta seria uma de suas maiores frustrações. Largaria suas tentativas e se focaria em seus romances de FC ao ganhar o prêmio Hugo por <i>O homem no Castelo Alto</i>, mas o desejo pelo status literário seria uma pontada que provavelmente jamais superaria; esta ânsia de ser reconhecido, de ser levado a sério como escritor — requinte este que era sempre negado aos escritores de ficção científica, vista como uma ficção “nada séria” e infantilizada. Mas isso jamais deixou que perdesse o amor pela FC. <i>I want to write about people I love, and put them into a fictional world spun out of my own mind, not the world we actually have, because the world we actually have does not meet my standards. Okay, so I should revise my standards; I’m out of step. I should yield to reality. I have never yielded to reality. That’s what SF is all about. If you wish to yield to reality, go read Philip Roth; read the New York literary establishment mainstream bestselling writers. [...] This is why I love SF. I love to read it; I love to write it. The SF writer sees not just possibilities but wild possibilities. It’s not just “What if-” It’s “My God; what if-” In frenzy and hysteria. The Martians are always coming. (PKD)</i> “Nada séria” é um termo que não pode ser aplicado à ficção científica de Phil. Ao perceber as possibilidades que a escrita de FC abria como um leque de recursos, iniciou-se a época em que começou a explorar seus temas preferidos que se tornariam recorrentes em toda a sua obra posterior: o “o que é o humano?” e o “o que é o real?”. Livros (além d’O homem, citado acima) <i>Ubik</i>, <i>Os três estigmas de Palmer Eldritch</i>, <i>Andróides sonham com ovelhas elétricas?</i> e <i>VALIS</i> são frutos deste extenso estudo que Philip, em sua carreira, fez do tecido da realidade e suas contradições. Em vez de focar nas ciências exatas e na extrapolação tecnológica, como vários de seus antecessores e muitos de seus contemporãneos, sua abordagem distinta fez com que recebesse reconhecimento em vários países estrangeiros, mais do que em sua terra natal. Tornou-se popular na França, por exemplo, onde recebeu até mesmo outra biografia (a qual ainda pretendo ler), pelas mãos de Emmanuel Carrere: <i>I am alive and you are dead</i>, intitulada a partir de uma icônica frase de <i>Ubik</i>. <i>I am a fictionalizing philosopher, not a novelist; my novel & story-writing ability is employed as a means to formulate my perception. The core of my writing is not art but truth. Thus what I tell is the truth, yet I can do nothing to alleviate it, either by deed or explanation. (PKD)</i> São nessas páginas que descobrimos todas os complexos e conturbações da vida de um escritor que, a todo o momento, perguntava-se o que era a realidade objetiva: seus questionamentos em relação à ficcionaldade de seus livros; seus problemas com drogas e com mulheres; e, para o fnal da vida, o medo inevitável de estar mergulhado na insanidade. As crises internas e externas de Dick fazem com que essa biografia seja qualquer coisa antes de entediante. A vida do homem parece ter sido um aglomerado de complexos, que infelizmente prejudicaram a sua relação com o mundo e com as pessoas, mas que permitiram esta abordagem tão exótica à ficção científica. O retrato linear pintado po Lawrence Sutin nesta biografia divide em capítulos os diferentes pontos de sua vida: seus cinco casamentos, a escrita de suas obras mais importantes. Conta uma história que começa desde o seu nascimento, a morte de Jane, os problemas com sua mãe; passando por uma adolescência perturbada por seus complexos, mudanças de cidade, vertigens e agorafobia; até uma adultidão cheia de problemas de relacionamento, sua pobreza crônica, carência, abuso de anfetaminas e períodos conturbados entre a escrita e o enfado. E, por fim, até as suas experiências religiosas que começaram datando de oito antes de sua morte; suas dificuldades em entender o que aconteceu consigo e as suas tentativas de ficcionalizar a própria experiência de maneira a entendê-la, torná-la compreensível (veja <i>VALIS</i>). Uma vida difícil é retratada por Sutin. E, com todos os problemas em relação à factualidade dos depoimentos, ele consegue criar uma imagem de Dick que, se não idêntica ao dito homem, não deve passar longe. Consegue desenvolver uma narrativa (de uma vida que parece, por si mesma, uma história digna de romance) sem pender muito para o exacerbadamente elogioso e tampouco cair em algum tipo de denegrimento da imagem do autor. Um escritor genial, mas uma pessoa de difícil convivência, com carências e excessos, e um temperamento para lá de instável, é o que termina composto. Os livros de Dick continuam a ser lidos, e suas ideias continuam atraindo até agora um público. Afinal, a realidade e seus problemas não são datados. E uma morte precoce removeu do convívio humano uma mente brilhante que poderia ter tido ainda mais a dizer.

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    Philip Kindred Dick

    Philip Kindred Dick, também conhecido pelas iniciais PKD, foi um escritor americano de ficção científica que alterou profundamente este gênero literário. Apesar de ter tido pouco reconhecimento em vida, a adaptação de várias das suas novelas ao cinema acabou por tornar a sua obra conhecida de um vasto público, sendo aclamado tanto pelo público como pela crítica e tornando-se um ícone da contracultura. Sua obra é marcada por fantasmagóricas histórias de paranóia e primam pela originalidade. Explorou em muitas das suas histórias temas como a realidade e a humanidade, utilizando normalmente como personagens pessoas comuns e não heróis galácticos comumente associados a obras do gênero. Sua obra mais conhecida em vida foi <i>O Homem no Castelo Alto</i> (1961), vencedor do Prêmio Hugo de ficção científica. Apesar de ter tido pouco reconhecimento em vida, a adaptação de várias das suas novelas ao cinema acabou por tornar a sua obra conhecida de um vasto público, sendo aclamado tanto pelo público como pela crítica. Filho de um funcionário do governo federal, a sua irmã gémea morreu quase à nascença. Os seus pais divorciaram-se quando Philip contava quatro anos de idade. Acompanhou a mãe na sua mudança para a Califórnia, onde estudou, ingressando na Escola Secundária de Berkeley, onde permaneceu até 1945. Matriculou-se então na Universidade da Califórnia, onde estudou Filosofia e Alemão, abandonando o curso para trabalhar como disc-jockey numa emissora de rádio, mantendo, ao mesmo tempo, uma loja discográfica. Começou a escrever nesta época, publicando o seu primeiro conto de ficção científica na revista Planet Stories. Chegou a terminar alguns romances de índole autobiográfica, mas não conseguiu encontrar quem os editasse. Decidiu portanto dedicar-se inteiramente à ficção científica, convicto de que este género poderia melhor abarcar as suas especulações filosóficas. A sua primeira obra publicada foi Solar Lottery de 1955. A ação da obra decorria no século XXIII, num tempo em que a democracia como forma de eleição foi substituída por uma sistema de loteria que decide as funções dos indivíduos na sociedade. No entanto, vem-se a descobrir que a sorte está viciada. Após o aparecimento de obras como Eye In The Sky de 1956, Dr Futurity de 1960 e Vulcan's Hammer de 1960, Philip K. Dick conseguiu ser reconhecido como escritor, sobretudo com a publicação de The Man In The High Castle (O Homem do Castelo Alto) de 1962. O romance recriava um mundo em que a Alemanha e o Japão haviam vencido a Segunda Guerra Mundial. Por ter mantido relações com o Partido Comunista norte-americano, o escritor foi alvo de cuidadosas investigações por parte do FBI e dos serviços secretos da Força Aérea dos EUA. A visão quase paranóica da realidade que Dick demonstrou em muitos dos seus trabalhos não seria portanto de todo infundada. Inspirando-se em ideias do Budismo, Cabalismo, Gnosticismo e outras doutrinas herméticas, e combinando-as com certos aspectos das novas crenças na parapsicologia, extraterrestres e percepção extra-sensorial, o autor criou mundos alternativos nos quais acabou eventualmente por julgar viver. Consumindo drogas em excesso, alegou ter sido contactado em 1974 por uma inteligência alienígena. PKD explorou em muitas das suas obras temas como a realidade e a humanidade, utilizando normalmente como personagens pessoas comuns e não os normais heróis galácticos de outras obras do gênero. Precursor do gênero cyberpunk, o seu livro Do Androids Dream of Electric Sheep? (Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas?) inspirou o filme Blade Runner que, já perto da sua morte por um AVC (Acidente Vascular Cerebral), serviu como introdução a Hollywood e levou a que outras obras suas fossem adaptadas ao cinema. Os filmes Minority Report: A Nova Lei, O Vingador do Futuro, Screamers: Assassinos Cibernéticos, O Pagamento, Impostor, O Vidente, Os Agentes do Destino e O Homem Duplo, também são baseados em novelas ou contos de Dick.

    162 Livros
    939 Seguidores
    Califórnia, Estados Unidos

    Philip Kindred Dick