"Pois há uma crença, uma fé que é a glória do homem, seu triunfo, sua imortalidade - é a sua crença na vida. O homem ama a vida; e por amar a vida odeia a morte; e por isso ele é grande, ele é glorioso, é belo e sua beleza é eterna. Ele vive sob as estrelas insensatas e nelas inscreve seus propósitos. Ele vive com medo, na agonia, em tumulto infindável; mas se, ferido nos pulmões, estivesse a espumar sangue a cada suspiro que desse, ainda assim amaria a vida mais intensamente do que o cessar de sua respiração. Na morte, seus olhos iluminam-se maravilhosamente, e o antigo desejo brilha neles mais feroz - ele aguentou todo o cruel e inútil sofrimento, e ainda quer viver.
Por isso é impossível desprezar esta criatura. Pois de sua inabalável fé na vida este homem franzino fez o amor. No melhor de si, ele é o amor. Sem ele não pode haver amor algum, fome alguma, desejo nenhum.
Então, isto é o homem - o pior e o melhor dele -, esta coisa delicada e insignificante que vive sua vida, morre como todos os outros animais e é esquecido. Contudo, também é imortal, pois tanto o bem quanto o mal que pratica sobrevivem a ele."