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    Através do Brasil (Retratos do Brasil) -

    Manoel José Bomfim

    Companhia das Letras
    2000
    432 páginas
    14h 24m
    ISBN-10: 857164988X
    Português Brasileiro
    4.2
    16 avaliações
    Leram28Lendo0Querem31Relendo0Abandonos1Resenhas2
    Favoritos3Desejados31Avaliaram16

    Publicado em 1910, Através do Brasil é um clássico da literatura paradidática brasileira. Pioneiro no gênero, o livro deliciou muitas gerações e surpreendeu os leitores ao trocar as velhas cartilhas portuguesas por um texto leve, original e muito mais brasileiro. Mostrou os vários cenários sociais, geográficos e econômicos que compunham o Brasil da época, quando o que se estudava nas escolas brasileiras era o material que vinha de fora, muitas vezes formal e desinteressante.

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    Resenhas (2)Ver mais
    Nathália Gaiewski picture
    Nathália Gaiewski18/11/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Perfeito

    Eu li esse livro (e só ouvi falar dele) porque um amigo meu que indicou, eu só não esperava que fosse tão bom mesmo. O que mais chama atenção é o cenário lindo que nos é oferecido, o nosso Brasil, claro. A discrição e ambientação foram muito bons, criando um clima natural e aventureiro. A história toda me pareceu como uma novela, em um bom sentido, cheia de contratempos e personagens que, apesar de serem muitos mesmo, nos envolveram cada um com seu encanto. Foi uma leitura bem rápida já que a escrita era tão bonita e estimulante, que me prendia na narrativa e me deixava ansiosa pelo destino dos garotos. Os protagonistas nos sensibilizam com sua humildade, zelo, ações admiradoras e relacionamentos entre si com um carinho impactante, é uma pena que a história chega ao fim.

    2 curtidas

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    Avaliações

    4.2 / 16
    • 5 estrelas38%
    • 4 estrelas44%
    • 3 estrelas13%
    • 2 estrelas6%
    • 1 estrelas0%
    Manoel  Bomfim profile picture

    Manoel Bomfim

    Nasceu em Aracaju no dia 8 de agosto de 1868, sendo seus pais Paulino José do Bomfim e Maria Joaquina do Bomfim. Realizou os preparatórios na capital sergipana, revelando, desde criança, grande talento. Estudou na cidade natal até os 12 anos. Em 1886 ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia, transferindo-se para a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1888, onde concluiu o curso em 1890, com a tese Das Nephrites. Ainda estudante, militou no “Correio do Povo”, redigido por Alcindo Guanabara. Em 1891, foi nomeado médico da Polícia Militar do Rio de Janeiro. No ano seguinte, passou a tenente-cirurgião da Brigada Policial, posto que ocupou até maio de 1894. Nesta época casou-se com Natividade de Oliveira que foi a sua companheira por toda a vida. Tiveram dois filhos: Aníbal e Maria. A filha faleceu em tenra idade provocando uma dor tão profunda em Bomfim que ele abandonou a Medicina. Ingressou no magistério oito anos depois de formar-se, lecionando Educação Moral e Cívica na Escola Normal do Rio de Janeiro, na qual assumiu a cátedra de Pedagogia e Psicologia. Em viagem a Paris, em 1902, mandado pela Prefeitura do Rio de Janeiro, a fim de estudar os estabelecimentos pedagógicos daquele continente, entre 1902 e 1903, também estudou Psicologia na Sorbonne (França), com o propósito de especializar-se nessa disciplina para estar em condições de melhor desempenhar as suas tarefas no “Pedagogium”. Bomfim estudou com Georges Dumas e Alfred Binet, com quem planejou a instalação do primeiro Laboratório de Psicologia Brasileiro, instalado em 1906 no Pedagogium, do qual foi diretor por quinze anos. De volta ao Brasil,em 1905, foi diretor interino da Instrução Pública do Rio de Janeiro e em 1906 foi nomeado Diretor Geral da Instrução Pública do Distrito Federal. Em 1907, foi eleito deputado estadual e como deputado defendeu importantes projetos no âmbito da educação. Sua extensa obra abrange várias áreas de conhecimento: escreveu sobre História do Brasil e da América Latina, Sociologia, Medicina, Zoologia e Botânica, além de vários livros didáticos, dentre os quais estão alguns de Língua Portuguesa, em co-autoria com Olavo Bilac. Escreveu ainda, na área de Psicologia e Educação, Lições de Pedagogia (1915) e Noções de psychologia (1916), utilizadas como suporte para as suas aulas na Escola Normal. Em 22 de novembro de 1918, foi condecorado pelo rei da Bélgica com o oficialato da Ordem Leopoldo. Exerceu, durante muitos anos, notável atividade jornalística. Na obra Pensar e Dizer: estudo do símbolo no pensamento e na linguagem (1923), Bomfim demonstra domínio das mais importantes correntes de Psicologia de sua época. Escreveu também O methodo dos testes (1926); Cultura do povo brasileiro (1932); Crítica à Escola Activa, O fato psychico, As alucinações auditivas do perseguido e O respeito à criança. Sua obra revela um pensamento original, não articulado às idéias dominantes em sua época e sua interpretação do Brasil apóia-se na análise histórica da colonização, na exploração e na espoliação das riquezas do país, analisando as conseqüências sobre as condições culturais do povo. Defende a expansão da educação pública como meio para a emancipação e para construção de uma sociedade democrática. Suas concepções de Psicologia - seu método e seu objeto - também são destoantes em relação a seus contemporâneos. Considerava o fenômeno psicológico como eminentemente histórico-social, constituído nas relações entre consciências, mediadas pela linguagem, esta entendida como produto e meio da socialização. Criticava a pesquisa de laboratório, em condições que considerava restritas e artificiais. Propôs o método interpretativo para o estudo do psiquismo, baseado no estudo das múltiplas manifestações humanas, historicamente situadas. Bomfim antecipou algumas ideias posteriormente adotadas por Vigotski e Piaget, mas também de Ernst Bloch e Antonio Gramsci em sua interpretação da sociedade. Entretanto, Bomfim foi praticamente esquecido na historiografia brasileira, o que pode ser parcialmente explicado pela contraposição de suas idéias àquele que era em seu tempo o pensamento dominante

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    Sergipe, Brasil

    Manoel Bomfim