Lala é uma adolescente da Zona Norte de Buenos Aires que descobre em Guayi - um empregado paraguaio de 17 anos que trabalha em sua casa - o verdadeiro amor. Juntas, planejam uma vida em frente ao lago de Ypacaraí, no Paraguai. Um dia, Sasha, a mãe de Lala, desaparece, seguindo o amante até a Índia, e seu pai, Brontë, um intelectual deprimido mas cheio de prestígio, se fecha no quarto para escrever. De lá, ele apenas sai para se deitar com Guayi. Quando Lala descobre a traição, o mata. Guayi some e Lala viaja para o Paraguai a sua procura, tendo como companheiro seu cachorro Serafín, o narrador desta história. No Paraguai, Lala reconstrói o passado de Guayi - seu primeiro amor com um garoto do povoado e que tornou-se o ator mais famoso da televisão paraguaia, sua gravidez e a lenda ao redor de um menino peixe que guia os afogados até o fundo do lago.
O menino peixe -
Lucia Puenzo
O menino peixe - Lucía Puenzo
Postado originalmente em: http://www.cacadoradelivros.com/2012/05/resenha-o-menino-peixe-lucia-puenzo.html Esse e um livro realmente difícil de ser resenhado, daqueles que ou você conhece e gosta muito ou simplesmente não conseguirá chegar ao fim. Como sou daquelas pessoas estranhas que preferem a realidade aos romances, faço parte do time que gosta. E ele já começou com um grande ponto positivo comigo, é narrado pelo cão da protagonista... Vamos conhecer? Lala é uma adolescente nascida em Buenos Aires, mas os seus problemas não são aqueles corriqueiros da idade, eles são maiores. Seu pai é um famoso escritor que vive em um mundinho particular e estranho, em que sua filha não tem espaço, a mãe foi embora com o amante para a Índia. Só sobrou para ela seu fidelíssimo [porém feio] cão e a sua paixão arrebatadora por Guayi – a empregada paraguaia, voluptuosa, mas que corresponde ao amor de Lala. O livro tem um tom cômico-irônico delicioso, já que é narrado por um cão – que Lala chama Serafim, a mãe de Saumerio, o irmão Pep de Prodan e cada outra criatura como bem entende, ou seja, é um sem nome, tadinho. Ele narra todas as suas observações sobre a família e todo o mundo que o cerca, mas o seu grande amor é por Lala. Ele é o único que realmente entende o amor dela por Guayi, como nasceu foi construído e se mantem. Só que as coisas se complicam, o pai de Lala morre e ela foge para próximo do lago Yparacaí, no Paraguai – onde havia planejado uma vida de amor ao lado da pessoa querida. Lá ela vai conhecer a família de Guayi, seus antigos amores, sua historia e a lenda de um menino peixe que leva as pessoas afogadas para o fundo do belo rio azul. O livro é muito direto, sem detalhamento de personagens, sem suas características – por vezes até me perguntava, quem é esse?! – mas em tudo isso eu achei uma excelente narrativa, porque não era importante a cor das paredes ou dos olhos da mãe de Lala, o interessante é a relação entre eles e a realidade um tanto cruel em tudo. É mostrado o melhor e o pior dos personagens, sem falsos moralismos, afinal, ele é descrito por um cão. Amei isso. Por vezes odiei Guayi, por vezes senti pena dela, mas no fim ficou a lição que essas duas passaram. Quote: [...] Essa era a maior diferença entre elas: Lala tinha o desejo desorientado até que apareceu Guayi, e desde então não havia lugar para ninguém mais. Guayi gostava de todos que olhavam para ela com esses olhos: homens, mulheres e até o próprio reflexo... O desejo do outro era o seu desejo (pag. 136). Como grande reclamação, preciso citar a qualidade – ou a falta dela – no livro físico. Me considero muito cuidadosa com livros, tenho três tamanho diferentes de capas para carrega-los de um lado para o outro sem amassa-lo, sou cuidadosa durante a leitura e após – quando tenho zelo em guardar e limpar sempre. Mas esse me deixou chocada, pois à medida que ia passando as páginas, durante a leitura, elas simplesmente iam se descolando, soltando na minha mão. Então, não precisei usar marcador, só tinha o trabalho de ir amontoando as paginas ao meu lado. No fim só sobrou um amontoado de páginas que coloquei de volta na capa e guardei com cuidado. Não deixa de ser cômico, se não fosse a tragédia de ter um livro aos pedaços...
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