Retrato do Brasil - Ensaio sobre a tristeza brasileira

    Paulo Prado

    Companhia das Letras
    2012
    399 páginas
    13h 18m
    ISBN-13: 9788535920222
    Português Brasileiro

    O modernismo brasileiro muito deve à atuação francamente anticonformista de Paulo Prado. Herdeiro de uma das famílias mais ilustres de São Paulo, ainda moço completou sua formação intelectual em Paris. Bonito, elegante, rico, esportista e culto, o jovem Prado impressionou Eça de Queirós: “Menino, tu és uma perfeição humana!”, exclamou o escritor português. Nos anos 1920, para espantar o tédio da São Paulo provinciana, o então dirigente de um dos maiores grupos privados do país reunia em torno de uma mesa farta artistas que se projetavam, como Villa-Lobos, Di Cavalcanti e Brecheret, grupo esse que se destacaria na Semana de 1922, organizada graças ao estímulo desse discreto mecenas. Bibliófilo apaixonado pelo período colonial, o já cinquentão Paulo Prado iniciou seus estudos do passado brasileiro sob a orientação do grande historiador Capistrano de Abreu, com quem recolheu documentos raros, e publicou e republicou relatos dos primeiros cronistas. Depois de lançar a coletânea de ensaios Paulística (1925) - reeditado pela Companhia das Letras em 2004 -, Prado arriscou uma empresa de maior envergadura: um ensaio interpretativo que fustigava o entusiasmo dos ufanistas e expunha as mazelas nacionais, acumuladas ao longo de quatrocentos anos de exploração, conformismo e desmandos. Assim surgia em 1928 o Retrato do Brasil. Numa época e num lugar em que os autores custeavam a edição de seus livros, que raramente tinham esgotadas suas modestas primeiras tiragens, Paulo Prado surpreendeu-se com o enorme sucesso de seu ensaio, que teve três impressões consecutivas. Esquecido por mais de vinte anos, o livro foi reeditado em 1997, sob a coordenação de Carlos Augusto Calil. Também às vésperas do século XXI, o pequeno ensaio provou guardar seu potencial de motivar polêmicas, tendo gerado diversos artigos na imprensa. A presente edição - baseada na de 1997, que teve o texto minuciosamente revisto pelo organizador - foi complementada com resenhas que o livro recebeu nas últimas décadas. Foi também ampliada a coleção de cartas trocadas entre Paulo Prado e seus principais interlocutores, e incluída a seção “Outros retratos do Brasil”, que reúne textos dispersos do autor de Paulística. O apelo veemente à modernização do Brasil e a denúncia dos males da política ainda hão de reverberar como questões candentes (e irresolutas) ao leitor de hoje.

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    Fabrício Rodrigues picture
    Fabrício Rodrigues15/07/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Bacana

    Tem trechos cujas idéias já foram provadas como falsas há décadas, porém, outros continuam extremamente atuais, mesmo depois de quase cem anos da primeira edição. "Apesar da aparência de civilização, vivemos assim isolados, cegos e imóveis, dentro da própria mediocridade em que se comprazem governantes e governados."

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