Galiléia -

    Ronaldo Correia de Brito

    Alfaguara
    2009
    236 páginas
    7h 52m
    ISBN-13: 9788560281589
    Português Brasileiro

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    Astier Basílio11/02/2009Resenhou um livro
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    um sertão com Radiohead

    Ok, literatura sobre o sertão, o que é que vem à mente? Galhos secos, xiquexiques, macambiras, vaqueiros encourados, arcaísmos, algo como uma Feira de Caruaru, com bonecos de Vitalino, cantadores desdentados com violas com fitas? Ronaldo Correia de Brito, que escreve como quem filma, joga sua grande angular em outras paisagens. Ele passa a sua bic nos lugares comuns do sertão. "Galiléia" é um movimento de revisita. Os três primos vão para o aniversário do avô Raimundo Caetano, só que o velho está mais pra lá do que pra lá - a imagem pode ser batida, mas o patriarca apodrecendo, num morre-mais-não-morre, é metáfora para aquele sertãozão. Os personagens dos primos parecem encaixados numa espécie de programa de cotas. Tem o loiro David, musico descoladinho que diz que tocou em um pub em Nova Iorque; o médico burguesinho, Adonias, narrador do romance; e o índio e malucão Ismael, com passagem pela Noruega. O que é bacana? A cena em que Adonias, após um assassinato, refugia-se no quarto em que um tio se escondeu após matar a mulher. A sina dos personagens, da estória, é revisitar, é refazer, é repetir e, como dizia o bigodudo de "O Nascimento da Tragédia", a história se repete como farsa. O fantasma do tio assassino propõe um pacto com Adonias numa das cenas - sim, há um lance cinematográfico muito foda e uma citação muito evidente ao "Fanny & Alessander", do Bergman - que dão um vigor à estrutura da trama. Veneno. Prestem atenção no tio Salomão. É um personagem inspirado no escritor Ariano Suassuna e Ronaldo não alivia. Num dos momentos da viagem, com os campos com plantios de maconha em vez de cana-de-açúcar, a trilha não poderia ser Antônio Nóbrega, como não foi, mas sim, "Paranoid Android".

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