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    A origem do mundo -

    Jorge Edwards

    Cosac Naify
    2014
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-13: 9788540506039
    Português Brasileiro
    3.5
    189 avaliações
    Leram275Lendo8Querem272Relendo0Abandonos3Resenhas9
    Favoritos8Desejados272Avaliaram189

    Num dos melhores romances da literatura hispânica das últimas décadas, Jorge Edwards (Prêmio Cervantes 1999) tematiza, de forma trágica e ao mesmo tempo bem humorada, a decadência e o renascimento do amor e do desejo, o fracasso dos sonhos políticos e a ficção como elemento de resistência indispensável à vida. Na história, o casal de médicos Silvia e Patricio Illanes, exilados em Paris após o golpe de Pinochet, em 1973, convive com o amigo Felipe Diaz, um boêmio livre e sedutor, além de corajoso crítico dos velhos dogmas da esquerda. Diaz reúne qualidades opostas a Patricio, que é um homem sério, contido, defensor da vida saudável e dedicado marido de uma mulher bem mais jovem. Com a morte do amigo, o que antes era apenas uma silenciosa desconfiança sobre os sentimentos de Silvia se fortalece e, tomado pelo ciúme juvenil aos setenta anos, Illanes começa uma patética investigação cuja principal pista é a reprodução de um célebre quadro de Gustave Courbet. "De todas as histórias que [Edwards] escreveu, esta é a que eu gosto mais, a mais divertida e inesperada, a de construção mais astuta." – Mario Vargas Llosa

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    jota 11 picture
    jota 1115/09/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Avaliação da leitura: 4,5/50 – MUITO BOM (vale a pena conhecer a literatura de Jorge Edwards)

    Lê-se rapidamente A Origem do Mundo, não apenas porque é uma história curta e muito bem escrita, mas pelo fato de o chileno Jorge Edwards envolver profundamente o leitor numa investigação gerada a partir da desconfiança e ciúmes conjugais. Que resultou numa peça literária merecedora de elogios de Mario Vargas Llosa, autor do posfácio da obra. Para ele, a história criada por Edwards é divertida, inesperada e muito bem construída. De fato, é isso mesmo, uma leitura que vale a pena, além da oportunidade de se conhecer um autor sul-americano pouco difundido no Brasil. O título atribuído ao livro é o mesmo de um famoso quadro de 1866, pintado pelo francês Gustave Courbet, mencionado inúmeras vezes por Edwards. Em vez de quadro (que é reproduzido no final do livro em branco e preto) temos a (descrição da) fotografia de uma mulher posando de modo praticamente idêntico ao da modelo da pintura. A foto foi encontrada no meio de tantas outras fotos de mulheres no apartamento parisiense de um dos personagens principais do romance, o boêmio Felipe Diaz. Todas as fotografadas teriam passado por sua cama: isso vai ser a origem dos tormentos de outro personagem, esse que encontrou as fotos... Como muitos chilenos dos tempos da sangrenta ditadura de Augusto Pinochet, Diaz, por motivos políticos, refugiou-se em Paris, cidade de artistas, intelectuais, boêmios, refugiados. O mesmo fizeram alguns de seus amigos, como o médico Patrício Illanes e sua mulher Silvia. Apesar da amizade, Patricio Illanez e Felipe Dias têm algumas diferenças: o médico já passou dos setenta e Diaz tem pouco mais de cinqüenta, mesma idade de Silvia. E Diaz é culto, sedutor, mulherengo, bebe muito etc., enquanto Illanez (ou Patito, como lhe chama a mulher) é um marido sério, defensor da vida saudável, um senhor certinho etc. Mas que vai se revelar um homem extremamente ciumento e contraditório quando começa a duvidar da fidelidade da mulher. Ele supõe, passa a acreditar que Silvia tenha sido amante do sedutor Diaz e que naquela foto que imita a mesma pose da modelo do quadro é ela que está ali a exibir despudoradamente seu sexo (nem no quadro nem na foto se mostra o rosto da modelo), a origem de tudo, a origem do mundo, segundo Coubert. A foto agora será a origem da desconfiança e do sofrimento de Patricio Illanez. Inicia então uma investigação quase policial para apurar os fatos, eliminar suas dúvidas, sossegá-lo ou acabar de vez com o casamento que já dura cerca de trinta anos. Acompanhamos tudo com bastante interesse, e é somente no último capítulo, narrado por Silvia, que temos o desfecho dessa envolvente história de Jorge Edwards. Ela conta tudo e então algo acontece... Lido entre 10 e 13/09/2020.

    8 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.5 / 189
    • 5 estrelas13%
    • 4 estrelas35%
    • 3 estrelas42%
    • 2 estrelas8%
    • 1 estrelas2%
    Jorge Edwards profile picture

    Jorge Edwards

    Jorge Edwards nasceu em Santiago do Chile, em 1931. Formou-se em direito na Universidade do Chile e enveredou pela vida diplomática – seu último cargo antes de se aposentar, no início de 2014, foi de embaixador chileno na França. Em paralelo, desenvolveu uma das mais respeitadas carreiras literárias em língua espanhola – com mais de vinte livros publicados, em 1999, conquistou o Prêmio Cervantes. Ao lado de José Donoso (1924-96), Edwards é um dos ícones da chamada Geração de 50 chilena. Em A origem do mundo, qualquer semelhança com o Dom Casmurro de Machado de Assis talvez não seja mera coincidência: ainda pouco conhecido no Brasil, Edwards é, no entanto, admirador da literatura do país, sobretudo do Bruxo do Cosme Velho, sobre quem já publicou um aprofundado estudo.

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    Jorge Edwards