Seguindo com a meta de leituras de romances românticos brasileiros, termino agora a obra de José de Alencar, "Lucíola". Tendo lido recentemente "Iracema", do mesmo autor, é impossível não notar a diferença da narrativa de um livro para o outro. Tudo muda: o vocabulário, o cenário, o tipo de personagens, o tema. Apenas a questão do amor impossível continua, embora nessa obra o amor não seja tão impossível, mas sim, mal visto e complexo. Lucíola é uma personagem forte, autêntica e ao mesmo tempo sensível e pura. Ela tem seu caminho cruzado por Paulo, narrador da trama, um rapaz que desde à primeira vista percebe em Lucíola o amor de sua vida. O relacionamento dos dois é bastante conturbado, ainda mais por Lucíola ser uma prostituta. A mesma sociedade que a procura à noite e a admira por sua beleza, a exclui e a humilha na manhã seguinte.
"Lucíola" é uma obra que me trouxe reflexões sobre a figura da mulher na sociedade e muitos dos pensamentos da personagem são cabíveis no mundo atual. A história da protagonista é triste e nos perturba por sabermos que existem outras tantas Lucíolas por aí, que tem seus corpos objetificados e são abusadas, fisica e psicologicamente pelas pessoas ao seu redor. Essa história me lembra um pouco "Madame Bovary", outro livro em que a mulher é tida como "louca" apenas por fazer o que os homens faziam na mesma época.
Com certeza lerei outros livros de Alencar, principalmente os que trazem personagens femininas como figura central da narrativa, o que me chama bastante atenção!