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    Febre de bola -

    Nick Hornby

    Companhia das Letras
    2013
    352 páginas
    11h 44m
    ISBN-13: 9788535923018
    Português Brasileiro
    4.1
    623 avaliações
    Leram996Lendo46Querem505Relendo3Abandonos35Resenhas35
    Favoritos39Desejados505Avaliaram623

    Nas suas memórias de torcedor fanático, Nick Hornby conta como se tornou um apaixonado pelo futebol, o que a obsessão pelo time do Arsenal significou em suas escolhas e por que ele considera esse esporte uma metáfora perfeita da vida. Aos onze anos, Nick Hornby foi levado pelo pai para ver um jogo do Arsenal pela primeira vez. O jovem, então entristecido pela separação recente dos pais e assolado pelas incertezas com relação ao futuro da família, ficou fascinado. Descobriu um lugar e uma comunidade que, como ele, não estava muito preocupada em se divertir, mas compartilhava algo bastante diverso: "O sofrimento como entretenimento era uma ideia completamente nova pra mim, e parecia ser alguma coisa pela qual eu estava esperando". Dali em diante, Hornby nunca mais deixou de assistir, no estádio ou na tevê, a uma partida do Arsenal e atrelar aos sucessos e fracassos do time as respostas que buscava para a própria vida. Publicado originalmente em 1992, o livro se estrutura a partir de datas e placares de jogos ocorridos no intervalo de 24 anos, décadas que também marcaram a entrada gradual do autor na vida adulta e na literatura. O resultado são textos repletos de erudição e memória fotográfica, humor e uma sensação de que se está lendo o relato de uma obsessão incurável. Sem jamais cair num discurso esnobe - que diferencia os "pensadores" do futebol dos meros torcedores -, Hornby aborda com leveza e sinceridade temas espinhosos como a violência nos estádios, o surgimento dos hooligans e as relações ambíguas entre cartolas e torcida. Como nos livros de ficção que viria a publicar mais tarde, aqui o autor já aponta seu plano literário, marcado por protagonistas que demoram a se despedir da adolescência para retardar a chegada à idade adulta, agarrando-se às expressões culturais de uma época que está prestes a terminar. Febre de bola venceu o William Hill Sports Book of the Year em 1992 e, em 2006, foi incluído no kit especial do sócio torcedor do Arsenal. Com nova introdução do autor, comemorativa do vigésimo aniversário da edição do livro.

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    Luiz Fernando Ferreira Magalhães picture
    Luiz Fernando Ferreira Magalhães23/07/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Futebol é uma caixinha de surpresas

    Parem as prensas! Com o perdão do trocadilho, Primeiro às premissas: 1) Amigo meu, este não é um livro sobre futebol, de jeito nenhum. 2) Sob pena de tomar pedradas, me perdoem garotas, mas este é um livro que vocês talvez não entendam perfeitamente. 3) Como sói acontecer na grande maioria dos bons livros, é muito difícil ser taxativo sobre o seu tema. Neste aqui, como nos outros do Nick Hornby, saltam aos olhos dois, obsessões e universo masculino. Às explicações! Futebol não é uma questão de vida ou de morte, amigo, é muito mais importante que isso. Acho que foi o Anjo Pornográfico Nelson Rodrigues que disse que tolo é aquele que no futebol só enxerga a bola. No nosso esporte predileto, existe uma gama de interesses, aspirações, culturas e paixões que permeiam o jogo em si. Oras, sem paixão não se chupa nem um chicabon, não é, Nelson? O relato de Hornby tem como gênesis o divórcio dos seus pais e, como eu, há uma boa chance de alguém aqui ser filho de um lar desfeito e se identificar com o garoto Nick logo de cara. No fim do casamento de seus pais, Nick, que se encontrava sob o teto da mãe durante as semanas e sobre a guarida do pai nos fins-de-semana, via-se diante do estranhamento de não ser nem um pouco semelhante com aquele senhor que antes dormia na cama da sua mãe. Suas músicas prediletas não batiam, seus ídolos eram diferentes, seus gostos eram de espectros distantes. Mas ainda assim a identificação dos dois era necessária, pois era grande a possibilidade de acabarem ambos excluídos da vida um do outro. Zeloso, o pai de Nick resolveu levá-lo ao jogo do Arsenal F.C., time de futebol inglês, pois ali, na multidão, nenhuma conversa era necessária. Ali pai e filho participariam de algo maior e poderiam matar o tempo que estariam juntos. Quem já foi em um estádio sabe, a catarse esportiva desmancha as individualidades em uma massa disforme, mas concisa. Um jovem executivo analista de riscos da bolsa, totalmente wasp, MBA na FGV e Mestrado em Harvard que vá ao Pacaembu pode, com lágrimas nos olhos abraçar o proletário do Capão Redondo na hora do gol, ao passo que este mesmo proleta não acha, de fato, que a mãe do juiz bata ponto na zona do meretrício. A mentalidade do coletivo insere esses valores nos torcedores. Como o garoto Nick não se apaixonaria por algo assim? É desse evento que surge a paixão da criança, a devoção do adolescente e a obsessão do autor, que constrói sua autobiografia-temática de cabeça, sem jamais pesquisar quem foi o autor do primeiro gol do jogo de 26 de maio de 1989, por exemplo. Como alguém consegue sustentar uma relação com um time de futebol por mais de 30 anos, durante um espaço de tempo em que todos os demais relacionamentos falharam? Nick acerta em cheio quando diz que nos homens, às vezes porcos e cafajestes, temos facilidade enorme em trocar nossas namoradas, amantes e esposas por outras ‘melhores’, mas honramos e jamais trocaríamos de time, mesmo quando ele foi rebaixado para série C ou apresentam um futebol tão maçante e enfadonho que acaba cognominado de “Boring Arsenal”?! E é assim que esse Hornby bota o dedo na nossa cara e nos aponta como igual, não aquele torcedor que fica contente quando descobre pelo porteiro do prédio que seu time ganhou, mas aquele torcedor para o qual o futebol não é uma experiência exatamente agradável, com seus nós no estômago a cada cruzamento por trás do gol, suor frio quando o técnico da seleção saca o atacante para pôr um volante e a irritação de uma campanha pífia, mas que sabe que o negócio todo é bem mais forte que ele e que até sente uma pontinha de orgulho ao se ver sentando em um pedaço de concreto de um estádio de quinta categoria às 15hrs de um domingo torcendo para seu time voltar para a elite. O livro é para aquele obsessivo que sabe que o futebol não é só um jogo, que briga com a namorada para não ir ao cinema e ficar em casa no domingo à noite vendo a mesa redonda com Milton Neves e o Neto (“Mas você já não sabe o resultado, pra que ficar escutando tudo de novo?”). Mas não só prá este como também para aquele camarada que roda a cidade atrás da versão original, não remasterizada, do Blonde on Blonde do Bob Dylan, ou aquele maluco que encontramos em pé em um sebo com um sorriso abobalhado e uma expressão de contentamento com a 1ª edição de algum livro do Monteiro Lobato. Se você é homem, amigo, você tem uma obsessão: Carros, figurinhas, discos, charutos, vinhos ou, simplesmente, qualquer coisa que te faça devanear “no meio de um dia de trabalho, de um filme ou uma conversa - sobre um voleio de canhota no canto superior direito ocorrido dez, quinze ou vinte anos antes”

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