Uma história do mundo em doze mapas -

    Jerry Brotton

    Zahar
    2014
    616 páginas
    20h 32m
    ISBN-13: 9788537812723
    Português Brasileiro

    Um olhar fascinante sobre doze mapas - da Grécia Antiga ao Google Earth - e como eles marcaram o nosso mundo. Objetos de encanto e deslumbramento, os mapas têm sido usados através dos séculos para promover interesses políticos, religiosos e econômicos. Da tabuleta de argila à tela de computador, passando por Ptolomeu, o "pai da geografia", pelos mundos árabe e oriental e pelo Renascimento, o historiador e especialista em cartografia Jerry Brotton explora doze dos mapas mais importantes da história, num panorama repleto de controvérsias e manipulações. Repleto de belíssimas ilustrações, o autor analisa os mapas abaixo recriando o contexto de cada um deles, conta as histórias de quem os criou e por quê, e revela a sua influência sobre a forma como vemos o mundo: - A Geografia de Ptolomeu, c.150 d.C. - Al-Idrisi, 1154 d.C. - O mapa-múndi de Hereford, c.1300 - O mapa mundial Kangnido, 1402 - Martin Waldseemüller, mapa do mundo, 1507 - Diogo Ribeiro, mapa do mundo, 1529 - Gerard Mercator, mapa do mundo, 1569 - Joan Blaeu, Atlas maior, 1662 - Família Cassini, mapa da França, 1793 - Halford Mackinder, "O eixo geográfico da história", 1904 - A projeção de Peters, 1973 - Google Earth, 2012

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    Leandro de Matos 23/04/2015Resenhou um livro
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    Uma história do mundo em doze mapas

    Nessa época de GPS, Street View e Google Earth, a antiga ciência da cartografia tornou-se praticamente obsoleta. Um logradouro, uma cidade ou um país, que outrora, dependendo da escala adotada, ficava a centímetros de distância de um ponto a outro em um mapa, mas que na realidade correspondiam a milhares de quilômetros de separação, atualmente está ali, a distância e a vontade de alguns cliques com zoom e em alta definição. E dependendo do caso até em tempo real. Grosseiramente falando, o que são os mapas se não registros estáticos de um lugar? Uma lembrança de uma ideia de um local? Um retrato abstrato e subjetivo de uma região ou um continente? Porém, fugindo do pessimismo que por ventura venha atrelado ao modernismo, o historiador (e também cartógrafo) Jerry Brotton apresenta os mapas em seu mais recente livro, como personagens ativos e essências na História da humanidade. Uma história do mundo em doze mapas é um passeio fascinante e elucidativo sobre a importância dessas representações para a construção histórica do mundo e também como objeto cultural. Com argumentos objetivos e um texto claro, Brotton que é professor na Universidade de Queen Mary em Londres, entrega um refinado e cuidadoso trabalho nas mais de 600 páginas do livro. No Brasil, a edição da Editora Zahar, fez jus ao peso e ao valor da obra ao trazê-la com um acabamento dedicado e uma tradução cuidadosa. Denotando uma extensa pesquisa, o autor propõe um panorama interessante sobre a história do mundo e dos mapas, onde por vezes, eles eram protagonistas e coadjuvantes na escala construtiva e evolutiva dos mapas como conceitos de “modelos do mundo”. - A Geografia de Ptolomeu, c.150 D.C. - Al-Idrisi, 1154 D.C. - O mapa-múndi de Hereford, c.1300. - O mapa mundial Kangnido, 1402. - Martin Waldseemüller, mapa do mundo, 1507. - Diogo Ribeiro, mapa do mundo, 1529. - Gerard Mercator, mapa do mundo, 1569. - Joan Blaeu, Atlas maior, 1662. - Família Cassini, mapa da França, 1793. - Halford Mackinder, "O eixo geográfico da história", 1904. - A projeção de Peters, 1973. - Google Earth, 2012. A premissa do livro está ilustrada nos doze mapas acima mencionados, que por sinal, estão muito além deles em si. Brotton se preocupa em contextualizar a origem e a finalidade destes, contando também sobre o quanto eles foram influentes em suas respectivas épocas. E vai além, ao desmitificar algumas verdades, ao exemplificar, que em alguns mapas, o Sul era na verdade o ponto de orientação cardeal e o porquê do Norte ser a direção absoluta desde o século XV não é tão científico assim. Na época da Idade Média, o mapa-múndi de Hereford retratava a Ásia como um lugar repleto de grifos, canibais e daqueles que eram “os filhos de Caim”. Por sua vez, na China, a recíproca era verdadeira, pois alguns de seus mapas retratavam o Ocidente como um lugar de selvageria. “Cada mapa descrito nesse livro é um mundo em si mesmo.” Outro destaque interessante no título é sobre uma família de franceses que durante quatro gerações, organizaram um mapeamento extremamente detalhado e preciso da França do século XVII e XVIII, utilizando uma técnica que atualmente conhecemos como triangulação. Uma história do mundo em doze mapas é um livro amplo e dinâmico. Uma leitura agradável e rica em detalhes, que mantém o interesse do leitor vivo para o próximo capítulo. Em suma, um questionamento que é levantado no decorrer da leitura é do quanto há de cultural e de político, na elaboração dos mapas. Se o propósito do mesmo era representar um espaço físico, uma superfície plana ou o globo em si, ou se era simplesmente apontar onde existia especiarias e riquezas. De Ptolomeu, “o pai da geografia”, até o Google Earth, o livro é um mosaico interessante sobre os aspectos históricos, sociais e até políticos em que tais mapas foram criados. “O mapa tornou-se um dispositivo para arquivar o conhecimento sobre o mundo habitado” Dos antigos cartógrafos da Mesopotâmia ao alcance e precisão dos atuais satélites, existe obviamente uma enorme distância cultural, histórica e principalmente tecnológica, mas o objetivo e a ideia persistem, o ser humano precisa expressar o que lhe cerca, e não há representação melhor do mundo, se não a dos mapas.

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