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    Sudário -

    John Banville

    Biblioteca Azul
    2015
    296 páginas
    9h 52m
    ISBN-13: 9788525057563
    Português Brasileiro
    3.9
    21 avaliações
    Leram32Lendo2Querem82Relendo0Abandonos2Resenhas3
    Favoritos3Desejados82Avaliaram21

    Segundo volume da trilogia composta por Eclipse e Luz antiga, traz Axel Vander, intelectual célebre que súbito vê sob ameaça a reputação que se esforçou para construir à custa de seu caráter: na carta de uma desconhecida está a rachadura que pode fazer desmoronar esse edifício de erudição e empáfia. Tomado por um misto de temor e curiosidade, o acadêmico vai ao encontro de Cass Cleave, a remetente, em Turim, onde está o Sudário, venerado apesar de falso. De início disposto a recorrer até mesmo à medida mais torpe para proteger a máscara que inventou para si, Vander acaba por afeiçoar-se, em seu modo enviesado, pela jovem acometida por um mal misterioso.

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    Leila de Carvalho e Gonçalves  picture
    Leila de Carvalho e Gonçalves 12/07/2018Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Quem É Axel Vander?

    Em Eclipse, primeiro volume de sua última trilogia, John Banville propôs uma história de fantasmas atípica, a medida que "os espectros que vagueiam pela narrativa não são emanações do passado, mas projeções do futuro". Nele, Alex Cleave, um ator fracassado, apresenta sua filha problemática, Cass, que acaba cometendo suicídio sem deixar maiores explicações. No segundo volume, "Sudário", a figura da jovem ressurge. Dessa vez, sob a perspectiva de um outro homem, Axel Vander, um acadêmico judeu que assumiu a identidade de um amigo e fugiu da Bélgica para os Estados Unidos durante a Segunda Guerra. Esse fato foi claramente inspirado em dois escândalos ocorridos na década de oitenta: a descoberta póstuma de textos anti-semitas escritos pelo crítico literário Paul de Man e o assassinato de Hélène Legotien pelo marido, o filósofo Louis Althusser. Cass é uma pesquisadora literária que acaba de descobrir que Vander não passa de uma farsa e combina encontrá-lo em Turim durante uma conferência sobre Nieztche, para tratarem do assunto. Singularmente, nessa cidade também está guardado o Santo Sudário, um objeto de veneração cuja origem é contestada. A partir daí, Banville explora impecavelmente "os meandros da culpa, do engano e das aparências". Aliás, temas recorrentes na maioria de seus livros que primam pela escrita requintada e trabalhosa. É inegável uma certa semelhança entre Alex Cleave e Axel Vander. Alex é um egocêntrico que no palco não consegue atuar, mas na vida não cansa de desempenhar o papel que considera mais apropriado, enquanto que Vander não passa de um ator que assumiu uma nova identidade e vem desempenhando esse papel há décadas. Cass não nega a atração pelo pai e é fácil compreender seu envolvimento com esse homem misterioso, que também é um velho rabugento e destituído de beleza, mas que consegue aprisioná-la numa rede de mentiras. Ao tentar justificar sua farsa, curiosamente, seu discurso segue na contramão de suas atitudes, no entanto, um quê de sinceridade vaza vez ou outra nas entrelinhas. Com um desfecho magistral, Sudário é um romance investigativo e cabe ao leitor formular sua teoria sobre quem realmente é Axel Vander. Banville afirma ser uma de suas obras preferidas, "um livro cruel ou um filho monstruoso que ele estima, mas que horroriza as outras pessoas". Venha conhecê-lo... ?Ah, Axel?, disse, suavemente Kristina, ?só uma pessoa incapaz de amar pode ser tão abnegada no amor.?

    2 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.9 / 21
    • 5 estrelas29%
    • 4 estrelas48%
    • 3 estrelas5%
    • 2 estrelas14%
    • 1 estrelas5%
    William John Banville profile picture

    William John Banville

    John Banville nasceu em Wexford, na Irlanda, em 1945. Começou a trabalhar cedo como balconista em uma companhia aérea e aproveitou a condição que o trabalho lhe dava para viajar e explorar outros países. Mais tarde, mudou-se para os Estados Unidos, onde viveu de 1968 a 1969, voltando à Irlanda para trabalhar como jornalista e editor. Nome cotado para o Prêmio Nobel de Literatura, o escritor é comparado pela crítica moderna a autores renomados como os também irlandeses Samuel Beckett e James Joyce, e o russo Vladimir Nabokov. Seu romance The Book of Evidence foi indicado para o Booker Prize e ganhou o prêmio Peat Aviation Guinness em 1989. Seu romance The Sea (O Mar) ganhou o Booker Prize em 2005. Em 2011, Banville foi agraciado com o Prêmio Franz Kafka, enquanto 2013 ganhou tanto o Prêmio PEN irlandês e o Prêmio Nacional Austríaco de Literatura Europeia. É considerado "um dos romancistas literários mais criativos da escrita no idioma Inglês hoje".

    9 Livros
    23 Seguidores

    William John Banville