Ao Deus Desconhecido -

    John Steinbeck

    Ibrasa
    1987
    180 páginas
    6h 0m
    ISBN-10: 8534801932
    Português Brasileiro

    Movido pela sede da terra e cumprindo o desejo do pai que lhe transfere a bênção patriarcal, Joseph Wayne parte para a Califórnia com a intenção de criar uma próspera fazenda, onde passa a alimentar a crença de que o espírito de seu progenitor repousa em uma das mais belas árvores do lugar onde se instalou. Os irmãos e suas respectivas famílias, que foram viver na propriedade, também são beneficiados por seus êxitos, até que um deles, assustados pela estranha ligação pagã de Joseph com a ancestralidade, toma uma atitude que faz com que a doença e a fome se abatam de súbito sobre todos. As antigas crenças indígenas, as grandes epopeias gregas e os relatos da Bíblia servem de base a este romance quase místico, que tem por tema central o modo como os homens tentam controlar as forças da natureza, e ao mesmo tempo compreender a sua relação com Deus e com o inconsciente.

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    Carla Flores05/11/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Vida - morte - vida

    Vou começar essa resenha com uma frase de Clarissa Pinkola Estés: “A morte está sempre no processo de incubar uma vida nova, mesmo quando nossa existência foi retaliada em ossos.” Em "A um Deus desconhecido" Steinbeck fala nas entrelinhas, como sempre. Mas aqui ele faz um mix religioso em que não importa que nome se dá à religião, o deus é um só e ele é inegável infalível, implacável. É um livro sobre deixar pra trás, desapegar, aceitar o momento de deixar a coisa morrer, se abrir pro novo. É também sobre a criação do mito. O que acontece que nos leva a acreditar cegamente que as coisas funcionam de um determinado jeito por causa de determinada circunstância? Aceitar que ama, aceitar que odeia, aceitar que matou, aceitar que já não é mais criança, aceitar a morte. Aceitação! Quanto sacrifício a gente faz para permanecer numa situação, numa vida, numa forma? O ritmo da natureza, assim como o equilíbrio advindo do constante movimento da bicicleta, é a vida - morte - vida. "[...] e cada pessoa se tornava parte do corpo dançante, e a alma desse corpo era o ritmo." "[...] tudo quanto morre." "[...] eu sou a terra, a erva brotará de mim dentro em pouco." "[...] a sua natureza era a natureza da terra." Steinbeck mostra protestantes, católicos, hindus, druidas, índios, e como coabitam. Um livro incrível como toda obra de John Steinbeck, o cara das emoções, dos trejeitos, dos significados ocultos, da profundidade, da linhagem e ancestralidade.

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