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    O Marxismo Ocidental -

    José Guilherme Merquior

    Nova Fronteira
    1987
    323 páginas
    10h 46m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.3
    13 avaliações
    Leram29Lendo1Querem117Relendo0Abandonos1Resenhas1
    Favoritos0Desejados117Avaliaram13

    Na sua citadíssima undécima tese sobre Feuerbach, Marx concitou a filosofia a mudar o mundo em vez de limitar-se a interpretá-lo. O problema do marxismo pós-Marx é que, historicamente, ele seguiu à risca a prescrição: sem dúvida nenhuma, alterou a face do mundo moderno -- mas não se pode dizer que o tenha interpretado de maneira intelectualmente satisfatória. Quando o marxismo ocidental, nascido, na década de 1920, o do espírito revolucionário, ganhou impulso, nos trinta anos que se seguram à segunda grande guerra, passou a proclamar a necessidade premente de repensar tanto a teoria marxista quanto a sua relação com o a práxis social. O presente estudo é uma tentativa de avaliar criticamente os resultados principais desse esforço teórico. Reflete, espero, inúmeras e vigorosas trocas de ideias sobre o marxismo e seus problemas com mentes de primeira ordem, nenhuma das quais, naturalmente, responsável pelas opiniões aqui expressas, Raymond Aron, Leszek Kolakowski, Ernest Gellner, Fernando Henrique Cardoso, Perry Anderson, Leandro Konder, Roberto Schwarz, Carlos Nelson Coutinho, John A. Hall, F. A. Santos. Agradeço a Hélio Jaguaribe a hospitalidade do seu Instituto de Estudos Políticos e Sociais, onde esbocei, em 1984, a maior parte da minha análise da Escola de Frankfurt. Graças a uma oportuna sugestão de Celso Lafer, pude precisar melhor, nesta edição, a posição do conceito hegeliano de sociedade civil. De certo modo, pensei este livro anos a fio -- mas jamais teria conseguido escrevê-lo em apenas um outono sem a ajuda e o estímulo dos meus amigos e da minha família. José Guilherme Merquior - Londres, junho de 1985.

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    Filino Carvalho Neto19/05/2024Resenhou um livro
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    Mais uma joia do Merquior

    Quando folheados um livro de Merquior, é inevitável lamentamos o seu precoce falecimento. E nos juntamos à avaliação de Raymond Aron, quando afirmou que o autor brasileiro "leu tudo" e parece mesmo ter entendido tudo que caiu sob os seus olhos. A erudição de Merquior é impressionante, mas isso não torna esse livro cansativo ou erudito demais. Nnuma linguagem didática, com um estilo limpo e uma ironia magistralmente lançada em vários momentos do texto, o autor desnuda vários luminares e obras do marxismo ocidental. Lukács, Gramsci, Adorno, Benjamin, Sartre, Althusser, Marcuse e Habermas (além de outros também apreciados), embora sejam autores com particularidades e abordagens próprias, têm a sua (in)fidelidade ao pensamento de Marx (e Hegel) expostas por Merquior. O autor ressalta, em vários momentos, como temas caros a Marx (a exemplo do papel da História e da luta de classes) são deixados de lado e os alvos passam a ser outros: o próprio indivíduo, a cultura, o discurso - e vários elementos que constituíram a "superestrutura" no pensamento da figura maior do socialismo do século XIX. Essa postura, que assume por vezes aspectos de irracionalidade (notadamente em Adorno) é exposta e severamente criticada por Merquior. Ao fim dessa edição, um verdadeiro tesouro: documentos dos arquivos do autor, com matérias de jornais, correspondências e réplicas ao seu texto. Sem dúvidas, um primor!

    1 curtida

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    4.3 / 13
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    José Guilherme Merquior

    Foi um crítico literário, ensaísta, diplomata e sociólogo brasileiro. Professor universitário, foi um pensador que se definia politicamente como um liberal social. O crítico e ex-ministro da Educação Eduardo Portella definiu-o como "a mais fascinante máquina de pensar do Brasil pós-modernista - irreverente, agudo, sábio", ao passo que o antropólogo Lévi-Strauss o definiu como "um dos espíritos mais vivos e mais bem informados de nosso tempo".

    29 Livros
    28 Seguidores
    Rio de Janeiro, Brasil

    José Guilherme Merquior