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    Através do Brasil (Biblioteca básica Brasíleira #23) -

    Manoel José do Bonfim

    UNB
    2014
    280 páginas
    9h 20m
    ISBN-13: 9788563574367
    Português Brasileiro
    4.2
    16 avaliações
    Leram28Lendo0Querem31Relendo0Abandonos1Resenhas2
    Favoritos0Desejados31Avaliaram16

    Quando foi publicado, em 1910, Através do Brasil apresentava uma proposta clara e precisa: produzir um texto leve e atraente com o objetivo de motivar o interesse dos estudantes e dos jovens leitores para um melhor conhecimento do nosso país. O método utilizado para motivar o redescobrimento do Brasil profundo, da geografia e da vida interiorana brasileira foi o da narração de uma aventurosa viagem de duas crianças, os irmãos Carlos e Alfredo, que partem do Recife e chegam até Pelotas, no Rio Grande do Sul. O enredo do livro caracteriza-se por dramatizar, por meio das peripécias dos personagens infantis e dos acontecimentos fictícios, a rica vertente dos romances de aventuras. Os autores aproveitam, do mesmo modo, o caráter informativo das crônicas, diários de viagem, tratados e compêndios que retrataram o Brasil desde os tempos do Brasil Colônia até os primórdios da República.

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    Resenhas (2)Ver mais
    Nathália Gaiewski picture
    Nathália Gaiewski18/11/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Perfeito

    Eu li esse livro (e só ouvi falar dele) porque um amigo meu que indicou, eu só não esperava que fosse tão bom mesmo. O que mais chama atenção é o cenário lindo que nos é oferecido, o nosso Brasil, claro. A discrição e ambientação foram muito bons, criando um clima natural e aventureiro. A história toda me pareceu como uma novela, em um bom sentido, cheia de contratempos e personagens que, apesar de serem muitos mesmo, nos envolveram cada um com seu encanto. Foi uma leitura bem rápida já que a escrita era tão bonita e estimulante, que me prendia na narrativa e me deixava ansiosa pelo destino dos garotos. Os protagonistas nos sensibilizam com sua humildade, zelo, ações admiradoras e relacionamentos entre si com um carinho impactante, é uma pena que a história chega ao fim.

    2 curtidas

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    Avaliações

    4.2 / 16
    • 5 estrelas38%
    • 4 estrelas44%
    • 3 estrelas13%
    • 2 estrelas6%
    • 1 estrelas0%
    Manoel José do Bonfim profile picture

    Manoel José do Bonfim

    Aos 12 anos mudou-se para Salvador, capital da província da Bahia, para fazer os cursos preparatórios da Faculdade de Medicina, na qual ingressou em 1886. Em 1888 transferiu-se para o Rio de Janeiro – que de capital do Império passaria, com a proclamação da República, a Distrito Federal – e aí se formou em 1890. Clinicou durante oito anos e em 1896 tornou-se professor de educação moral e cívica na Escola Normal, depois Instituto de Educação. Nessa época escreveu livros didáticos, entre eles Língua portuguesa, em coautoria com Olavo Bilac. Em 1897 assumiu a direção do Pedagogium, museu de pedagogia criado em 1890 com o objetivo de impulsionar o ensino nacional dando ênfase ao ensino nas escolas normais, e em 1898 assumiu a cátedra de psicologia e pedagogia da Escola Normal, abandonando definitivamente a medicina para aprofundar-se nas disciplinas pelas quais era responsável. No início do século XX, foi para Paris estudar com o médico Georges Dumas e o psicólogo Alfred Binet (inventor do teste de inteligência que recebeu seu nome), que lhe sugeriram a criação de um Laboratório de Psicologia Brasileira dentro do Pedagogium. Morava em Paris em 1905, quando lançou o livro América Latina, males de origem, em que negava a tese de que o atraso do continente se devia à índole de seu povo ou à miscigenação. Para ele, a colonização era a origem dos tais males e só a educação pública de qualidade daria um novo rumo para o Brasil e a América do Sul. Suas teses iam contra as idéias recorrentes na sociologia e psicologia da época, pois considerava o fenômeno psicológico como histórico e social, constituído nas relações entre as consciências mediadas pela linguagem, a qual, para ele, era produto do meio e da socialização. Era contra as pesquisas em laboratório, que considerava artificiais e restritas, e propunha um método de estudo do psiquismo baseado no estudo das manifestações humanas dentro do contexto histórico. Antecipou, assim, idéias desenvolvidas posteriormente pelo também psicólogo e pedagogo suíço Jean Piaget e pelo cientista político Antonio Gramsci. A publicação de América Latina, males de origem, rendeu uma polêmica com o folclorista e historiador Sílvio Romero, sergipano como Bonfim, 17 anos mais velho, um dos 40 fundadores da Academia Brasileira de Letras e prestigiado nos meios intelectuais brasileiros. Romero defendia idéias opostas às expostas no livro. Atribuía o atraso brasileiro à miscigenação, que tornava o brasileiro infantil e semibárbaro, pois a mistura com negros e índios havia corrompido o homem branco. A solução seria o branqueamento da população, com a vinda de mais imigrantes europeus. Romero publicou em jornais 25 artigos de crítica ao jovem professor e psicólogo, e a polêmica virou rixa pessoal. Na biografia de Manuel Bonfim, O rebelde esquecido, Ronaldo Conde Aguiar conta que os ataques só foram revidados na imprensa uma vez. Bonfim estava mais interessado em criar o Laboratório de Psicologia do Pedagogium – o que ocorreu em 1907 – para incentivar o debate sobre a prática e a teoria do ensino, fundamental para a cidadania e a consciência social da população. Nessa época assumiu a Diretoria da Instrução Pública do Distrito Federal, sem deixar de ser professor, e passou a registrar em livros a dupla experiência. Com base nas aulas da Escola Normal, publicou Lições de pedagogia (1915) e Noções de psicologia (1916). Em 1919, deixou a direção do Pedagogium para dedicar-se só às aulas e aos livros. Publicou Pensar e dizer: um estudo do símbolo no pensamento e na linguagem (1923), em que discorria sobre as correntes da psicologia da época, O método dos testes (1926) e Cultura do povo brasileiro (1932). Após sua morte, em 1932, no Rio de Janeiro, teve mais quatro obras publicadas: Crítica à escola ativa, O fato físico, As alucinações auditivas do perseguido e O respeito à criança. Embora com abordagem diferente, é considerado um pensador na linha de Joaquim Nabuco e José Bonifácio que, no século XIX, haviam atribuído o atraso brasileiro à escravidão. Bonfim foi adiante ao relacionar a escravidão à colonização predatória da América Latina, e preconizava como única saída o trabalho livre e a educação pública de qualidade.

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    Sergipe, Brasil

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