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    De repente, uma batida na porta -

    Etgar Keret

    Rocco
    2014
    256 páginas
    8h 32m
    ISBN-13: 9788532529213
    Português Brasileiro
    3.8
    127 avaliações
    Leram202Lendo10Querem213Relendo0Abandonos6Resenhas11
    Favoritos12Desejados213Avaliaram127

    A conhecida, mas pouco praticada, teoria do nocaute de Julio Cortázar – segundo a qual o romance vence sempre por pontos, enquanto o conto deve vencer por nocaute – cai ou bate como uma luva (de oito onças, aquela usada pelos lutadores pesos-pesados) para a literatura de Etgar Keret, uma das atrações da Flip 2014. Considerado o principal nome da literatura israelense pós-Amos Oz, Keret, que também é cineasta e autor de quadrinhos, conquista o leitor por sua rara combinação de profundidade e leveza. É impressionante como os 38 contos (alguns bem curtos, outros nem tanto) de De repente, uma batida na porta – livro que a editora Rocco, em tradução de Nancy Rozenchan, escolheu para apresentar o autor israelense ao leitor brasileiro – têm “pegada”. Muitos deles atacam logo nas primeiras linhas, para definir um clima de nonsense, humor, compaixão. Assim abre o relato Equipe: “Meu filho quer que eu a mate” (e quando o leitor descobre quem é a possível vítima, o susto ainda é maior). Abrindo o zíper, um relato fantástico na linha de Cortázar, inicia de maneira singela, mas irresistível: “Começou com um beijo. Quase sempre começa com um beijo.” Mystique tem, talvez, uma das aberturas mais notáveis de todo o livro: “O homem que sabia o que eu estava prestes a dizer sentou-se a meu lado no avião, e deu um sorriso idiota. Isso é o que era mais enlouquecedor nele, o fato de que não era inteligente ou sensível, e ainda assim conseguia dizer todas as coisas que eu queria dizer, três segundo antes de mim.” À guisa de introdução, Etgar Keret – um contador de histórias vocacional – compõe o relato que dá título ao livro. Nele encontramos um escritor que, dentro de sua própria casa, é acossado por três visitantes indesejados e armados que exigem que ele lhes conte... uma história, que em realidade é aquela que está sendo narrada. No conto são citados dois dos mais conhecidos escritores israelenses da atualidade: “Aposto que coisas como esta nunca aconteceriam com Amós Oz ou David Grossman.” De fato, no plano literário, Keret estaria mais próximo à influência e à tradição de Kafka (ainda que um Kafka que tenha lido Kurt Vonnegut e assistido aos primeiros filmes de Woody Allen). E, ao contrário de Oz, representante de uma geração anterior, tem um olhar mais desencantado, e não pacificador, em relação ao Estado de Israel e aos conflitos na região do Oriente Médio. Daí a violência na vida cotidiana que transparece em sua obra. Simyon retrata o clima de insegurança e falsas existências, à margem da sociedade: um atentado ceifa a vida do marido de conveniência que a protagonista havia arranjado justamente para fugir ao alistamento militar obrigatório, e de cuja existência ela nem mais se lembrava. A par da violência, os personagens estão imersos numa solidão aparentemente sem volta: em Manhã saudável, um homem se compraz em ser confundido, às vezes perigosamente, com outras pessoas. Só para poder ter alguém com quem conversar. Ao nos dar relatos como Terra de mentira – talvez o mais bem idealizado entre todos da coletânea –, Keret é antes de tudo Keret, com marca e estilo próprios, sem maiores influências do passado ou da política, um escritor que, com linguagem concisa e coloquial, cativou público e crítica, foi classificado como gênio pelo The New York Times e é apontado como um dos mais extraordinários escritores de sua geração.

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    Resenhas (11)Ver mais
    Livia Sesana Spyker de Oliveira picture
    Livia Sesana Spyker de Oliveira22/07/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Os contos de Etgar Keret conseguem divertir e causar reflexões sobre nossos lugares-comuns da vida cotidiana. Achei um livro leve e bem humorado, ao mesmo tempo que explora nossa humanidade. Foi uma delícia revisitar Israel com ele.

    5 curtidas

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    Avaliações

    3.8 / 127
    • 5 estrelas24%
    • 4 estrelas33%
    • 3 estrelas37%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas2%
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    Etgar Keret

    Etgar Keret é um escritor israelense, nascido em Ramat Gan, terceiro filho de um casal sobrevivente ao Holocausto. Conhecido por seus contos, <i>graphic novels</i>, roteiros para televisão e cinema, teve seus livros traduzidos e publicados em mais de trinta idiomas. Seu trabalho foi reconhecido e diversas vezes premiado, nacional e internacionalmente. Em 2010, foi condecorado na França com a medalha de Cavaleiro (Chevalier) da Ordem das Artes e das Letras (Ordre des Arts et des Lettres). A escrita de Keret é marcada pelo uso da linguagem cotidiana, repleta de gírias e dialetos. Seu trabalho influenciou diversos autores de sua geração em Israel.

    11 Livros
    16 Seguidores
    Tel Aviv, Israel

    Etgar Keret