Nos muros de um castelo proibido, construído nos tempos do Império Romano, mas agora em franca decadência, desenrola-se uma insólita história de amor entre a bela Lady Isabeau e Etienne Navarre, Capitão da Guarda. Punidos por toda a eternidade a vagarem por lugares ermos, sempre juntos, mas, no entanto sempre separados, eles lutam desesperadamente para se livrarem de um feitiço que lhes lançou o poderoso e maquiavélico Bispo de Áquila. Enciumado por ter sido preterido pela moça, ele condena o casal à nunca se tocar. Durante o dia, Isabeau toma a forma de um falcão que retoma a própria personalidade ao pôr-do-sol. O rapaz, por sua vez, se torna um lobo que recupera a forma humana ao alvorecer de cada dia. De que maneira os dois amantes poderão livrar-se da influência do religioso? Talvez isso lhes signifique a morte... Com base numa lenda do século XIII, Joan D, Vinge escreveu Ladyhawke (O Feitiço de Áquila), misturando aventura, história, ficção científica e suspense, numa narrativa fantástica que enriquece a coleção de best-sellers da autora
O Feitiço de Áquila - Lady Hawke
Joan D. Vinge
"Sempre juntos. Eternamente afastados."
O Feitiço de Áquila foi escrito por Joan D. Vinge e lançado em 1985. A história se passa na França do século XII e possui todas as características inerentes à época. A história me cativou, e os personagens, cada um a seu modo, conquistaram meu coração ou meu ódio desmedido: Phillipe Gaston é astuto, vivaz e engenhoso, além de possuir um coração belo e generoso. Ele mantém diálogos espirituosos com Deus, como se lhe falasse diretamente e fosse respondido. É um personagem cativante e divertido, que me arrancou risadas espontâneas com seus comentários jocosos, provocativos e suas mentiras brilhantemente elaboradas. Phillipe Gaston, ou "O Rato", também é um ladrão fugitivo, cuja façanha de escapar das masmorras de Áquila dá início a todos os acontecimentos da história. Já Charles Navarre foi capitão da guarda de Áquila. Ele é alto, forte, distinto e emana nobreza a cada movimento. Sua família dedicara gerações de leal serviço à Igreja. Mas, para ele, foi um amargo legado ver-se servindo a um tirano irreligioso, forçado a desempenhar uma corrupta e brutal política em nome da Igreja... E hoje carrega consigo uma tristeza profunda, que transparece em seu olhar, além de um desejo inflexível de vingança. Isabeau de Anjou era filha de um homem descomedido que morreu trucidando "infiéis" na Antióquia, deixando-a em Áquila aos cuidados de um primo. Ela é doce, carismática e a personificação da palavra amor, além de bela e inteligente. O Bispo de Áquila é tudo, menos um servo de Deus. Sua perversidade, cupidez, libertinagem e autoindulgência fazem dele um belo exemplar de "homem de Deus" a ser temido e odiado. Um ser maligno, mergulhado na luxúria e na ganância. A seu serviço, temos também exemplos de homens corruptos, cruéis e brutais: Marquet, o capitão da guarda, seu tenente Jehan, e o grande e forte guarda Fornac. E ainda temos o Irmão Imperius, um padre que cometeu o erro de confiar no Bispo de Áquila, seu superior hierárquico na Igreja, ato que o fez se arrepender amargamente. Agora, ele se dedica à busca de uma maneira de se redimir com as pessoas que ajudou, involuntariamente, a ferir. A história é envolvente desde o primeiro capítulo. A ousada fuga de Phillipe dos calabouços de Áquila me lembrou a extraordinária fuga de Andy Dufresne da prisão de Shawshank. A perseguição implacável pela guarda do Bispo e seu encontro fortuito com o Cavaleiro de Negro são aliciantes. Além de tudo isso, Navarre e Isabeau protagonizam uma quase versão de "Romeu e Julieta", só que mergulhada em fantasia e marcada por uma cruel e maligna maldição: "Sempre juntos. Eternamente afastados." Não quero entregar muito da trama, pois é muito prazeroso ir entendendo aos poucos o que o destino reserva para cada um desses incríveis personagens. Entretanto, devo dizer que Phillipe, Navarre e Isabeau são três pessoas completamente solitárias, que vagam por um mundo hostil, sendo perseguidos pelo cruel e brutal Bispo de Áquila. Apenas ao se encontrarem, ganham motivos para sonhar novamente e ter esperança em um futuro diferente da sombria e amaldiçoada vida que têm vivido. Recomendo. Obs.: assisti também ao filme e devo dizer que a adaptação é fiel e muito bem atuada. É quase impossível desvincular os atores dos personagens do livro.
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