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    Vigilia del Almirante - la historia no oficial

    Augusto Roa Bastos

    [Madrid] Alfaguara / Santillana Ediciones Generales S.L.
    1992
    384 páginas
    12h 48m
    ISBN-13: 9788420481043
    Espanhol
    2.5
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    Vigilia del Almirante del gran autor paraguayo Augusto Antonio Roa Bastos, Ed. Alfaguara - Madrid - Colección Hispánica [ISBN: 8420481041] -- Almirante de la Mar Océana es un título creado para Cristóbal Colón por los Reyes Católicos en 1492 en las Capitulaciones de Santa Fe. Se puede encontrar también la referencia al título como Almirante de las Indias o como Almirante de la Mar Océano... Con una tripulacion de mala muerte - andaluces charlatanes, lugartenientes codiciosos, presidiarios sin otra suerte que su deseo -, el Almirante del MarOceano parte del Puerto de Palos y llega... a estas paginas. Como los altos momentos de la vida, este libro ilumina el pasado de las memorias, el presente del descubrimiento y el futuro de las profecias. Como en los altos momentos de la vida, lo imposible no existe: la geografia adquiere los contornos de un cuerpo anhelante, audaz, los vientos hablan, los marinos se dirigen al mito amenazados por la sombra del precursor y el relato discurre con un ritmo que parece sobrenatural. Cipango y las Once Mil Virgenes, el Caballero de la Triste Figura y la Reina Alferez del Ajedrez, los Reyes Catolicos y la Gramatica de Nebrija, Comala y unos versos de Vallejo convergen: Europa y America encuentran en las voces de Vigilia del Almirante la plenitud asombrosa de su delirio. Ajena a todas las trampas, esta obra de Roa Bastos rechaza la vocacion facil del narrador acreditado - el aplomo suficiente del profesional de los hechos o el altisonante azoro del explotador de prodigios -, funde las experiencias del que vive la aventura y del que la escribe y solo se deja definir en las palabras de su autor: 'Este es un relato de ficcion impura, o mixta, oscilante entre la realidad de la fabula y la fabula de la historia. Su vision y cosmovision son las de un mestizo de B+dos mundosB;, de dos historias que se contradicen y se niegan. Es por lo tanto una obra heterodoxa, historica, acaso antihistorica, antimaniquea, lejos de la parodia y el pastiche, del anatema y la hagiografia'. |...| Vigilia del Almirante: la historia no oficial -- "Quiere este texto recuperar la carnadura del hombre común, oscuramente genial, que produjo sin saberlo, sin proponérselo, sin presentirlo siquiera, el mayor acontecimiento cosmográfico y cultural registrado en dos milenios de historia de la humanidad. Este hombre enigmático, tozudo, desmemoriado para todo lo que no fuera su obsesión, nos dejó su ausencia, su olvido. La historia le robó su nombre. Necesito quinientos años para nacer como mito". Escrita desde el lado del nuevo mundo descubierto por Colón, Vigilia del Almirante plantea una reivindicación del universo indígena que, en esta apasionante novela, el propio navegante reclama para los habitantes primitivos. Repleta de sorpresas literarias e históricas, Vigilia del Almirante supone una contribución polémica y audaz a la mejor literatura de nuestro tiempo.

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    Iara Ferreira picture
    Iara Ferreira02/07/2015Resenhou um livro
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    Resenha descritiva

    Resumo Durante as navegações, o Almirante Colombo descreve o que acontece no mar, abordo, tendo como base suas muitas lembranças. Nenhuma delas passa despercebida. Ele se utiliza dos pássaros como bússola, para os guiarem. Os pássaros são aqui personagens importantes para o descobrimento. O Almirante Colombo, está decidido, mesmo com muitas léguas erradas e também pistas, a descobrir aquilo que chama de “El Nuevo Mundo”. Para isso, articula em seu discurso palavras estimulantes, promessas sedutoras aos seus companheiros abordo. Nos seus diálogos, Dom Juan dela Cosa, observa o medo. Medo referente à naos Santa Maria, medo de se perderem, em meio ao Mar. O “Piloto Desconhecido”, desde a saída de Hierro muito lhe orientara. Assim o mapa de Toscanelli deixava-os aliviados, pelas orientações, que um marinheiro deve ter em sua bagagem, ou seja, eles possuíam conhecimento sobre, coordenadas geográficas, inclusive em seu mapa seguiam o trópico de câncer, onde localizava as Antilhas, o arquipélago das Onze Mil Virgens. O Piloto o grande cabeça dessa viagem; Dom Almirante, embasado nos livros de Marco Polo, conseguiu identificar lugares que foram descritos por ele. Além disso, possuía uma episteme astrológica. O senhor vice-rei, em suas memórias, fica buscando na consciência através de um tipo de globo, mapa, lugares relacionados a carta de Toscanelli; um deles é um que localizava um vulcão em erupção, que indica a presença de fogo e fumaça constante que o almirante lembra em sua falácia. Aqui o autor dar uma fala ao personagem, voltada mais as questões no que diz respeito a navegabilidade de “santa Maria. Por um breve momento, num breve abrir e fechar de olhos, o Almirante recorda-se de seus tempos de marinheiro major, observando as estrelas, o que nos deixa claro a ideia de que, para se tornar um bom “marujo”, se deve possuir um rico conhecimento em: Astronomia, Cartografia, um aguçado olhar atento, uma agudeza, quase que uma inteligência infusa, lembrando que se tratam de homens comuns, não letrados, uns quase e outros totalmente analfabetos. O Almirante Colombo se vale de uma “descrição densa” e uma certa simpatia cheia de coragem, visto que uma boa parte de sua tripulação, era formada por ex-prisioneiros da Lei dos homens e de jovens quase recém saídos de suas fraudas. Já no inicio da obra notamos a presença de símbolos religiosos, não só do cristianismo, como também do judaísmo e do islamismo, o que torna a leitura bastante profícua, para nos leitores ocidentais que pouco sabemos dos povos semitas. O Almirante Colombo termina essa parte nos dizendo que, antes de se chamar “Santa Maria” sua embarcação se chamava “La Gallega”, nome de meretriz, e passou a ter nome da Santíssima virgem em razão do auxilio protetor concedido ao almirante. Há muito tempo navegando, pelo mar, quase a vida toda viu e transportou escravos em Guiné. Em outras viagens, como na Irlanda foi o lugar em que ficaram ancorados pelo gelo, o Almirante, conseguiu ver uma baleia, um leão marinho, designado como lobo do mar. O Almirante Colombo, sonha cada vez mais, com a conquista da terra, que um tanto fora prometida ao Reis. Marco Polo, foi um dos primeiros a descrever as características de arquipélagos das Antilhas, assim, baseou-se nessas experiências que os trouxe até, um sonho de devaneio, considerando como Ásia. Continuando em suas lembranças, o Almirante Colombo recorda-se de um episodio cândido, quando seu filho Diego era apenas um infante desejoso as acalento de uma mãe. Em uma vigília na Rábida (fronteira em Árabe) onde foram acolhidos pelos padres Juan Pérez e Antonio de Marchena, Diego, tem a visão de sua mãe em meio as estrelas, em um esplendor radiante, no meio das estrelas, em uma mecha bruxuleante, através do “olho do telescópio”. Diego, mesmo sendo um menino, já sofria de calvície por conta de uma cruel alopecia, porem, durante á noite todos os fios foram restabelecidos milagrosamente. Este fato, o Almirante Colombo constatou pela manha, logo depois da Santa Eucaristia, com certo assombro e regozijo, vendo seu filho recuperar a aparência e o frescor próprio de uma criança, sendo povo relevante o fato de que seus cabelos eram grisalhos. O Almirante Colombo precisava seguir viajem e uma criança não suportaria as instabilidades e abruptos mudanças de uma vida de marinheiro ou aventureiro, e pois, sendo assim, Diego fica no convento. Anos mais tarde, depois das muitas viagens, pai e filho se unem novamente, e o Almirante, assim contempla seu filho, um então agora robusto e vigoroso moço do mar e o esperançoso futuro que virá paulatinamente desenrolando seu novelo. O Almirante Colombo consta que, apesar de o Piloto ser um excelente navegador, ainda desconhece algumas regiões da Costa, pois inclusive, o Tratado do Céu e do Inferno, dizem que estas estão banhadas pelo mesmo Oceano. O Piloto contou ao Almirante Colombo vários exemplos de experiência que viveu, e assim desenhou o lugar que é conhecido como Cipango, por Marco polo, com o nome de Cibão. Colombo ficou com a cara pálida; quando Paulo Físico Toscanelli descrevera em sua carta, que as pessoas andavam com vestes cravejadas de ouro, ao contrario do Piloto que respondeu que as pessoas andavam nuas, justamente quando estava no momento de despedida da vida. O mar agitado, a noite caiu na esperança de ver pássaros ao amanhecer, assim o almirante relembra personagens de suas definições ao mar. Como por exemplo: O velho Plinio, Paulo Físico, Cardeal d’ Ailly. O Coloma judeu, cita com frequência passagens do livro sagrado. Com o objetivo de semear a palavra de cristo para os povos que ele designava como pagãos e com muito mais planos imaginários em sua expedição. Aqui nessa parte da historia, com a fala do Almirante Colombo, notamos bem, uma diferença, desarmonia nas relações entre cristãos e muçulmanos que os últimos, por sua vez, também ficaram conhecidos na historia medieval, pelos nomes de: mouros, sarracenos, ou como os cristãos mais fervorosos os designavam por “infieis” ou “hereges”. Dom Enrique de Guzman, que era duque de Medina Sidonia, muito investiu na empresa, sim, é esta palavra mesmo. Era, assim que o Almirante Colombo designava todo aquele verdadeiro empreendimento que vigorava um torradíssimo lucro. Sendo um mouro, o duque de Medina imediatamente, suspende sua ajuda, ao ver que a embarcação estará adereçada a Virgem Santíssima, reclamando tudo que já gastou. No entanto, o mesmo volta atrás ao se dar conta do sucesso da primeira viajem a qual ele muito contribuíra, e pede uma mediação ao Cardeal Dom Pedro Gonzáles de Mendoza, para que também a casa de Medina e Úmbria possam enviar caravelas em busca do ouro das índias. Três dias é a certeza que o senhor Joan de Coloma tem para conseguir chegar as Índias. Os pássaros sempre em revoadas, às vezes para confundi-los ou para dar sinal de aproximação da Costa, pedindo a força divina para acontecer fenômenos de ventos. Oferece aos navegantes uma recompensa para aquele que avistar as Terras Prometidas, mais esperadas quanto um filho na barriga de sua mãe. Houve naquele momento conflitos, revolta de cinco navegantes que gostariam de derramar sangue no mar. E para acalmar a tensão, Colombo promete a própria vida, se não chegarem as Índias no prazo de três dias; com isso, abre uma fala heroica, primeiro na esperança de realizar, ou melhor, como ele mesmo disse: “Espero que o destino seja mais generoso comigo.” O autor usa do mistério que há em torno da pessoa enigmática do “Piloto Desconhecido”, para problematizar a questão de ficção e historia visto que, a figura emblemática de um Piloto Desconhecido, a qual nos relatos, inumeráveis dúvidas e questionamentos. “Como optar entre fatos imaginados e fatos documentos? Por isso, eles não se complementam em suas oposições e contradições, em suas naturezas respectivas e opostas? Excluem-se e anulam o rigor científico e a imaginação simbólica ou alegórica? Não, são apenas dois os caminhos diferentes, duas maneiras devemos de conceber o mundo e de expressá-lo.” O Autor na incerteza da existência do Piloto procura historiadores das Índias, para deixa-lo mais tranquilizado ou deixar com algumas inquietações referentes ao papel do historiador. Além disso, ele em seu diálogo, aponta o Almirante em segundo plano, no momento em que o Piloto pode ter existido, por isso, honra ao mérito é um tanto do mesmo herói que o Almirante Colombo é pintado. Para esclarecimento, o autor aponta que foi mais um porque, já havia inúmeros pré-descobridores anônimos. Mas, o lígure foi acusado pelo Frei Fernando de Talavera; por ser Judeu. Mas, como tinha grande influência para com a Corte, diante disso, não foi penalizado. Além de ser amigo de Dom Tomas de Torquemada, que era o Inquisidor Geral. Chegou nas Antilhas, “América” acreditando veemente que tinha chegado no Oriente Asiático, para tanto o autor cerca-se de informação referente ao Piloto Desconhecido, apoiado nos clássicos cronistas. Alguns afirmam que o Piloto realmente existiu. Gonzalo Fernandés Ouviedo, por sinal testemunha a grande embarcação, carregadas de mercadorias, entre elas: Cravo, Especiarias, vinhos e produtos consumíveis. Nas Índias haviam mulheres despidas e eles observaram; durante algum tempo estas embarcações eram consultadas. Na volta, foram atacados por uma epidemia; e somente o Piloto conseguiu levar a vida até a Ilha de Modeua. Morreu na casa de um amigo, e nesse sufoco, informou-lhe de tudo o que estava acontecendo, Nelume de Xinde Vieira, até o próprio cronista que fala com tanta segurança; não acredita nessa possibilidade. A história do Piloto é realmente mas magenta. Francisco Lopes de Gamara, apontando já numa grande coincidência as Índias serem descobertas por um Piloto desconhecido, para ele no mínimo, deve ergue-se uma estima para ambos, opina. Frei Bartolomé de Las Casas, favorece e parabeniza o trabalho de Coloma e do Piloto, com Deus os escolheram, Pedro Martin de Anglería , em seu depoimento; afirma que o Piloto contou-lhe o segredo das novas terras. Almirante em seu “libro de las memórias”, tem momento impressionante, pois, apresenta situações reveladoras. Portanto o autor faz um aparato e memorial, apontando as diferenças históricas, e questões da ficção enquanto marítima, o quão às vezes não é questionável como escrito legível. Para o sucesso completo e aprovação geral, a “empresa descobridora”, ainda contava com a aprovação e o forte apoio dos poderosos Reis Católicos, o que logo ocorrera devido à perseverança de Frei Juan Pérez, e com a feliz opinião, do influente marrano Luiz de Santángel. Ascensão triunfante do lígure, que de mendigo, com raízes marranas, passa a ter os títulos de: “Almirante de toda a armada dos reinos de castelã e Aragão, o capitão geral, a vice-rei e governador de todas as terras descobertas e por descobrir, o grumete genovês avançou muito.” Também se nota a forte influencia que exercia a igreja junto a nobreza, e como que questões politicas e religiosas estavam, intimamente ligadas naquele cenário, horas cheio de balburdias e confabulações, onde de uma maneira muito astuta o nosso saudíssimo almirante seduz os corações desejosos de ouro e almas convertidas, sem falar na eliminação completa dos mouros. O Almirante Colombo escreve a primeira carta aos reis, para firmar e conceder a segurança de viajar ao encontro das novas terras, assim sendo garantir o que lhe prometeu. Falando o que os reis queriam ouvir. Por isso, estudou todas as escrituras, crônicas, filosofia, mapas para a trajetória nas índias. Faz requerimento da gramática castelhana do P. Antonio, para escrever o livro do Descobrimento; além, de pedi-lhes a Unção para levar o cristianismo as novas terras, no livro de Pedro Páramo. Tem se como primeiro inquisidor o Pai eterno, e nesse seguimento cerca de dois mil protervos, judeus, infiéis, hereges; foram queimados. O almirante efetivamente almeja conquistar o novo mundo, mais também, cristianizar os povos que viviam nelas, ou seja, povos nativos. Seguindo o autor nos diz que o lígure desejava apenas, lotar, encher suas mãos com as especiarias trazidas das “índias” vigorando do ocidente para o oriente que este último por sua vez era e continha todos os luxos da época, inclusive no que diz respeito a temperos, iguarias, e ate mesmo plantas medicinais com o magnifico poder de curar patologias tais como a sífilis e a AIDS. A “empresa descobridora” do Almirante era muito mais que um investimento empreendedor, pois era, algo que transcenderia, seria compartilhado, seria um memorial, um feixe de luz, como uma mexa bruxuleante a qual outros homens cobiçosos seguiriam como modelo de sucesso para obtenção de outras, muito ouro. Enriquecido e enriquecendo a muitos o Almirante faria da Espanha um estandarte das nações. Sim! Seria o “Glorian Day” de nosso lígure. Porque naquele dia a raiz da Espanha Cristã se levantará como estandarte dos povos e as nações o seguiram com anciã. O que inflamou ainda mais a cobiça nos corações dos aspirantes a descobridores. Sim! Pois diante de tais propostas mui sedutoras com prêmios imensuráveis, com tamanhas sortes de riquezas, iniciava-se uma corrida. Sim! Uma corrida, “Rumo ao Oriente.” Começa a sua viajem em 03 de agosto no Porto de Palos, o Almirante, descreve tudo segundo as suas observações, destino as terras do Catay e do Cipango. Orientado pelos livros de Marco Polo e do Cardeal d’Ailly, e a carta de Toscanelli, que relatavam riquezas, ouros nas casas encontradas nessas terras distantes. O Piloto lhe falou a respeito da distância, coordenadas da Ilha de Hierro, do que viera encontrar, o Piloto é o grande ídolo, inspirado dele. Escrevendo em seu diário, as suas memórias, desejos e confissões. O Almirante reflete o que ele é e o que ele pode ser caso encontre o ouro nas índias. Um grande significado para a Espanha e para o mundo, para esse peregrino, que buscava a qualquer custo essas novas terras; glorificando e buscando ajuda em nosso Senhor Jesus Cristo. Ele diz: “Se isso acontecer, poderei considerar-me par de Moisés, guia de um povo, de uma multidão de povos, aos quais devo entregar as Tábuas da Lei no Sinai dessas terras desconhecidas.” O Almirante conta-nos seus segredos, os mais íntimos, aqueles segredos, que muitos de nós, que talvez por muita decência, excesso de pudor, ou por pura prudência mundana, fazemos questão de esconder das demais pessoas, ou só o contamos em confissões, no caso de um bom cristão que já amadureceu na fé. Fala-nos de suas namoradas, as muitas Beatrizes. De sua vida, e também de uma senhora chamada Pepina Palma, a qual teve magicamente um filho sem contato com um vasão, filho este que o Almirante leva para fazer parte de sua “empresa descobridora”. Tudo isso, pra falar da vitalidade humana. “Não penso na fornicação. O sexo não deveria ser a parte mais vulnerável do ser humano. E sua parte mais nobre e mais santa, posto que é ela que se encarrega da propagação da espécie. O adultério, a violação, o incesto, o estrupo mais violento, não passam de profanações e engambelos a que nos empurra o instinto animal.” Aborda questões sérias e difíceis de serem resolvidas sem o adequado meio. Nos contos sobre seu combate com o “Homem Velho”, que existe em cada um de nós, de quão difícil é ser puro ou santo, sem o auxilio da graça, dada que se torna impossível pelas nossas próprias forças, de tão fraca que a carne é. “A santidade não se concebe nem se pode praticar sem a lubricidade, sem as tentações extremas da carne. São elas que põem a prova, fortalecem e enriquecem as virtudes da pureza e da castidade, tanto no homem como na mulher.” A ampulheta estava diferente da contagem que ele estava esperando; esse globo de areia não correspondia as expectativas de contagens cronológicas, por isso ele acreditara que os grãos de areia que passara eram graúdos, o que dificultava a passagem da arei, até parar de funcionar a ampulheta. A areia remontava uns grãos de memorias infantis e os levara para um mundo de imaginação, com aparato a Jesus. E ao ouro almejado, o senhor Almirante em seus sonhos quase que reais, sempre trazendo as passagens bíblicas, para os seus devaneios, e para os próprios acontecimentos. Eis que se estoura um motim na “empresa descobridora.” Pois veja bem. A tripulação já se encontrava por demais no desânimo e falta de esperança. Pensavam estarem perdidos e por isso a demora em chegar as famosas terras das Índias. No entanto, mesmo em meio a tal balbúrdia, o Almirante mantinha o foco, e ainda conseguia ter esperança e até mesmo certa certeza da localização exata do “Paraíso Terrestre.” Sim! Aquele Paraíso da gênese da humanidade, os quais foram expulsos nossos pais Adão e Eva. O Almirante fascinado pelo xadrez consegue vitória sobre Rodrigo Sánchez de Segovia. Pedro Gutierrez del Oro era muito dependente da Rainha Alferes, e sendo assim, não consegue jogar sem a presença da mesma, ou melhor, é um fracasso, quando a sua Rainha é capturada. É um jogo articulado em torno da guerra, constituído como corpo de um Império. Onde se tem: Peões, Cavalarias, Clérigos, Guardiões das fronteiras e a Rainha Alferes está no papel de Dama, pois, como sucede um grande império sem uma mulher? Como sucede o mundo sem ela? Escovedo faz-lhe varias perguntas a respeito do jogo e principalmente da Rainha Alferes. Como no jogo, na vida também é assim, “castas”, formar a estrutura de uma conjuntura. E ao motim, enquanto a isso, a meia-noite todos iram morrer, o escrivão ficou assustado com a resposta do lígure, que ainda, pediu-lhe sigilo, para não causar pânico, nos companheiros. O Almirante é um ávido cabalista, pois sendo ele de origem marrana, tais práticas, segredos e instruções, não lhe ficariam ocultos por muito tempo mesmo que o mesmo assim o quisesse. Seus números cabalísticos são 7 e 13, e pela cabala ele se vale, com certezas calculadas, a ponto dele poder afirmar com uma indizível autoridade que, descobrirá a entrada das Índias no dia 13 de Outubro de 1492, e a Terra Firme do Catay aos 43 anos, no dia 13 de Junho de 1493. Almirante conta sobre quando trabalhava para os genoveses Centurione e Di Negro. No mar onde passou por vários sufocos: naufrágios e ataques de outras embarcações, piratas. Em um desses eventos, não lhe teve saída, a não ser pular no mar e nadar para a Costa, pois seus barcos estavam destruídos. Inclusive apoiou-se no cadáver de seu Tio para conseguir ir ate a Costa. Depois de chegar fica imaginando o porque de acontecer aquilo. O cadáver era de Guillaume de Casenove. Foi falando sobre a areia que é o alicerce e ao mesmo tempo ajuda a findar o corpo. Na beira do mar, deixou despido, seu tio e lhe tirou todas as coisas que tinha nos bolsos. Depois lhe vesti a roupa de morto. Ele lembra até a data do acontecido: 13 de agosto de 1475; isso formam as memorias que colocou em seu “Livro de las memórias”, à alucinações de sentido persecutório do Piloto desconhecido que morreu em seu braços, que confiou-lhe os segredos e que morreu segundo o Almirante, como indigente. Que dirigiu palavras da vida, mas contrapondo que na espera estará Pedro Gentil, o seu Turismólogo. Depois de escapar de um naufrágio com vida, e ainda mais, lucrando os ricos despojos de seu falecido Tio, o nosso astuto marinheiro volta para Lisboa, onde impugna a possível indenização que receberia, por considerar a mesma como sendo uma esmola humilhante, o que assustadoramente causa espanto em seus irmãos Bartolomé e Diogo. Em seguida casa-se com Felipa. Esta por sua vez lhe dá como presente o filho Diego, morrendo logo depois do nascimento do infante. Hospedado na casa de sua sogra, que era parente do Cônego João Martins que possuía o mapa de Toscanelli. O Almirante logo encontra um meio um surrupiar o mapa, para tê-lo em seu poder, preciosidade primázica para um aspirante a descobridor. Após tirar cópias do mapa, ele compara os dados que obtivera do Piloto com as indicações de Toscanelli, e estas com o globo náutico de seu amigo Martin Behoim, analisando as analogias e discrepâncias. O pintor Florentino Domenico Bigordi; descreve fisicamente em seus quadros o Almirante, e uma das primeiras viagens. Mais que ainda causa incerteza da identidade da própria imagem. O Almirante compartilha sua vida amorosa quando foi mais jovem, retratando sobre as mulheres que tivera inclusive Simonetta. Abusou sexualmente das índias e algumas tentaram resistir mais não conseguiram porque eram chicoteadas, assim ouve uma cadeia de subordinação e desumanização. O lígure era além de um simples e nada erudito marinheiro, um ávido e feroz leitor de livros. Sim! Livros de navegadores e exploradores, que nutriam suas inexoráveis fantasias e desejos, deixando-o a beira da loucura. Ele estava lendo demais, já não separa realidade de ficção. Seu preferido era o do aventureiro Marco Polo. Lia e fazia muitas e muitas anotações, estava ficando com alguns transtornos obsessivos compulsivos, chegando ao estágio de uma serena cândida loucura. Não era de muitas palavras, falava pouco para evitar o tropeço das palavras, o que lhe causava uma boa impressão, ao passo que os outros o consideravam “prudente como uma serpente e simples como uma pomba.” Com a leitura treinava outros idiomas. O que lhe era muito vantajoso em seu ofício. Mas por outro lado, o excesso de leitura o tornou frio, tendo como segunda natureza a “loucura do juízo.” O Almirante decidiu muito jovem seguir o mar, depois da morte de Simonetta, o senhor Almirante tentava resgatar flash back de imagens de sua bela, que agora estava adormecida no sono do Ades. Assim, conta o marinheiro Tifis; comparando o que estava por vir com as passagens bíblicas que resumem basicamente o que ele queria ou o que estava acontecendo. Queria dizer que mesmo não sendo bem sucedida essa viajem, ele era o escolhido para chegar no Cipango ou nas terras do Catay, terras essas que nunca existiram no “el nuevo mundo”, também graças ao marinheiro Tifis, que nos pode dar esse alargamento de horizonte do Almirante, enquanto o pensamento da grande “empresa descobridora”, “o mundo dá muitas voltas”, essa frase, esse lema conseguiu exemplificar o qual foi a volta que o mundo deu no Almirante, e que só depois conseguiram reconhecer que era sim novas terras mais não europeias. E como eles designaram “Índias”, e já estavam habitadas por seres humanos. O Almirante tinha suas anotações. Ele escrevia em livros que depois publicaria. Era o “Diário de Bordo”, “Diário do Descobrimento”, “Livro de Memórias”, “Livro das Profecias” e o “Livro das coisas estranhas.” Mantinha no seu íntimo o desejo de plena plenitude, alcançar a transcendência, ser trâns-histórico, romper de vez com o anonimato. Em sua teimosia, fica cego e encobre aquilo que é novo usando o “poder da imaginação ainda ligada a uma obsessão equivocada.” O autor nos diz aqui que, mesmo a figura do Almirante se tornando enigmática, misteriosa, e quase caindo no esquecimento, muitas obras, uma vasta produção literária se deu a respeito de sua pessoa e o importante papel que exerceu neste mundo. Dom Quixote é um dos responsáveis por salvar a memoria do Almirante, depois de 100 anos do descobrimento, esse cavaleiro da triste figura e o marinheiro do triste descobrimento ingenuamente errôneo, por outro lado, quer dizer pelo viés econômico foi uma grande expedição, pois trouxe muitas riquezas a Europa, principalmente o ouro das Índias. Uma das principais coisas cobiçadas pelos Almirantes. Assim, o autor pode pintar uma figura negativa ou positiva de cada personagem desse drama, cabe uma interpretação, dedução, sorte, dos historiadores. Mais uma vez como tantas outras vezes no decorrer da história, o autor coloca de frente elas duas: realidade e ficção. A questão diz respeito ao “Livro das Memórias” supostamente escrito pelo Almirante. Sim! Supostamente, pois não se tem a real a firme certeza se o mesmo fora escrito pelo próprio aventureiro ou por um anônimo hagiógrafo contemporâneo. Fala o Almirante, que nesse dia estava fazendo 43 anos de idade. E relacionando a sua data de nascimento com a da Rainha Sereníssima em Madrigal de las Torres, com o antagonismo de cada papel, noutro momento falando a direção, orientado pelo Piloto indigente, da palavra, do verbo, de escritores, cronistas que irão presta-lhes homenagens, outros irão criticar, mais os documentos e vestígios, não cessarão totalmente, só os especialista para dizer daqui para frente, um bom historiador. O Marinheiro Almirante estava preocupado com o memorial para com o seus comandantes, reis e principalmente com a sua obra o “Livro do Descobrimento”. Com toda a insurreição ocorrendo, frei Buril ou Juan, tanto faz, vai ao camarote do Almirante para lhe por à par de toda situação, lhe relatar o que está ocorrendo na embarcação, informar quem são os líderes rebeldes e quais são suas intensões. A priori pensava o frade que o chamado era um pedido para o sacramento da reconciliação, - o autor usa bastante de elementos religiosos não só da fé cristã, como também das demais – porém não era para esse fim o chamado. Apenas um diálogo estratégico e necessário visto a balbúrdia que havia se instaurado. Frei Juan conta ao Almirante toda a trama que os amotinados haviam confabulado, na qual o fim reservado para o mesmo, não seria um final feliz hollywoodiano. Porém, com certa frieza, o Comandante diz ao frade para acalmar-se e ir repreender os rebeldes, pois acredita que estão a um palmo da “Terra Prometida.” Em uma de suas recordações, em uma noite a senhora Beatriz de Arana, estava servindo ao Almirante, e ele descreve-a despida, em seus momentos de prazer concomitantemente. Com uma sensação de harmonia e alegria. A relação sexual é erotizada com elementos da Sagrada Escritura: a relação Maçã e Mulher. Beatriz Enriquez de Arana quem coordenou e administrou os açougues de Córdoba com o jeitinho. No diálogo com o frade o Almirante lhe revela que possui um dom sobrenatural. Ele tem revelações do passado e futuro. Sim! O Almirante além de marinheiro, também possui o discernimento sobre o futuro. Tal revelação deixa desordenado o temeroso frade que ficará mais pasmado, ao saber que na tripulação se encontrara um judeu fugitivo do Tribunal do Santo Ofício. A conversa toma rumos um tanto quanto espinhosos, o que permite ao Almirante logo concluir que o Buril será um daqueles que maquinará sua queda após a chegada da viagem, ou seja, mais um inimigo declarado. A mística do Piloto, passando ao Almirante. Um Pássaro que domina o espaço, ícone supremo transcendental. Logo, nota-se em seu Livro de Memórias. Também o próprio Piloto marcou o lugar no mapa de Toscanelli com um triangulo. É possível que o pássaro de fogo seja uma mensagem divina claro, escrita como metáfora, para designar ao almirante um sinal. Aqui o autor aborda um evento um tanto quanto intrigante na história medieval que foi a chamada “Cruzada das crianças.” Novamente Frei Buril se faz presente perante o Almirante, o que gera novamente um longo diálogo, um choque entre ideias, pessoas, mundos, perspectivas diferentes, onde um quer dominar o outro, e cada qual resiste se agarrando aos argumentos e crenças que defende e acredita. Frei Buril não se sentiu bem, uma vez que toma conhecimento do fim catastrófico que se aproxima a largos passos, e ainda por cima para maior infelicidade do Caputino, tem o azar de bater de frente com ele o Almirante, o qual se tornara para ele uma “espécie de invencível hostilidade orgânica que rejeitava com toda sua alma.” O livro das profecias com certeza deve responder as expectativas do senhor lígure; para ele não faltavam menos de 50 a 70 léguas, eclipses estavam acontecendo, havia gaivotas que estavam voando rumo a Costa da areia a beira do grande mar. Coloma diz que não acredita em sobrenatural, pois todo o individuo possui a sua cosmogonia. O clima na “empresa descobridora” está ficando cada vez mais tenso, hostil, quase que insuportável. O Almirante segue conseguindo manter a farsa, manipulando os números, coisa que ele sebe muito bem fazer, mudando as coordenadas e diminuindo as distâncias. “Noite à noite, da ponte, faz o pregoeiro Torres cantar as léguas que foram vencidas. Este fecha os olhos e abre desmesuradamente a boca ao vociferar as léguas e os graus de latitude e longitude que o Almirante viu ditando.” Porém, os gêmeos Pinzón se cansam de tudo isso e agem com violenta ignorância, chegando até mesmo a ameaçar o Almirante com uma morte terrível, jamais contemplada pelo mesmo. Em razão da fraude das distâncias, a tolerância dos marinheiros já não suportara mais toda aquela situação. Intimaram ao Almirante que parasse, não prosseguisse mais adiante, pois não sabiam mais onde estavam indo e o medo de perder-se naquele mar tenebroso os consumia. Encolerizam-se todos. O porta voz do Almirante, escrivão Escovedo, pede aos rebeldes mais paciência. Tente acalma-los falando-lhes dos pássaros voando sem estarem aos bandos, o que significaria terra próxima, porém é sem sucesso sua tentativa. Aqui Bastos faz-nos umas descrições riquíssimas em detalhes, não só de como toda situação estava, mais também de “mariscos”. Aos gritos, vociferantes, os amotinados fecham o círculo, acossam o Almirante. Escovedo se afasta, frei Buril se esconde em um caixote. Na quarta-feira 10 de Outubro, depois do pregoeiro Torres ter cantado as léguas corridas, tenta o Almirante acalmar os ânimos de seus barbados, repreendendo-lhes com autoridade, lembrando-lhes de suas miseráveis vidas e de todas as penas que poderão recair sobre cada um deles. Na tentativa de impressionar os amotinados talvez, o Almirante sai de seu “castelo de popa” com as mãos para cima. Estas estavam mutiladas, sangrando, com um monstruoso caranguejo e ervas com caramujos, sendo uma espécie de prenda de paz. Houve silêncio, mais logo os amotinados caíram em gargalhadas sem fim. Enquanto o Almirante Colombo em mais um de seus devaneios místicos pensava sozinho: “Mas na própria Bíblia o profeta Isaías não fala de um homem que descobrirá um mundo desconhecido? Será que não está falando de mim?” Depois de um longo tempo, com a “Santa Maria” atolada em uma espécie de pântano ou mar de algas, um dos tripulantes, o pregoeiro Torres, afirma com grande júbilo que o “maldito mar de ervas” onde estão atolados tem cem braços de profundidade, o que significa que estão próximos bem próximos da “Terra Prometida,” o que deixa todos e logicamente o Almirante Colombo, em estado de êxtase. De repentino se lança uma terrível tempestade sobre a “empresa descobridora.” Aquilo que o lígure julga ser um castigo da providência divina contra os amotinados, uma correção que apaga o fogo da rebelião que se instaurará naquele momento. Segundo frei Buril, os amotinados já desejavam a própria morte, para não terem que passar por tal tormenta. Pensando ser aquele o seu dia último, arraste-se até frei Buril o lígure, confessando-se aos gritos, o que faz com que o pobre e já muito desordenado frade desmaie. Mesmo assim, não se entrega, e vai até o leme, amarrando-se ao mesmo. Com muita dificuldade em meio a fúria dos elementos, frei Buril, o escrivão Escovedo e o despenseiro Rodrigo Sánches vão ao encontro do Almirante Colombo, e ficam surpresos ao verem como ele estava enxertado ao leme. Na água continha sangue e na bússola de areia ouro. Então frei Buril diz que tanto o sangue quanto o ouro eram ambos, o resgate daquela viagem, e que deveriam dar graças ao bom Deus por estarem vivos, consolando-os uns aos outros. A “empresa descobridora” sofrera perdas de homens e caravelas, restando apenas duas caravelas. Mais não foram somente perdas não, pois, com a tempestade retomaram a rota, foram libertas do “mar dos Sargaços”, e o motim que se encontrava muito fervoroso se desinflou por completo. Na noite entre 12 e 13 de Outubro, meia noite em ponto, ressoa o grito fantasmagórico do pregoeiro Torres: “Terra à vista!”. O Almirante com uma candeia na mão corre subindo sobre o bolinete da âncora e grita: “Terraaaa...!”. Chama o escrivão Escovedo, o vedor real Sànchez de Segovia, frei Buril e os demais funcionários, que no início nada veem, só depois de sentirem a certeza que experimente o Almirante, o escrivão e o vedor admitem que veem uma luz ao longe. No entanto antes da meia noite, alguém já tinha avistado as novas terras. Sim! Este alguém era o marinheiro Rodrigo de Triana ou Juan Rodríguez Bermejo. Seu nome ninguém sabe ao certo. Ele sim foi o primeiro a avistar o novo continente, merecedor a riquíssima pensão prometida por parte das “Altezas Sereníssimas” a quem obtivesse tamanha graça. Injustiçado, vai morar na África, se tornando um maometano e passa o resto de seu exílio terrestre maldizendo o Almirante usurpador de glórias e honrarias. Enfim, no sábado chegam à costa da então nova Terra, com muitas pessoas já a espera, curiosas de tudo, observadoras. Gente essa que o Almirante sentiu ter uma serenidade e prontidão, uma abertura de boa vontade para o recebimento da Fé Cristã, o Batismo, a conversão de suas possíveis almas. Sim! Possíveis pois, não se tinha a real certeza se possuíam ou não possuíam alma. Logo as bandeiras reais com o símbolo da Sagrada Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, contendo as iniciais dos nomes das Altezas Sereníssimas Fernando e Isabel, foram erguidas como gesto de delimitação, ou seja, marcando o território. E muito mais foi feito. Muito rapidamente se improvisa um altar, uma cruz feita com lenho do novo lugar “descoberto”, e uma Missa – Santíssima Eucaristia, memorial de alegria - ali é celebrada. A Naturalidade aqui é sinônima de nudez. O Almirante seus “homens vindo do céu”, ficam pasmados ao verem que todos na nova terra andam como recém-nascidos, vindo ao mundo. Sim! Todos nus. Homens e mulheres, jovens e donzelas, crianças e velhos, todos naturais, sem vestimentas que lhe cubram as vergonhas, o que causa um efeito de repulsa e ao mesmo tempo excitação no Almirante e seus barbados. Pois, ao mais sensível toque das moças, os marinheiros logo sentiam seus membros genitais enrijecidos e volumosos, crescidos de tal modo que se abaixavam por conta de tamanho incômodo e vergonha, só mesmo podendo esperar passar a excitação vinda de tanta abstinência. Depois de escrutinar aqueles nativos, o lígure percebe a tamanha ingenuidade que reina naquele povo que, na sua perspectiva, nada sabem de propriedade privada, ouro, economia, religião, poder, ou qualquer outra coisa que fosse de seu mundo já conhecido. Vão de boa vontade, com os braços abertos, ao encontro daqueles homens vindos do céu, mais que também são de carne e osso, dando-lhes tudo aquilo que possuem, até mesmo seus corpos tostados pelo sol. Nem imaginam o que está prestes a cair sobre eles e aquela nova terra de pagãos. Durante a Celebração Eucarística acontece um pequeno incêndio. Sim! Pequeno e talvez nem mereça o nome de incêndio. Por alguns minutos reina a desordem, porém, de uma maneira muito calma, alinhada e nobre, um velho ancião nativo apaga o fogo e em seguida presenteia o aos “homens vindos do céu”, com iguarias de dar água na boca dos mesmos. Almirante e um Ancião nativo iniciam um diálogo, e o barbado genovês muito se admira da profundida daquele velho senhor que andara nu, pois julgava que era impossível tal criatura possuir um julgamento tão refinado e humano, sobre todo aquilo que estava acontecendo. Após saber que o Almirante tinha um superior acima de si, o velho ancião admira-se e diz ao Almirante que não aprova o princípio de “autoridade”, e o Almirante tenta lhe explicar. Todo o diálogo era intermediado pelo arauto canário. Já quase familiarizado aos “naturaes”, o Almirante descobre deles a existência de canibais que atacam e devoram barbaramente pessoas, inclusive os próprios nativos. O informante Chasej, que o Almirante conhecera na Ilha das Mulheres lhe dissera antes a respeito deles. São os “avaporú”, que na língua indígena tupi-guarani-taine significa comedores de gente. Pensando consigo mesmo, coisa que faz muito, ele reflete sobre o controle natural que a natureza exerce sobre a “fauna humana” mantendo o equilíbrio natural, e pergunta-se se não seria a vez deles agora de exercerem a tarefa de ceifeiros, controlando, racionando, dominando, esfolando e devorando aqueles gentis. “Creio que amontoados nas três naos poderei levar de 400 a 500 escravos tomados como prisioneiros de guerra, num primeiro ensaio.” Então, eis que o Almirante recebe uma visita muito ilustre. Sim! Ilustre, pois se tratava da principal dama índia, a bela, e sedutora Anacaona, esposa de Caonabó, – Senhor da Casa de Ouro - rei do Civao, lugar que o Almirante acreditava ser nada mais nada mesmo que o “Cipango” descrito por Marco Polo e Paolo Físico Toscanelli. A princesa vem acompanhada de toda sua corte feminina, suas damas acompanhantes, trazendo consigo prendas aos “homens do céu.” No início, o primeiro contato, a relação se faz bastante cordialmente por ambas as parte, coisa que não dura muito, visto que num futuro não muito distante, seu marido, o rei e seu cunhado, ambos seriam presos e acorrentados, a fim de levarem os mesmos para Espanha, o que não se realiza, já que tanto cunhado como genro, morrem pelos maus tratos sofridos. Nesse primeiro contato com a nobre índia, nosso aventureiro aproveita para arrancar o máximo possível de informações para seu proveito, e enquanto isso a bela mulher se enamora de seu irmão, Bartolomé, que depois trama o assassinato da imperatriz. Ao chegar às novas terras, o Almirante faz um “Memorial” com o propósito de informar suas Altezas Sereníssimas, fato que não aconteceu, pois o documento nunca chegou as mãos dos Reis Católicos, o que deixou muito áspera a relação dos nobres com o aspirante a descobridor. Muitas hipóteses surgiram sobre o tal documento perdido, e uma delas sugere que o próprio Almirante Colombo seria o principal responsável pelo fato do memorial nunca ter chegado às mãos reais. Além da demora por informar os Reis Católicos da Espanha, o Almirante Colombo faz uma visita ao Rei de Portugal, o que piora ainda mais sua situação já afetivamente inflamada. Surge um triângulo amoroso na história, sendo seus avassaladores personagens o próprio Almirante Colombo, seu irmão Bartolomé e a sedutora Anacaona, paixões explosivas que resultam em traições e barbáries sangrentas, e aqui vemos uma analogia com a história de Cortês e Malinche, pois o Almirante Colombo tinha planos ambiciosos para ele e a dama nativa, planos que não se realizam. Depois o Almirante Colombo escreve um curto bilhete se desculpando e justificando-se dos acontecidos. Bastos mostra a nós leitores de sua obra, que o “descobrimento” melhor se qualifica segundo ele, a um “encobrimento”, pois quando se diz que algo foi descoberto, logo imaginamos que aquilo que foi descoberto estava antes escondido, nunca visto ou tocado, sentido ou experimentado por alguém, algo totalmente novo e inédito. Daria para escrever livros e mais livros sobre tal problemática. O Almirante Colombo chega com seus homens barbudos modificando completamente o ciclo vital daquele povo que, por ser o povo não conhecido antes por eles, era um novo povo que começara existir daquela situação em diante. Aqui na história, o jesuíta Bartolomeu Meliá é o primeiro a sair em defesa do contra encobrimento mágico que estava ocorrendo, pois aquilo que dizia respeito a esse povo, foi desconsiderado: religião, “economia indígena”, território, matéria-prima, e por último, porém não menos importante para a total conquista, as línguas vernáculas. A língua, pois, pode-se ocupar o território de um povo e outros campos de suas vidas. Porém na língua de um povo se encontra toda uma força de resistência do mesmo povo, aos dominadores exteriores. Depois do naufrágio da “empresa descobridora”, o Almirante conta com a ajuda mais que propícia do rei Caonabó e sua rainha Anacaona, que além lhe proporcionarem uma nova naos, lhe presenteiam com joias e muito ouro. Sim! Ouro alegra o coração do Almirante e de seus “homens do céu.” Então, uma Aliança é feita entre os nobres nativos e o barbudo Comandante, e este logo se apressa em fazer um “Memorial”. Memorial que supostamente se perde no meio do caminho, sem que ninguém saiba ao certo seu paradeiro ou se realmente tal documento existiu. Quem fala-nos agora é o “ermitão.” Conta-nos do emocionante encontro do Almirante com as filhas do falecido e misterioso “Piloto desconhecido”, as quais ele leva consigo para a Espanha. Durante a saída do Almirante para Espanha acontece uma tragédia. O Frade tenta Catequizar o “reizinho” Guarionex e seu povo na Veja Real, mudando para uma gruta. A evangelização avança com toda força e está preste a alcançar seu objetivo segundo o Frade. Porém, ao se espalhar a notícia do cruel ataque sofrido pelo rei Caonabó, sua esposa Anacaona e todos os aliados das nativas Altezas, o Frade é enxotado da frente do “reizinho”, fugindo para o Forte de Navidad, onde se informara do ocorrido, com os relatos de Hojeda, Roldán Ximénes e Corvalán. O ataque fora armado por Bartolomé o irmão do lígure, o que deixou o Almirante Colombo muito triste, a ponto de adoecer. Ao retornar as novas terras que estavam sendo encobertas pelo tal “descobrimento”, o Almirante se encontrava muito doente, pedindo ao Frade que fosse busca ajuda a um bruxo. Sim! Um bruxo que com seus conhecimentos alquímicos reanima o agonizante enfermo moribundo por um pouco espaço de tempo. Já muito debilitado o Almirante retorna as terras espanholas, com a naos carregada de tudo aquilo que pode trazer das terras ignotas, incluindo prisioneiros canibais. Chegando ao porto, uma grande multidão se reúne, assistindo o que para eles era como um espetáculo, toda aquela novidade, aqueles seres vindos de outro mundo sobre domínio do Almirante Colombo. Perante as “Altezas Sereníssimas” que muito se encolerizaram da atitude do lígure, o mesmo lhes acalma a ira ao abrir os abarrotados cofres cheios de ouro e todo tipo de riquezas, vindas do “El nuevo mundo”, a qual seus verdadeiros donos nem imaginavam terem tanto valor quanto tinham para os europeus. Depois de sofrer mais um dos muitos desvanecimentos que sofria, em plena celebração eucarística queimando sua barba acidentalmente, o Almirante é levado ao Mosteiro da Rábida, o lugar não lugar onde tudo começara e agora também terminara. Depostos pelo novíssimo e muito poderoso comendador e vedor real, Francisco de Bobadilla, ele e seu irmão estão acorrentados junto aos canibais, na mesma situação dos canibais que agora são suas companhias perigosas, pois ao menor descuido da guarda estes devorariam os dois ainda vivos. Exilado na Jamaica, a qual confunde com Cuba em suas memórias, Colombo tem uma convivência com aquele povo agora muito assediado pela poderosa vigilância real, que com as melhores e mais fortes naus, que impediam qualquer tentativa de fuga do agora anátema Colombo. Este por sua vez apenas pede misericórdia ao Deus Altíssimo. É permitido ao Coloma ir mais uma vez a Espanha. Este por sua vez, para reclamar os privilégios e títulos concebidos e logo retirados, gasta tudo o que tem, os últimos cobres que possui, para ir ter com o Rei, arranjando dois “homenzarrões manchegos” seus “Sancho Panças.” Todo e qualquer pedido de audiência lhe fora recusado. Em um ato de desespero, se joga na frente da carruagem real, o que deixa o Rei Fernando furioso. Depois do acontecido, o lígure é preso em uma cela, de onde escreve uma carta para a nova “Alteza Sereníssima” rainha louca a Joana. No leito, envolta do moribundo se encontram aqueles que o acompanharam em alguns momentos de sua vida, seu filho Hernando que se aplicara a escrever a biografia do pai, o barbeiro que lhe livrara da volumosa barba acinzentada e outras pessoas importantes da consideração ao Almirante. Ele começa seu discurso de despedida que emociona a todos, e aqui o autor usa de sua fala para algo muito interessante: “Cada indivíduo é infinito e misterioso como o próprio universo, e diante de cada um a imaginação treme sem saber por onde começar a entendê-lo, menos ainda em que ponto terminar. Por isso nenhuma história tem princípio nem fim e todas têm tantos significados quantos leitores houver.” O Almirante retoma o fôlego e pedi aos seus amigos que se retirem para ficar sozinho, recuperar a paz consigo mesmo, com sua alma, antes de exalar o último suspiro. Por fim, o lígure, Almirante Colombo, manda a Ama e sua Sobrinha irem chamar o escrivão para dar a sentença final do testamento. Pede que joguem o já escrito a chamas e começa um belo e comovente discurso. Podemos ver claramente Bastos falando pelas palavras do personagem. Ele critica seriamente todas as atrocidades, barbáries, cometidas nesse que ele acredita ser o “descobrimento”, falando em nome dos povos esquecidos, quase aniquilados, desprovidos de suas terras, pedindo que tudo seja restituído aqueles que ele acredita serem os legítimos donos. Quadro Esquemático das Personagens PERSONAGEM DESCRIÇÃO Almirante, lígure, Christophe Coullon ou Collons, Jonás, Joan de Coloma, ou Colombo. Protagonista da história: Tudo gira em torno de sua pessoa. Foi o maquinador da ideia de “empresa descobridora.” De origem marrana, era um genovês vindo de família pobre, que ficou famoso por ter sido responsável pelo “descobrimento=encobrimento” da América, pensando ter chegado as Índias. Terminou caído no esquecimento e arrependido de ter feito o fez. Juan de la Cosa Personagem secundário: Ex-proprietário do galeão Galego que abrigara o Almirante e seus homens. Faz parte da tripulação. Piloto misterioso ou Alonso Sánches, de Huelva Personagem principal: Esse personagem é misterioso e emblemático, pois não se sabe bem se ele realmente existiu na história. Segundo o Almirante ele que teria dado todos os dados e instruções para chegada nas “Índias.” Juan Zumbado Personagem secundário: É o ronceiro, tem 70 anos, cabeça raspada. Ajudou na formação da tripulação. Faz parte da tripulação. Dom Martín Alonso Pinzón Personagem secundário: É um dos que investem na “empresa descobridora”, e vai a viagem com sua nãos, junto do Almirante, tendo alguns desentendimentos com o mesmo. Irmão gêmeo de Vicente Yáñez. Dom Vicente Yáñez Personagem secundário: É um dos navegantes, capitão da “Niña.” Investiu na viagem e é irmão gêmeo de Martín Alonso. Cristóbal Quintero Personagem secundário: É contramestre da “Pinta”, que era outra naos. Juan Niño Personagem secundário: É proprietário e contramestre da “Niña.” Peralonso Niño Personagem secundário: É um dos sete irmãos Niños. É muito jovem e faz parte da tripulação. Bartolomé Torres Personagem secundário: Camareiro e pregoeiro, encarregado de cantar as léguas corridas. Assassino do pregoeiro Palos. Acaba sendo devorado por tubarões. É um dos tripulantes. Frei Juan Pérez Personagem secundário: Prior da “Rábida” e confessor da rainha. Frei Antonio de Marchena Personagem secundário: Astrônomo e guardião do convento e custódio de Sevilha. Diego Personagem secundário: Filho do Almirante com Felipa. Faz parte da tripulação. Pedro Gentil Personagem secundário: Marinheiro de San Lúcar. Náufrago sobrevivente junto do Piloto misterioso vai morar na “Ilha das Mulheres”, e acaba sendo devorado pelos “caribes.” Caonabona Personagem secundário: Guerreiro do Cibao, “Senhor da Casa de Ouro.” Paulo Físico Toscanelli Personagem secundário: Criador do Mapa de Toscanelli, pelo qual o Almirante se valia em sua aventura. Rei Fernando Personagem principal: Atual rei da Espanha naquela época. Investiu na viagem, garantindo títulos e benefícios ao Almirante, que depois lhe foram retirados. Rainha Isabel Personagem principal: Atual rainha da Espanha naquela época. Era protetora do Almirante. Acaba morrendo doente. Dom Pedro González de Mendoza Personagem secundário: Arcebispo de Sevilha e Toledo. Frei Diego de Deza Personagem secundário: Bispo de Zamora, Salamanca, Palencia. Dom Jaén Personagem secundário: Arcebispo de Sevilha e Toledo, Inquisidor Geral e tutor do Príncipe D. Juan. Alonso de Quintanilla Personagem secundário: Contador-mor de Castela. Apresentou o Almirante aos prelados importantes e influentes daquela época. Dom Luís de Santángel Personagem secundário: Marrano influente. Escrivão de ração e tesoureiro do reino. Apresentou o Almirante ao Duque de Medina Sidonia. Enrique de Guzmán Personagem secundário: Duque de Medina Sidonia e conde de Niebla. Dom Luis de la Cerda Personagem secundário: Primeiro duque de Medinacelli e quinto conde da Úmbria. Papa valenciano Alexandre VI Personagem secundário: Atual Santo Padre daquela época. Rodríguez-Cabezudo Personagem secundário: Protonatário Godo, também chamado de Flauta de Alcalá por sua voz fina. Faz parte da corte. Espalha boatos contra a “empresa descobridora” e o Almirante. Frei Juan Buido ou Buil ou Bernardo Boyl ou Juan Buril Personagem principal: Vai para viagem como agente duplo, como capelão, confessor do Almirante, pronto para entregar o mesmo ao fogo da Inquisição. Frei Bartolomé de Las Casas Personagem secundário: Amigo da juventude e futuro panegirista do Almirante. Defende os índios e ao mesmo tempo se contradiz traficando negros. Frei Fernando de Talavera Personagem secundário: Também confessor da rainha, prior do Prado e bispo de Granada. Acusou o Almirante de ser judeu, pedindo ao rei que entregasse o mesmo a Inquisição, porém ele mesmo acaba sendo vítima do Tribunal do Santo Ofício. Dominicano Dom Tomás de Torquemada Personagem secundário: Amigo influente do Almirante. Inquisidor geral, ou seja, era muito poderoso, contribuindo diretamente para a realização da viagem. Gonzalo Fernández Oviedo Personagem secundário: Cronista, ex-pajem do príncipe Juan. Admite a existência do Piloto misterioso. Francisco López de Gómara Personagem secundário: Apenas citado na história. Criado e depois capelão de Hernán Cortés, opina sobre quem realmente descobrira as Índias. Pedro Mártir de Anglería Personagem secundário: De origem milanesa. Capelão da Rainha, enviado dos Reis perante o sultão do Egito, conselheiro real, cronista régio, protonotário eclesiástico, senador cesáreo, membro do conselho das Índias, compatriota, amigo do Almirante e escoliasta de seus escritos. Frei Ramón Pané Personagem secundário: Religioso espanhol, ermitão hieronimita. Acompanha o Almirante em sua primeira viagem, relatando depoimentos que contam a chegada de outros brancos antes do Almirante. Inca Garcilaso Personagem secundário: Primeiro a falar sobre a identidade do Piloto misterioso, em seu livro “Comentarios Reales”, um século depois do “Descobrimento=Encobrimento.” Fernando Personagem secundário: Filho e testamenteiro do Almirante. Dizem que foi possivelmente cúmplice do esfolamento do próprio pai. Dom Domenico Personagem secundário: Pai do Almirante. Tecelão de tecidos e taberneiro, comerciante dono da loja de “textor pannorum lane.” Rei Boabdil Personagem secundário: Rei mouro rendido, após a queda de Granada. Príncipe Dom Joam ou Juan Personagem secundário: Filho do rei Fernando e da rainha Isabel. Luciano de Samosata Personagem secundário: É um escritor citado na história. Escreveu o “Diálogo dos mortos.” Juan Preciado Personagem secundário: Filho bastardo de Pedro Páramo. Fernando Álvarez de Toledo Personagem secundário: Secretário particular da rainha. Desejou muito sucesso à “empresa descobridora.” Doutor Locquo Personagem secundário: Médio alquímico do rei. Sustenta a fecundação sem relações entre homens e mulheres, com meios externos. Dona Pepina Palma Personagem secundário: Velha senhora, da Ilha Fuerteventura, das Canárias. Estranhamente com meios alquímicos, consegue ter um filho, Rafael Palma, sem a ajuda de um varão. Rafael Palma Personagem secundário: Filho de Dona Pepina, primeiro homem concebido de mulher sozinha, sem ajuda de homem. Faz parte da tripulação. Simonetta Lualdi Personagem secundário: Genovesa. Primeiro amor do Almirante. Felipa Moñiz Personagem secundário: Uma das muitas mulheres na vida do Almirante. Mãe de seu filho Diego. Beatriz Enriquez de Arana Personagem secundário: Mãe de Hernando, outro filho do Almirante. Beatriz Amorós de Bobadilla Personagem secundário: Brava senhora, parente do comendador e juiz que ia destruir e prender o Almirante. Abigail Personagem secundário: Jovem moça, por quem se enamorara até os ossos o Almirante. Pedro Guitiérrez del Oro Personagem secundário: Reposteiro de móveis e alfaias do Rei. Rei Alfonso o sábio Personagem secundário: Citado na história. Compilador de Tratados dos Jogos de Xadrez. Averruyz Personagem secundário: Judeu. Mestre cabalístico do Almirante. Guillaume de Casenove Personagem secundário: Tio do lígure. Também Almirante, morre em um naufrágio. Diego (irmão) Personagem secundário: Irmão do Almirante. Fazia parte da tripulação. Viúva de Perestrello Personagem secundário: Mãe da falecida Felipa Moñiz, sogra do Almirante. Dá acolhida e abrigo ao Almirante em sua casa. Cônego João Martins Personagem secundário: Parente da sogra do Almirante, conselheiro real do rei João II, possuidor da Carta e Mapa de Toscanelli. Domenico Bigordi Personagem secundário: Pintor florentino citado na história. Teria pintado um quadro do lígure chamando depois de retrato de Ridolfo Ghirlandaio. Miguel de Cuneo Personagem secundário: Escritor, compatriota e coetâneo do Almirante. Escreveu a história de Simonetta. Dom Hernando Personagem secundário: Um dos filhos do Almirante. Biógrafo, “colombófilo” por vocação. Cura (Padre) Bernáldez Personagem secundário: Pároco do povoado Los Palacios em Sevilha. Compadece-se do descaso e desprezo sofridos pelo Almirante antes de morrer. Cardeal Sforza Personagem secundário: Protonotário e chanceler apostólico. Frei Rodríguez de Fonseca Personagem secundário: Arcediago de Sevilha, depois bispo de Badajoz. Por ordens reais, se ocupava dos assuntos relacionados com as Índias. Rabi Efrem Personagem secundário: Judeu refugiado da Inquisição. Fazia parte da tripulação. Jarifo Personagem secundário: Moço canário. Faz parte da tripulação. Rodrigo de Triana ou Juan Rodríguez de Bermejo Personagem principal: Marinheiro da “Pinta.” Foi quem primeiro avistou as novas terras. Injustiçado pelo Almirante termina o resto de sua vida isolado na África, como maometano, maldizendo e denunciando em vários escritos o Almirante. Rodrigo Sánchez de Segovia Personagem secundário: Vedor real. Faz parte da tripulação. Ancião da almadia (nativo) Personagem secundário: Velho Senhor das novas terras, com quem o Almirante tem um proveitoso diálogo. Chasej Personagem secundário: Homem que o Almirante conhece na Ilha das Mulheres. Coopera com informações preciosas sobre “os gentios avaporú.” Anacaona Personagem principal: Princesa nativa. Mulher bela e sedutora que se apaixona pelo irmão do Almirante, Bartolomé, e acaba sendo assassinada a mando do próprio amante. Caonabó Personagem principal: Rei de Civao, cujo nome significa “Senhor da Casa de Ouro.” Esposo de Anacaona. Behequio Anacauchoa Personagem secundário: Outro rei nativo. Irmão de Anacaona, cunhado de Caonabó. Bartolomeu Dias Personagem secundário: Almirante português de Lisboa. Intimida o Almirante, mandando-lhe que se apresente perante o rei português, ameaçando afundar a “Santa Maria.” Alonso Sánchez Personagem principal: Protonauta e pré-descobridor do novo continente. Jesuíta Bartolomeu Meliá Personagem secundário: Filho adotivo de Mbyá-guarani, sai em defesa dos índios do Paraguai e Brasil, lutando contra o “Descobrimento=Encobrimento.” Guarionex Personagem secundário: Rei nativo da Ilha régia de Veja Real. Quase se converte ao Cristianismo. O que não ocorrera, pois ao saber do ataque sofrido por seus conhecidos, os nobres Caonabó e Anacaona, o mesmo volta atrás de sua decisão. Capitão Hojeda Personagem secundário: Um dos que, juntamente com Roldán Ximenéz e Corvalán, tentam interferir no ataque sofrido pelos nobres nativos, ou, um dos que também atacou. Bruxo (nativo) Personagem secundário: Um curandeiro que reanima o Almirante, por um curto tempo, quando o mesmo se encontrava muito moribundo. Rei Dom João II Personagem secundário: Atual rei de Portugal naquela época, a quem Coloma visita. Dom Alonso de Quintanilla Personagem secundário: Contador-mor de Castela, um dos talvez melhores amigos do Almirante. Francisco de Bobadilla Personagem secundário: Comendador e vedor real. Depois de deposto o Almirante, ele assumi seu posto. Rainha Joana Personagem secundário: Filha da rainha Isabel e do rei Fernando. Não suporta os sofrimentos de sua vida, e termina com fama de louca. Filipe (o Belo) Personagem secundário: Monarca. Arquiduque da Áustria, esposo de Joana. Acaba morrendo logo depois do casamento, o que deixa desolada a nova rainha. Padre das Trinitárias Personagem principal: Atendo a última confissão do Almirante. Ama (criada) Personagem secundário: Participas dos últimos momentos de Colombo. Sobrinha (sobrinha) Personagem secundário: Parente do Almirante, vinda de suas rústicas famílias espanholas. Juntamente com a Ama também participa dos últimos momentos de vida do lígure. Análise Em toda a obra, do começo ao fim, vemos nomes e referências ao universo religioso, pois logicamente, em se tratando de um personagem da Idade Média, já se era de esperar tal linguagem, pois bem sabemos que era uma época em que a religiosidade marcava fortemente seu território, na vida e no cotidiano das pessoas, fossem elas como fosse, homem, mulher, rico, pobre, criança, velha, nobre ou plebeu. Isso talvez ocorra em razão da fidelidade que Bastos tem aos escrito original de Colombo, que era muito erudito para um simples marinheiro, homem do mar. São citados personagens bíblicos, encíclicas, livros, santos, dizeres que só conhecem quem muito por dentro está do assunto ou mundo religioso, como por exemplo a palavra “anátema,” que significa uma espécie de maldição que alguém atrai para si mesmo depois de ter por vontade própria renegado à Deus. Ao falar sobre as paixões de Coloma, o autor faz-nos analogias semelhantes das que encontramos no Livro Cântico dos Cânticos, falando por exemplo das curvas de Beatriz. A obra não segue uma ordem cronológica linear de fácil entendimento, a qual os leitores de obras menos complexas estão habituados, pois os fatos vão e vem na história, lembranças são recordadas ao mesmo tempo em que o enredo vai correndo. É preciso uma leitura atenta para não se perder no turbilhão literário que nos lança Bastos, cheio de citações, comentários de outras obras e autores, uma mistura de real e ficcional, fatos verídicos e fatos imaginados. Assim também é com os nomes das personagens na história. Sim! Bastos não qualifica com apenas um nome, alguns personagens, um dos vários que podemos citar aqui é o próprio Almirante e Frei Buril. E mais uma vez, cabe ao leitor ficar atento, ou perder-se-á confundindo ou trocando os nomes de personagens, pois o próprio Almirante aparece também como: “lígure, Coloma, Jonas e Joan de Coloma”, e Frei Buril, além desse, também tem outros nomes citados, como: “Frei Juan Buido ou Buil ou Bernardo Boyl ou Juan Buril.” Isso não é apenas capricho de Bastos não, pois realmente existe dúvidas e contradições pairando sobre os verdadeiros nomes de tais personagens até os dias atuais. Por fim, percebemos que o autor usa das falas dos personagens, incluindo as falas do próprio Cristóvão Colombo, para problematizar, abordar, questionar, as memórias e representações que existem atualmente sobre a pessoa do Almirante e sobre o fato do "Descobrimento." Julgamento Acreditamos que essa obra é de grande proveito e bastante propícia, não só para nós que somos estudantes de América I no curso de História, mais também para todos aqueles que desejam ter uma outra versão do grandioso acontecimento da modernidade, que foi o "Descobrimento" da América, principalmente se tratando de nós habitantes desta terra. Mesmo fazendo uma junção entre Ficção e Realidade, Bastos não sai prejudicado em sua obra, pois, se valendo de documentos originais e escritos da época, juntamente com fatos imaginados, sem muitas fantasias - só o suficiente para deixar a história mais atrativa, conseguindo audiência do te diante leitor - ele nós mostra o outro lado da moeda, um novo ponto de vista, outra interpretação. Bastos tenta de modo bem argumentativo, abrir os olhos daqueles que ainda tem em suas cabeças uma ideia de "Colonização", de uma terra que não existia e que depois passou a existir, de povos que não tinham economia, língua, religião, ou seja, mostra-nos que mais do que um descobrimento, o fato acontecido se trata mais de um "encobrimento mágico." Um transporte foi feito. É muito instigante começar a pensar tais questões, o que coloca automaticamente muitas outras em questionamento, sendo uma delas a questão da "memória", do que é real e o que é imaginado, até onde ambas se separam e se cruzam, até onde o ser humano é capaz de ir para atingir seus propósitos, onde está o verdadeiro direito de propriedade, mundo da memória, esquecimento e memorial.

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    Augusto Antonio Roa Bastos

    Augusto Roa Bastos (13 de junho de 1917, Asunción - 26 de abril de 2005, id.). Escritor, jornalista, dramaturgo, poeta e roteirista paraguaio, conhecido nas áreas do ensaio, do guionismos e do romance. São-lhes concedidas diversos reconhecimentos públicos pelo mérito, originalidade e qualidade da sua obra, entre os quais o "Concours International de Romans Losada" (1959), o "Prix du Memorial de America Latina" (1988) e é distinguido com o Prêmio Miguel de Cervantes em 1989. Está traduzido em cerca de 25 línguas. "Eu, O Supremo" (Yo el Supremo /1974) converteu-se numa das novelas emblemáticas sobre a figura do 'dictador perpetuo de la República de Paraguay', José Gaspar Rodríguez de Francia, «El Supremo», que governou o país com mão de ferro durante 25 anos desde o primeiro ano de sua independência, em 1811. Para o público, o retrato de Rodríguez de Francia era tacitamente o do ditador Alfredo Stroessner, e por isso o romance esteve proibido durante muitos anos no Paraguai. Nascido em 1917 em Assunção, Roa Bastos passou a infância num engenho de açúcar de Iturbe, no Guairá, onde seu pai trabalhava. A mãe o iniciou nas letras através das leituras em castelhano da Bíblia e de William Shakespeare, e na arte da narração através de lendas indígenas contadas em guarani. A Guerra do Chaco entre Paraguai e Bolívia (1932-35) --da qual participou como assistente de enfermaria-- foi uma das experiências que o marcariam para sempre, pela brutalidade das lutas. Ao finalizar o conflito, ingressou no jornal "El País" de Assunção, do qual chegou a ser chefe de redação e correspondente em Londres depois da Segunda Guerra Mundial. A seqüência de golpes e ditaduras que viveu seu país o obrigaram, em 1947, a se exilar em Buenos Aires, onde trabalhou como empregado de uma seguradora. Outro golpe, o dos militares argentinos, obrigou-o, em 1976, a fazer novamente as malas para instalar-se em Toulouse (França), onde começou a ensinar literatura e guarani na Universidade Le Mirail. Depois de uma breve viagem a seu país em 1982, a ditadura do general Alfredo Stroessner (1954-1989) privou-o da cidadania paraguaia. Por esse motivo não pôde regressar à sua terra até a queda do ditador. Roa Bastos também se destacou como roteirista e autor em sua passagem pelo cinema na Argentina. Foi o roteirista do filme com Isabel Sarli "El Trueno entre las Hojas" e "Castigo al Traidor". Sua crítica à opressão e à fidelidade ao ideal de um compromisso social nunca o levaram a optar por um partido político, exceto durante uma curta passagem pelo Partido Encontro Nacional (PEN, social-democrata) durante a transição política paraguaia pós-Stroessner.

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    Distrito capital, Paraguay

    Augusto Antonio Roa Bastos