Contos pátrios tem um valor simbólico por ser uma das primeiras obras da literatura infantojuvenil brasileira, nascendo de uma tradição inexistente. O nome transmite a ideia central do livro, que foi utilizado nas escolas primárias para educação moral e cívica. Ele traz pequenos contos, com enredos diversos, mas uma temática comum: o Brasil e o brasileiro. Assemelham-se às fábulas, são moralizantes, pedagógicos, e prometem prêmios para as virtudes e castigos para os vícios. Na obra, há a exaltação da bandeira e da nação, pela qual todos os homens aceitariam morrer de bom grado. A referência à guerra e aos heróis dela é recorrente. Há a naturalização dos pobres que trabalham duro até morrer, gratos e impassíveis diante da injustiça social. Enquanto o homem branco, rico e educado é retratado como um bom patrão. A relação de dominação exercida pelos ricos não é conflitante, pois os pobres se dão por satisfeitos cultivando virtudes. O Brasil rural está bastante presente. E o bem sempre vence o mal. Essa obra é uma fonte rica para a exercitar a leitura crítica, e para conhecer os valores estrategicamente priorizados no início do século passado (1904) e pregados até hoje.