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    Sukiyaki de Domingo -

    Bae Su-Ah

    Estação Liberdade
    2014
    304 páginas
    10h 8m
    ISBN-13: 9788574482422
    Português Brasileiro
    3.9
    145 avaliações
    Leram208Lendo20Querem496Relendo0Abandonos6Resenhas29
    Favoritos18Desejados496Avaliaram145

    Poder degustar o sukiyaki de domingo significa para o ex-professor Ma um revival de seus tempos de fartura. A falta de dinheiro é uma constante, de modo que a esposa vive explodindo em recorrentes crises histéricas. Como ele não é um especial entusiasta da arte de trabalhar, sempre sobra para a mulher a missão de trazer dinheiro para casa, o que não deixa de ser uma crítica da autora do livro, Bae Su-ah, quanto à fragilidade da figura masculina no contexto social da Coreia do Sul contemporânea. O “sukiyaki de domingo” funciona, portanto, como uma metáfora daquilo que os personagens desta obra almejam, um ideal de consumo, a materialização das (parcas) ambições que os movem. Porque Sukiyaki de domingo, o livro, trata de uma Coreia do Sul bem destoante da portentosa imagem de “Tigre Asiático” consagrada no imaginário ocidental: a de suas periferias, tão semelhantes às de quaisquer paragens terceiro-mundistas, e seus efeitos intrínsecos, sobretudo a dificuldade de comunicação, e de afeto, nas relações sociais e familiares, e as fagulhas dessa incomunicabilidade sempre a alimentar uma fogueira de violência. Romance de forte crítica social, Sukiyaki de domingo se estrutura a partir de capítulos nomeados, que também podem ser lidos como contos, já que encerram pequenos dramas e histórias. A autora optou por uma série de personagens que parecem tirados de uma mesma comunidade, dos quais alguns reaparecem, ou se cruzam, em mais de um capítulo. A pobreza parece potencializar as idiossincrasias dos personagens: além do professor que saliva com o sukiyaki, nos desconcertamos com a mulher que esconde suas economias numa mala de meias sujas; com o jovem que imagina ter tirado a sorte grande ao conseguir um “bico” para ajudar numa mudança; ou ainda com um mendigo que quer ser aceito pela sociedade por querer sobreviver somente com os restos de comida que as pessoas descartam. Embora originalmente japonesa, sukiyaki é uma iguaria também consumida na Coreia, bastante semelhante à outra iguaria local chamada shabu-shabu. Embora os restaurantes que servem este prato sejam populares no país, os de sukiyaki, por sua vez, são bem mais raros. Segundo a própria autora, sukiyaki é um nome que soa familiar aos coreanos, mas pouco deles sabem exatamente do que se trata. A ideia de evocar um elemento japonês no título de um livro sul-coreano tem, portanto, a premissa de causar mesmo estranhamento, como a denotar algo fora do lugar, simbolizando em certa medida o desequilíbrio generalizado que a falta de dinheiro gera sobre a realidade dos personagens. Romance de estrutura fragmentária, Sukiyaki de domingo é a primeira incursão da Estação Liberdade na literatura sul-coreana, marcando assim a ampliação da atuação da editora no mundo das letras orientais.

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    Daniele picture
    Daniele25/07/2021Resenhou um livro
    0

    Nem só de K-pop e tecnologia se faz a Coreia do Sul

    Quando se fala em Coreia do Sul, logo nos lembramos dos grupos musicais com fama mundial ou das conceituadas empresas de produtos tecnológicos. No entanto, a escritora Bae Su-ah apresenta através deste livro uma realidade que não aparece na mídia. Arrisco dizer que qualquer semelhança entre este livro e o premiado filme "Parasita" não seja mera coincidência. As duas obras denunciam o gritante abismo socioeconômico existente no país. A gama de personagens (que são muitos!) conta com ricos excêntricos, pessoas que caíram na miséria, outras que nunca pensam na pobreza. A narrativa aborda temas polêmicos e questiona a crueldade dos padrões estéticos, relações de hierarquia e as consequências da guerra que perduram na vida dos sobreviventes e seus descendentes. A construção do livro é bem inusitada. Os capítulos não apresentam uma narrativa sequencial muito óbvia, até parecem histórias independentes. Mas à medida em que a trama é tecida, a conexão entre os personagens vai sendo revelada (ora direta, ora indiretamente). Bae Su-ah revela a face oculta da Coreia com altas doses de acidez e ousadia. Espero que mais obras da autora sejam traduzidas em breve.

    28 curtidas

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    Avaliações

    3.9 / 145
    • 5 estrelas20%
    • 4 estrelas50%
    • 3 estrelas22%
    • 2 estrelas6%
    • 1 estrelas3%
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    Bae Su-Ah

    Nascida em 1965, Bae Su-ah é graduada em química pela Ewha Womans University, de Seul, mas sempre teve por hábito escrever histórias por hobby, até debutar como escritora em 1988 com a obra A darkroom [Um Quarto Escuro]. Na sequência, publicou Highwaywith Green Apples [Estrada com Maçãs Verdes] e Rhapsody in Blue [Rapsódia em Azul], ambos em 1995. Desde 2001, ela reside na Alemanha, onde segue produzindo sua ficção inventiva e outsider, caracterizada pelo aprofundamento psicológico de seus personagens. Entre seus livros mais recentes estão Low Hills in Seoul [Baixas Colinas em Seul] e North Living Room[Sala Norte]. Sukiyaki de Domingo, originalmente publicado em 2003, é seu primeiro título traduzido em português.

    2 Livros
    10 Seguidores

    Bae Su-Ah