Doramundo -

    Geraldo Ferraz

    Editora Cintra
    2013
    122 páginas
    4h 4m
    ISBN-10: B00DSO4E34
    Português Brasileiro

    Um clássico da segunda leva modernista publicado originalmente em 1957, Doramundo tem um "estilo que não é do Norte, do Centro nem do Sul, mas de Geraldo Ferraz", como escreveu Adolfo Casais Monteiro no posfácio. E este estilo é o de quem inventa, experimenta e brinca com a linguagem, contando, numa prosa ágil e bem humorada, a história do amor entre Dora e Raimundo em meio aos crimes que assolam a vila ferroviária de Cordilheira.

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    Silvio Molina03/12/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Geraldo e seu estilo incomum de escrever

    Geraldo Ferraz não foi qualquer um. Tinha algo a mais entre os tantos nascidos do modernismo. A ambição e o virtuosismo o guiavam. Escreveu de um jeito inédito, com parágrafos entrecortados pelas suas próprias volições, pensamentos acelerados que iam longe, acima dos homens, construídos por um cérebro certamente privilegiado que via entre frases e palavras uns dizeres a mais. Assim, competente, entre tramas e descrições dava a tônica ao texto e avançava. Fez de Doramundo essa obra atemporal, bem brasileira que virou filme e ganhou o mundo. Brasil é o país das invencionices e Geraldo Ferraz foi um dos seus melhores expoentes. Roubava de nós o fôlego, sem dó, posto que dominava aquela forma de redação com uma facilidade construída pela cadência do tempo, que, se pensarmos bem, é o mesmo que “experiência”. Confesso que fiquei triste que as orelhas do livro Doramundo não fossem preenchidas por qualquer alusão à obra deste magnífico escritor. Depois entendi que talvez não existam palavras a sua altura, nenhuma que explicasse - como ele indiretamente explicava - sobre a arte de escrever. Fica aqui a minha homenagem.

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