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    A América Latina: males de origem. -

    Manoel José Bomfim

    Topbooks
    2005
    390 páginas
    13h 0m
    ISBN-10: 8574751022
    Português Brasileiro
    4
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    Filino Carvalho Neto picture
    Filino Carvalho Neto06/12/2022Resenhou um livro
    0

    Um importantíssimo (mas desconhecido) pensador brasileiro

    Um gênio praticamente esquecido, eis o que bem caracterizaria Manoel Bomfim. O livro é do início do século XX e muitas ideias ali contidas podem soar óbvias para um leitor dos dias atuais, mas isso não ofusca a inteligência do autor e a força dos argumentos que ele utiliza. Darcy Ribeiro chamou-o de "pensador mais original da América Latina" e não é difícil concluir o porquê disso: ao contrário do que estava em voga à época (sobretudo se pensarmos em seu conterrâneo sergipano Silvio Romero, que muito provavelmente contribuiu para o ostracismo do escritor aracajuano), Manoel Bomfim não atribuía a um determinismo racial (ou algo do gênero) a explicação para o subdesenvolvimento da América Latina. Em lugar disso, demonstra como se deu o processo de espoliação e exploração ocorrido nestas plagas; como um regime parasitário (Bomfim toma essa imagem como um fio condutor de sua argumentação) levou a esse estado de coisas. Ora, após submeter um povo do modo como conhecemos, embrutecendo-lhe as faculdades intelectuais e estéticas, como alguém pode esperar que os indivíduos que compõem essa massa de explorados venham a desenvolver, subitamente, alguma consciência crítica ou cívica? E fica patente, por outro lado, a extrema má-fé daqueles que, uma vez se deparando com esse quadro de pobreza material e intelectual, em vez de questionar as raízes e o processo que culmina em tal estado, simplesmente acuse esse mesmo povo de incapacidade para pensamentos mais refinados ou de conduzir os próprios destinos. Manoel Bomfim é um poço de lucidez e boa argumentação, se o compararmos com os partidários da superioridade racial e dos que advogam o domínio de certos povos sobre outros - e ainda hoje as suas críticas se mostram bastante pertinentes. Uma pena que não seja tão reconhecido.

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    Manoel  Bomfim profile picture

    Manoel Bomfim

    Nasceu em Aracaju no dia 8 de agosto de 1868, sendo seus pais Paulino José do Bomfim e Maria Joaquina do Bomfim. Realizou os preparatórios na capital sergipana, revelando, desde criança, grande talento. Estudou na cidade natal até os 12 anos. Em 1886 ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia, transferindo-se para a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1888, onde concluiu o curso em 1890, com a tese Das Nephrites. Ainda estudante, militou no “Correio do Povo”, redigido por Alcindo Guanabara. Em 1891, foi nomeado médico da Polícia Militar do Rio de Janeiro. No ano seguinte, passou a tenente-cirurgião da Brigada Policial, posto que ocupou até maio de 1894. Nesta época casou-se com Natividade de Oliveira que foi a sua companheira por toda a vida. Tiveram dois filhos: Aníbal e Maria. A filha faleceu em tenra idade provocando uma dor tão profunda em Bomfim que ele abandonou a Medicina. Ingressou no magistério oito anos depois de formar-se, lecionando Educação Moral e Cívica na Escola Normal do Rio de Janeiro, na qual assumiu a cátedra de Pedagogia e Psicologia. Em viagem a Paris, em 1902, mandado pela Prefeitura do Rio de Janeiro, a fim de estudar os estabelecimentos pedagógicos daquele continente, entre 1902 e 1903, também estudou Psicologia na Sorbonne (França), com o propósito de especializar-se nessa disciplina para estar em condições de melhor desempenhar as suas tarefas no “Pedagogium”. Bomfim estudou com Georges Dumas e Alfred Binet, com quem planejou a instalação do primeiro Laboratório de Psicologia Brasileiro, instalado em 1906 no Pedagogium, do qual foi diretor por quinze anos. De volta ao Brasil,em 1905, foi diretor interino da Instrução Pública do Rio de Janeiro e em 1906 foi nomeado Diretor Geral da Instrução Pública do Distrito Federal. Em 1907, foi eleito deputado estadual e como deputado defendeu importantes projetos no âmbito da educação. Sua extensa obra abrange várias áreas de conhecimento: escreveu sobre História do Brasil e da América Latina, Sociologia, Medicina, Zoologia e Botânica, além de vários livros didáticos, dentre os quais estão alguns de Língua Portuguesa, em co-autoria com Olavo Bilac. Escreveu ainda, na área de Psicologia e Educação, Lições de Pedagogia (1915) e Noções de psychologia (1916), utilizadas como suporte para as suas aulas na Escola Normal. Em 22 de novembro de 1918, foi condecorado pelo rei da Bélgica com o oficialato da Ordem Leopoldo. Exerceu, durante muitos anos, notável atividade jornalística. Na obra Pensar e Dizer: estudo do símbolo no pensamento e na linguagem (1923), Bomfim demonstra domínio das mais importantes correntes de Psicologia de sua época. Escreveu também O methodo dos testes (1926); Cultura do povo brasileiro (1932); Crítica à Escola Activa, O fato psychico, As alucinações auditivas do perseguido e O respeito à criança. Sua obra revela um pensamento original, não articulado às idéias dominantes em sua época e sua interpretação do Brasil apóia-se na análise histórica da colonização, na exploração e na espoliação das riquezas do país, analisando as conseqüências sobre as condições culturais do povo. Defende a expansão da educação pública como meio para a emancipação e para construção de uma sociedade democrática. Suas concepções de Psicologia - seu método e seu objeto - também são destoantes em relação a seus contemporâneos. Considerava o fenômeno psicológico como eminentemente histórico-social, constituído nas relações entre consciências, mediadas pela linguagem, esta entendida como produto e meio da socialização. Criticava a pesquisa de laboratório, em condições que considerava restritas e artificiais. Propôs o método interpretativo para o estudo do psiquismo, baseado no estudo das múltiplas manifestações humanas, historicamente situadas. Bomfim antecipou algumas ideias posteriormente adotadas por Vigotski e Piaget, mas também de Ernst Bloch e Antonio Gramsci em sua interpretação da sociedade. Entretanto, Bomfim foi praticamente esquecido na historiografia brasileira, o que pode ser parcialmente explicado pela contraposição de suas idéias àquele que era em seu tempo o pensamento dominante

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    Sergipe, Brasil

    Manoel Bomfim