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    Norte da águas -

    José Sarney

    Siciliano
    2001
    213 páginas
    7h 6m
    ISBN-10: 8526708589
    Português Brasileiro
    3.7
    15 avaliações
    Leram16Lendo1Querem18Relendo1Abandonos0Resenhas2
    Favoritos0Desejados18Avaliaram15

    Norte das Aguas Apareceu em 1970. o Livro Achou seu Verdadeiro Lugar e o Passar dos Anos nao Deixou Marcas de Desgaste nas Faces de sua Ficcao. o Volume de Contos Continua Atual, Vibrante

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    Raphael Chaves Ferreira03/01/2021Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Faço coro a Jorge Amado: Sarney é um grande contista brasileiro

    Antes de mais nada, vou me limitar a tratar do José Sarney escritor aqui. Vou fingir que o Sarney político - que não dispõe de minha simpatia - não existe, ok? Vamos tentar separar as coisas, ok? De início, temos que admitir uma coisa. O Maranhão é um grande centro da cultura nacional. O estado nos deu Gonçalves Dias, Maria Firmina dos Reis, Aluísio de Azevedo, Graça Aranha, Coelho Neto, Humberto de Campos, Ferreira Gullar, Josué Montello e outros. A riquíssima literatura maranhense também produziu José Sarney, imortal da Academia Maranhense de Letras e da Academia Brasileira de Letras. Cometo uma impropriedade ao colocá-lo ao lado dos demais autores? Bem... uma resenha publicada pelo jornalista João Villaverde no Estadão, sob o título "A redescoberta de um clássico improvável" (recomendo muito a leitura!), capturou a minha atenção para esse livro - O Norte das Águas, um livro de contos publicado em 1969, quando Sarney exercia o seu mandato como governador do Maranhão. Eu li e sou obrigado a fazer coro ao que disse Jorge Amado a respeito: era a revelação de um grande contista, de um grande ficcionista brasileiro. Não é um livro perfeito. Identifico algumas falhas pontuais, alguns pequenos deslizes. Alguns exemplos: No conto "Brejal das Guajas", que trata da disputa política entre dois coronéis, um personagem secundário (Mário do banjo), sem maior importância para a história, é citado como partidário de um dos coronéis e, algumas páginas depois, como partidário do outro. Em outro conto, intitulado "Merícia do Riacho Bem-Querer", o escritor troca o nome de uma das personagens secundárias (Divina, filha do Coronel Cipriano, vira Dulcina). Além disso, fiquei com a impressão de que o penúltimo conto do livro - o conto sobre o beatinho - não é tão bem acabado como os demais. Dito isso, esses deslizes não diminuem o livro. Achei o estilo da escrita de uma beleza! Conjugando marcas de oralidade, numa poderosa evocação da gente do interior do Maranhão, o texto de Sarney é tremendamente visual, tem cheiro e tem gosto. E as histórias são deliciosas. O conto sobre os Bonsdias, o conto sobre os Boasnoites e o conto sobre Merícia foram os de que mais gostei. Em alguns momentos, a narrativa espirituosa - tendente ao pitoresco - me arrancou risadas. Em outros, o tom trágico é muito bem trabalhado, não se furtando o texto a delinear o quadro das injustiças sociais a castigar os pobres, as mulheres e os negros do Maranhão. Aliás, é muito presente - em vários dos contos - a figura do coronel, como núcleo das relações sociais que tomam forma no interior do estado - o coronelismo, a política de clientela, o apadrinhamento, a sujeição, a dependência, o endividamento, por vezes o esbulho dos mais pobres. A par disso tudo, devo dizer que a menção a São Longuinho, santo dos objetos perdidos e que, no livro, aparentemente votava um carinho especial pelos primos Bonsdias, me transportou para a minha infância. Enfim, Sarney definitivamente ganhou a minha atenção para a sua obra ficcional. Já tenho um romance dele em mãos - "O Dono do Mar", que tantos elogios mereceu de Darcy Ribeiro. Será lido ao longo desse ano.

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    3.7 / 15
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    • 4 estrelas33%
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    • 2 estrelas7%
    • 1 estrelas0%
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    José Ribamar Ferreira de Araújo Costa

    José Sarney de Araújo Costa[1] (Pinheiro, 24 de abril de 1930) é um político e escritor brasileiro. Foi o trigésimo primeiro presidente do Brasil, de 1985 a 1990. Vice-presidente eleito pelo Colégio Eleitoral, na época, assumiu o cargo devido ao falecimento do titular, Tancredo Neves.

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    Maranhão, Brasil

    José Ribamar Ferreira de Araújo Costa