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    Dúvidas Filosóficas -

    Bertrand Russell

    Amazon.com.br
    2013
    158 páginas
    5h 16m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.5
    144 avaliações
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    Favoritos1Desejados133Avaliaram144

    "A filosofia origina-se de uma tentativa obstinada de atingir o conhecimento real. Aquilo que passa por conhecimento, na vida comum, padece de três defeitos : é convencido, incerto e, em si mesmo, contraditório. O primeiro passo rumo à filosofia consiste em nos tornarmos conscientes de tais defeitos, não a fim de repousar, satisfeitos, no ceticismo indolente, mas para substituí-lo por uma aperfeiçoada espécie de conhecimento que será experimental, precisa e auto-consistente. Naturalmente, desejamos atribuir outra qualidade ao nosso conhecimento : a compreensão. Desejamos que a área de nosso conhecimento seja a mais ampla possível. Isto, no entanto, é mais da competência da ciência que da filosofia. Um homem não vem a ser necessariamente melhor filósofo graças ao conhecimento de maior número de fatos científicos; são os princípios e métodos, e as concepções gerais, que ele deva apreender da ciência, caso a filosofia seja matéria de seu interesse. A missão do filósofo é, a bem dizer, a segunda natureza do fato bruto. A ciência tenta agrupar fatos por meio de leis científicas; estas leis, mais que os fatos originais, são a matéria-prima da filosofia. A filosofia envolve uma crítica, do conhecimento científico, não de um ponto de vista em tudo diferente do da ciência, mas de um ponto de vista menos preocupado com detalhes e mais comprometido com a harmonia do corpo genérico das ciências especiais. As ciências especiais desenvolveram-se pelo uso de noções derivadas do senso comum, tais como coisas e suas qualidades, espaço, tempo e causalidade. A própria ciência tem demonstrado que nenhuma dessas noções baseadas no senso comum presta-se completamente à explicação do mundo; nenhuma ciência tem atribuição de empreender a necessária reconstrução de fundamentos. Isto deve ser matéria da filosofia. Quero dizer, desde logo, que acredito ser este um empreendimento da maior importância. Acredito que os erros filosóficos nas crenças do bom senso não somente produzem confusão na ciência, como também prejudicam a ética e a política, em instituições sociais, e a conduta de todos na vida diária.

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    Alexsander Souza de Assis picture
    Alexsander Souza de Assis07/04/2025Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Para não acreditar em filosofia de boteco

    Bertrand Russell, matemático, lógico e filósofo britânico, decidiu fazer aquilo que todo mundo tenta evitar: questionar tudo, inclusive o que parece mais óbvio. Neste livro, Dúvidas Filosóficas (ou Os Problemas da Filosofia, pra quem comprou a edição chique), ele apresenta uma introdução às grandes questões filosóficas, com aquele charme seco e cético que só um inglês podia ter. O livro não entrega respostas fáceis (eu diria entrega resposta alguma) – e é exatamente por isso que continua sendo atual. É uma aula de desconstrução suave, onde até a cadeira em que você está sentado nesse instante pode não existir de verdade. Um ótimo jeito de começar a duvidar da própria sanidade, mas de um jeito inteligente. Russell inicia o livro com uma pergunta básica: “O que podemos saber com certeza?” – e aí começa o desespero. Ele mostra que nossos sentidos, que parecem confiáveis, são, na verdade, enganadores. Você vê uma mesa de um jeito, outra pessoa vê de outro. E aí? Existe uma “mesa real” ou só versões subjetivas dela? Bem ao estilo Platão e o mundo das ideias. Parabéns, agora até o móvel da sua casa virou questão metafísica. Nesse início ele já mata 90% de tudo que conhecemos ao dizer: "A filosofia origina-se de uma tentativa obstinada de atingir o conhecimento real". Maaaasssss, "Aquilo que passa por conhecimento, na vida comum, padece de três defeitos: é convencido, incerto e em si , contraditório". Na sequência, ele também faz uma distinção entre aparência e realidade. O que percebemos pode não ser como as coisas realmente são. Isso gera a dúvida sobre o que é conhecimento verdadeiro – e é aí que ele entra com o conceito de “conhecimento por familiaridade” (direto, através da experiência) e “conhecimento por descrição” (indireto, baseado em inferência). Tudo muito bonito... até você perceber que 90% do que acha que sabe é “por descrição”. Ou seja, baseado em confiança cega. Legal, né? Isso tudo me lembrou o diálogo entre Sócrates e Teecteto, se vivemos um sonho ou realidade. Afinal de contas nem sabemos se a cadeira existe. Russell também se joga nas grandes questões metafísicas e epistemológicas: o que é a matéria? Existe mente separada do corpo? Como podemos justificar o conhecimento? E a resposta universal dele é basicamente: “não sabemos com certeza, mas podemos pensar de forma racional sobre isso”. A filosofia, segundo ele, não dá respostas definitivas, mas amplia a mente. Um jeito chique de dizer que você vai terminar o livro com mais dúvidas do que começou. E de fato é assim que começa e termina. Ele se recusa a responder, mas é uma obra excelente, pois traz a tona perguntas que estão aí, postas à mesa há quase 3 mil anos do pensamento filosófico. Portanto, dúvidas Filosóficas é o manual perfeito pra quem quer começar a duvidar da vida com elegância. Bertrand Russell, com sua clareza e ironia britânica, mostra que filosofar é mais sobre levantar boas perguntas do que sobre encontrar respostas definitivas. Em tempos de certezas arrogantes e verdades de WhatsApp, Russell oferece um antídoto intelectual: a dúvida bem fundamentada. No fim das contas, a filosofia não resolve os problemas da vida, mas pelo menos garante que você não vai sair acreditando em qualquer coisa. O que, convenhamos, já é um avanço. Recomendo com moderação. Por fim um trecho maravilhoso: "Para ser um bom filósofo deve-se ter o desejo forte de saber, combinado à grande cautela em acreditar que se sabe; também se deve possuir a acuidade lógica e o hábito do pensamento exato."

    20 curtidas

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    Bertrand Arthur William Russell profile picture

    Bertrand Arthur William Russell

    Bertrand Arthur William Russell, 3º Conde Russell (Ravenscroft, País de Gales, 18 de Maio de 1872 — Penrhyndeudraeth, País de Gales, 2 de Fevereiro de 1970) foi um dos mais influentes matemáticos, filósofos e lógicos que viveram no século XX. Político liberal, activista e um popularizador da filosofia. Inúmeras pessoas respeitaram Russell como uma espécie de profeta da vida racional e da criatividade. A sua postura em vários temas foi controversa. Russell nasceu em 1872, no auge do poderio económico e político do Reino Unido, tendo morrido em 1970, vítima de uma gripe, quando o império se tinha desmoronado e o seu poder drenado em duas guerras vitoriosas mas debilitantes. Até à sua morte, a sua voz deteve sempre autoridade moral, uma vez que ele foi um crítico influente das armas nucleares e da guerra estadunidense no Vietnã. Era inquieto. Recebeu o Nobel de Literatura de 1950, "em reconhecimento dos seus variados e significativos escritos, nos quais ele lutou por ideais humanitários e pela liberdade do pensamento".

    44 Livros
    225 Seguidores
    Monmouthshire, País de Gales

    Bertrand Arthur William Russell