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    HISTÓRIAS À BRASILEIRA - VOL. 1 - A Moura Torta e outras

    Ana Maria Machado

    Companhia das Letras
    2002
    80 páginas
    2h 40m
    ISBN-13: 9788574061559
    Português Brasileiro
    4.2
    11 avaliações
    Leram30Lendo14Querem77Relendo1Abandonos1Resenhas1
    Favoritos2Desejados77Avaliaram11
    Resenhas (1)Ver mais
    Alana Maria Lopes  picture
    Alana Maria Lopes 27/01/2025Resenhou um livro
    1.5 (Ruim)

    Por isso crescemos tão pertubados

    Ana Maria Machado é uma das autoras mais renomadas da literatura infantil brasileira, e sua obra Histórias à Brasileira - A Moura Torta e Outras Recontadas tem como proposta recontar lendas e contos populares com um toque de contemporaneidade, acompanhada pelas ilustrações delicadas de Odilon Moraes. No entanto, ao analisar os contos presentes no livro, é evidente que nem todos cumprem o papel de serem histórias adequadas ou instigantes para crianças. O conto que dá título ao livro, A Moura Torta, apresenta um enredo que beira o grotesco e não parece ter um propósito educativo ou lúdico para o público infantil. A violência da narrativa torna difícil entender a razão para apresentá-lo a crianças. Já O Macaco e a Viola soa mais como uma lição de como fazer chantagem do que como uma história com valores positivos. João Bobo, por sua vez, traz um relato absurdo sobre uma criança desorientada que, ainda na infância, se casa com outra criança. A moral da história, se é que há uma, se perde no ridículo do enredo. Em contrapartida, O Veado e a Onça é um dos poucos contos que se destacam pela engenhosidade do final, que surpreende o leitor com um desfecho inesperado e humorístico. Ainda assim, a história problematiza o valor da honestidade ao brincar com a ideia de enganar como estratégia. A Festa no Céu, um clássico revisitado, acaba sendo um dos contos mais inquietantes. A crueldade na vingança contra o jabuti pode ser perturbadora para crianças pequenas, levantando questões sobre a adequação de histórias que envolvem humilhação. Já Dona Baratinha, apesar de popular, tem um desfecho igualmente sombrio, desafiando a ideia de que histórias infantis precisam ter finais felizes ou construtivos. Maria Sapeba suscita reflexões sobre o sincretismo e a influência cultural, mas começa com uma narrativa que romantiza as relações entre portugueses e indígenas, o que é historicamente problemático. A Galinha que Criava um Ratinho, apesar de ter um potencial cômico, beira o absurdo, sendo difícil imaginar um propósito construtivo ao compartilhá-la. O Bicho Folhagem é inexpressivo e desprovido de encanto, enquanto Pimenta no Coruruto não só é sem sentido como também carece de qualquer mensagem relevante. No geral, embora o livro tenha o mérito de trazer à tona histórias da tradição oral brasileira, ele falha em oferecer narrativas que dialoguem com os valores contemporâneos ou que sejam adequadas para o público infantil. Muitas das histórias acabam sendo ou excessivamente violentas, ou desprovidas de ensinamentos úteis, o que levanta a questão sobre o real propósito de mantê-las vivas no imaginário popular.

    1 curtida

    Estatísticas

    Avaliações

    4.2 / 11
    • 5 estrelas55%
    • 4 estrelas27%
    • 3 estrelas9%
    • 2 estrelas9%
    • 1 estrelas0%
     Ana Maria Machado profile picture

    Ana Maria Machado

    O jornalismo foi abandonado no ano de 1980, para que a partir de então Ana pudesse se dedicar ao que mais gosta: escrever seus livros, tantos os voltados para adultos como os infantis. E assim foi feito, e com tamanho sucesso que em 1993 ela se tornou hors-concours dos prêmios da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). Finalmente, a coroação. Em 2000, Ana ganhou o prêmio Hans Christian Andersen, considerado o prêmio Nobel da literatura infantil mundial. E em 2001, a Academia Brasileira de Letras lhe deu o maior prêmio literário nacional, o Machado de Assis, pelo conjunto da obra. Em 2003, Ana Maria foi eleita para ocupar a cadeira número 1 da Academia Brasileira de Letras, substituindo o Dr. Evandro Lins e Silva. Pela primeira vez, um autor com uma obra significativa para o público infantil havia sido escolhido para a Academia. A posse aconteceu no dia 29 de agosto de 2003, quando Ana foi recebida pelo acadêmico Tarcísio Padilha e fez uma linda e afetuosa homenagem ao seu antecessor.

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    Ana Maria Machado