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    O retrato de Dorian Gray -

    Oscar Wilde

    Biblioteca Azul
    2015
    354 páginas
    11h 48m
    ISBN-13: 9788525054135
    Português Brasileiro
    4.2
    61918 avaliações
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    Quando 'O Retrato de Dorian Gray' foi publicado pela primeira vez em forma de livro, em 1891, era uma versão substancialmente alterada do romance original de Oscar Wilde. Considerado muito ousado para sua época, já tinha sido editado quando publicado em série na revista literária Lippincotts, em 1890, e depois ainda foi alterado pelo próprio Wilde, que, em resposta às duras críticas, fez sua própria edição para a publicação em livro. Assim, a versão original, tirada do manuscrito de Wilde, nunca havia vindo a público. Nicholas Frankel, professor de Inglês na Universidade de Virginia, teve acesso ao original datilografado de Wilde, revisitando e restaurando o romance como foi pensado originalmente. The Picture of Dorian Gray: An Annotated, Uncensored Edition foi finalmente publicado pela Harvard University Press e agora sai pela Primeira vez no Brasil, pela Biblioteca Azul. O estabelecimento do texto feito por Frankel incluiu os trechos em que Wilde tratava da homossexualidade de maneira mais aberta, constituindo, assim, nas palavras do organizador, uma versão que Oscar Wilde gostaria que estivéssemos lendo no século XXI. Frankel também incluiu em sua edição centenas de notas que situam o romance em sua época, além de traçar, paralelamente ao texto, uma espécie de biografia de Wilde, centrando nos episódios de sua vida que foram consequências da sua exposição feita no romance. "Dorian Gray é um arauto do século 20 um arauto da modernidade", disse Frankel. O livro faz a transição da era vitoriana para o moderno e Wilde pagou um preço muito alto por isso. O livro Londres, início do século XX, três personagens: Lord Henry, um bon vivant inescrupuloso e amoral; o pintor Basil Hallward, um artista até certo ponto liberto dos preconceitos da época, mas ainda zeloso de aparentar tê-los; e o jovem Dorian Gray, filho da aristocracia, rico e, sobretudo, muito belo. É com esses elementos que Oscar Wilde compõe o cenário de um dos mais importantes romances da língua inglesa da virada do século XX, O retrato de Dorian Gray. Seduzido pela admiração que ele próprio causa nos dois amigos, e, sobretudo, pela própria beleza retratada por Basil, Dorian tem um momento do pacto faustiano: faz um juramento dizendo que daria tudo, inclusive sua alma, para que ficasse sempre jovem e belo. Assim, enquanto o retrato exibe todo o efeito de degeneração moral, e vai envelhecendo, Dorian mantém-se belo e jovem, apesar de toda vileza, das maldades e da falta de escrúpulos que vai adquirindo. Oscar Wilde desenvolve essa sua espécie de mito de Fausto com um estilo incomum, tiradas morais ferinas e frases que se tornaram lapidares na história da literatura mundial. A elegância da escrita, a crítica ao jornalismo da época e a crueza do julgamento da hipocrisia da sociedade o tornaram, no calor do lançamento, um clássico instantâneo, apesar da dureza com que foi recebido pela crítica literária e, claro, pelos moralistas de plantão. EDIÇÃO ANOTADA E NÃO CENSURADA

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    Dominique Sampaio picture
    Dominique Sampaio02/06/2009Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Um emaranhado de verdades, que teimamos em não enxergar...

    Fascínio! É a única palavra que me vem a mente quando me recordo da leitura de Dorian Gray. Como tudo na vida, o que nos é proibido, é gostoso, tentadoramente irresístivel. E Henry Wotton vem desmistificar para Dorian Gray, o pecado em toda a sua glória. Todos os desejos reprimidos, pensamentos ocultados sob o véu do medo e da moralidade, Henry expulsa com ideias totalmente insanas. Para ele, o que vale realmente é o agora, enquanto, somos jovens e belos, e possuímos o mundo a nossos pés. Li-o aos poucos como quem quer provar vagosamente algo realmente tentador... Henry não somente fascina Dorian, fascina ao leitor. Fascinou a mim. Suas ideias... ahh, se dessemos asas a elas, seriamos totalmente pervetidos e mundo seria um caos maior do que já é... Por outro lado, nossa alma, ahhh, essa sim, seria digna de análise. "Aquele retrato seria para êle o mais mágico dos espelhos. Do mesmo modo que lhe havia revelado seu próprio corpo, haveria de revelar-lhe sua própria alma." Em muitos momentos, durante a leitura, eu parei para refletir... se eu tivesse um retrato que mostrasse como minha alma realmente é, o que ele mostraria? Confesso que não gostaria de ver. Com Dorian não foi diferente, em diversas ocasiões, ele tinha nojo e medo de olhar-se no retrato e ver como sua alma estava manchada. Porém, em outros momentos, ele ficava enamorado por sua pervesidade e face manchada pelo pecado. Houve uma parte, no ápice da trama, em que eu tive que parar a leitura, foi demais para mim. Ele me causou nojo. Repugnância. Como Dorian pode machucar a única pessoa que se importou com ele? A única que indicou o caminho certo a percorrer e a única que acreditou que ele era um ser livre de pecados? Parei durante dois dias de ler, eu não conseguia chegar perto do livro tal foi minha dificuldade de compreender o que havia se passado. Cinco estrelas é pouco para classificar esse livro. Simplesmente, ele mostrou mais de mim mesma, do que jamais eu gostaria de ter lido. Há não ser que você seja santo, você também se identificará com Dorian Gray, o anjo caído.

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