Um suspense envolto em névoa, mistério e nostalgia. Escrito pelo mesmo autor de Fahrenheit 451, esse livro me surpreendeu pela atmosfera quase cinematográfica, onde o tempo e a memória se confundem.
Li entre os meses de setembro e outubro, e confesso que demorei mais do que imaginei — não porque fosse difícil, mas porque Bradbury exige que você entre no ritmo dele: o da noite chuvosa, das casas antigas à beira-mar, dos segredos que o tempo não consegue enterrar.
O protagonista, um escritor sem nome, está hospedado na casa de praia de Constance Rattigan, uma atriz da era de ouro de Hollywood. Até que, em meio a uma tempestade, ela aparece completamente alterada, trazendo dois cadernos misteriosos — neles, uma lista de pessoas que já morreram… e outras que ainda estão vivas, incluindo o próprio nome de Constance.
Assustado, o escritor decide ajudá-la a entender se aquilo é apenas uma piada cruel ou uma ameaça real. Mas, naquela mesma noite, Constance desaparece, e ele, junto do amigo Crumley, embarca numa busca por respostas que os leva a revisitar o passado, os fantasmas da fama e o brilho gasto de Hollywood.
Com 142 páginas, publicado pela editora Avon Fiction em 2004, Let’s All Kill Constance mistura o clima de um filme noir com a poesia melancólica característica de Bradbury. Li em inglês e gostei bastante da experiência — o autor escreve de um jeito que transforma cada diálogo em uma lembrança, e cada cenário, em um eco do que já foi.
📚 Vale a pena ler?
Sim, especialmente se você gosta de histórias de mistério com um toque de lirismo e decadência. Não é um suspense de ação, mas um mergulho psicológico sobre o tempo, o medo da morte e o peso de quem viveu demais para se lembrar de tudo.
É uma daquelas leituras que te deixam em dúvida se está diante de um crime… ou apenas de um fantasma do passado.