Esaú e Jacó (Clássicos da Literatura) -

    Machado de Assis

    ABC Editora
    2001
    202 páginas
    6h 44m
    ISBN-10: 8587653911
    Português Brasileiro

    O título é extraído da Bíblia, remetendo-nos ao Gênesis, é à história de Rebeca, que privilegia o filho Jacó, em detrimento do outro filho, Esaú, fazendo-os inimigos irreconciliáveis. A inimizade dos gêmeos Pedro e Paulo, do romance de Machado, não tem causa explícita, daí a denominação de romance "AB OVO" (desde o ovo). É o romance da ambigüidade, narrado em 3ª pessoa, pelo Conselheiro Aires. Pedro e Paulo seriam "os dois lados da verdade". À medida que vão crescendo, os irmãos começam a definir seus temperamentos diversos: são rivais em tudo. Paulo é impulsivo, arrebatado, Pedro é dissimulado e conservador - o que vem a ser motivo de brigas entre os dois. Já adultos, a causa principal de suas divergências passa a ser de ordem política - Paulo é republicano e Pedro, monarquista. Estamos em plena época da Proclamação da República, quando decorre a ação do romance. Até em seus amores, os gêmeos são competitivos. Flora, a moça de quem ambos gostam, se entretém com um e outro, sem se decidir por nenhum dos dois: é retraída, modesta, e seu temperamento avesso a festas e alegrias levou o Conselheiro Aires a dizer que ela era "inexplicável". O conselheiro é mais um grande personagem da galeria machadiana, que reaparecerá como memorialista no próximo e último romance do autor: velho diplomata aposentado, de hábitos discretos e gosto requintado, amante de citações eruditas, muitas vezes interpreta o pensamento do próprio romancista. As divergências entre os irmãos continuam, muito embora, com a morte de Flora, tenham jurado junto a seu túmulo uma reconciliação perpétua. Continuam a se desentender, agora em plena tribuna, depois que ambos se elegeram deputados, e só se reconciliam ao fim do livro com novo juramento de amizade eterna, este feito junto ao leito da mãe agonizante.

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    Clio picture
    Clio30/05/2025Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O volume dedicado a Machado de Assis na coleção Obras-Primas traz as duas últimas histórias daquele que ainda é considerado o maior literato brasileiro. Esaú e Jacó como o próprio nome diz traz a tragédia de dois irmãos separados pela rivalidade. Pedro e Paulo são as duas linhas que o autor usa para contrapor a agitação política da época com a abolição da Escravatura, o estouro econômico e a formação da República. O que mais se destaca, contudo, é a forma como Machado de Assis narra os acontecimentos. Sua escrita adquire um ar de tristeza, e Aires se revela como alguém cuja visão dos conflitos permanece na quieta aceitação da tragédia inevitável e, ainda assim, banal. Memorial de Aires é seu último livro publicado, e apesar de ser um diário - trazendo assim à memória seu outro clássico, Memórias Póstumas de Brás Cubas - não possue seu mesmo sarcasmo irônico. A história é retratada em pequenos episódios anedóticos, e é o estilo machadiano que faz a leitura valer a pena. Apesar de muitos o considerarem uma sequência de Esaú e Jacó, é plenamente possível ler um sem o outro já que Aires tem um caráter biográfico enquanto o outro é mais como uma crônica política-social. Recomendo.

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