A dominação masculina -

    Pierre Bourdieu

    Relógio d'Água
    2013
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-13: 9789896413484
    Português Brasileiro

    A dominação masculina está de tal modo inserida no nosso inconsciente que deixámos de nos aperceber dela. A descrição etnográfica da sociedade cabila, expressão cristalizada do inconsciente mediterrâneo, fornece um instrumento poderoso para pôr em causa as evidências e analisar as estruturas simbólicas desse androcentrismo que persiste nos homens e mesmo nas mulheres dos nossos dias. Mas a descoberta da persistência dessas estruturas coloca o problema de saber quais são os mecanismos e as instituições, família, Igreja, Escola, Estado, que asseguram a sua reprodução, e suscita a interrogação: será possível neutralizá-las para libertar as forças de mudança?

    Edições (3)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    • book cover

    Similares (3)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    Resenhas (54)Ver mais
    Sabrina Littig picture
    Sabrina Littig26/04/2013Resenhou um livro
    3 (Bom)

    No livro do filósofo Pierre Boudieu, “A dominação Masculina”, de 1998, o discurso de dominação imposto por uma tribo Africana, é a base especulativa para que o autor faça uma analise social e antropológica da posição dos gêneros nas sociedades. Ele discute as origens do papel social delegado a mulher e ao homem, e cria relações entre a cultura dos “Cabila” e a cultura ocidental, discutindo as semelhanças nas relações de dominância masculina, corporificadas no ordem do cosmos. Boudieu expressa através deste estudo, que a posição social da mulher em vários aspectos das sociedades estudadas, é de submissão total, e que estas posições se reproduzem o tempo todo até que no século XX, com os movimentos feministas, houveram as primeiras discussões que trouxeram mudanças. A entrada da mulher no mercado de trabalho e no sistema educacional, antes somente permitido ao homem, são fatores decisivos. Mas a época do texto, a expressividade destas mudanças é pontual, ou estavam se processado. Assim, ele diz sobre as condições entre feminilidade e poder assumidas pelas mulheres: “Ser ‘feminina’ é essencialmente evitar todas as propriedades e práticas que podem funcionar como sinais de virilidade; e dizer de uma mulher de poder que ela é ‘muito feminina’ não é mais que um modo particularmente sutil de negar-lhe qualquer direito a este atributo caracteristicamente masculino que é o poder.” Para Bourdieu, estas posições estão bem definidas, e fazem compreender na complexa trama de convenções sociais, que a posição feminina, de objeto inferiorizado, mesmo fora do ambiente cultural dos Cabila, segue um padrão muito parecido de submissão e domínio, onde o homem define-se e é definido como o padrão dominante. O interessante é notar no texto de Bourdieu, seu caráter “instrutivo”, que ele mesmo reafirma na sua conclusão. Assim, cedendo ante à necessidade de justificar seus interesses na discussão da “dominação simbólica”, argumentando que o resultado de sua pesquisa seria “capaz de orientar de outro modo não só a pesquisa sobre a condição feminina, ou, de maneira mais relacional, sobre as relações entre os gêneros,”, Bourdieu expõe a opinião de que o que se escrevera até então, quase que exclusivamente por mulheres no trabalho da critica feminista, carecia de orientação. Uma orientação masculina, percebe-se na fala dele.

    14 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.2 / 574
    • 5 estrelas40%
    • 4 estrelas39%
    • 3 estrelas18%
    • 2 estrelas2%
    • 1 estrelas0%