Ode a um Poeta Morto
Semeador de harmonia e de beleza Que n´um glorioso túmulo repousas, Tua alma foi um cântico diverso, Cheia de eterna música das cousas; Uma voz superior da Natureza É uma ideia sonora do Universo! Onde passaste, ao longo das estradas, Linhas de imagens rútilas e vivas, Em filigrana, Foram tecendo, como o olhar das fadas, Nas mais nobres e belas perspectivas, O panorama dos ideais da Terra E a ondulante paisagem da alma humana. Toda a emoção, que anda nas cousas, fala, Nos seus diversos tons e reflexos e cores. Pela tua palavra irisada de opala, Feita de radiações e finas tessituras: Desde a vida sutil da borboleta À alma leve das águas e das flores A exaltação do Sol e ao sonho das criaturas; Toda a sensualidade esparsa do Planeta.

