Pedagogia do Suprimido” traça um inventário poético das refinadas estratégias de anulação do indivíduo, nas sociedades contemporâneas. O título do livro remete à obra do educador Paulo Freire, que propunha a emergência de uma pedagogia própria, para a libertação do oprimido. Na poesia-tese de Zeh Gustavo, o oprimido estaria a tal ponto enredado na trama desumanizante de um deus-máquina-mercado, programador até dos sentimentos, desejos e emoções, que teria involuído para uma condição de plena compressão – ou supressão, de si. Uma espécie de morte em vida que o autor busca flagrar, usando da própria biografia, inventada ou não, e de seu olhar aparentemente desencantado para, de maneira lírica, se situar em um combate por mais vida, Face a um sistema que tenta reduzir, dia a dia, o ser urbano a um estado mínimo de mero consumidor, alienado do potencial de realização de sua existência, a poesia faz-se arma para uma retomada, com amor e alma.

