A primeira página da história já introduz o clima soturno e pavoroso que vai guiar a experiência Batman VS Bane, anunciada já na capa da revista.
Bane, em primeiro momento, mesmo que controle Gotham é visto como um tipo de anti-heroi mas, logo, a luta com nosso protagonista (muito bem elaborada, por sinal) elimina qualquer chance de "brilho" do personagem (mas o Bane ainda é um personagem incrível).
A história do capuz vermelho é ruim. Pra começar, os diálogos são uma porcaria antiquada e desinteressante. Me incomoda muito o fato de que a Estelar é desenhada quase sem roupa e como uma personagem de expressões; ela mal fala durante a história, só fica olhando pro Jason Todd com uma expressão de admiração e isso me incomoda muito porque eu sei que ela poderia ser muito melhor aproveitada. O Capuz é um cara muuuuuito convencido e irritante.
A primeira história de Gothopia é INCRIVEL. O roteiro, de Gail Simone, constrói uma atmosfera muito energética e
sorridente pra essa história (o que não é usual para uma história ambientada em Gotham mas cabe perfeitamente na trama de Gothopia), protagonizada por uma jovem Bat Girl com traços de personalidade muito bem delineados. A arte de Robert Gill lembra uma estética anos 90, mas revisitada e cheia de inovações.
Não posso deixar de falar dessa ambientação inconcebível de uma Gotham alegre e colorida; não bastasse o clima hiperativo da história, as cores, assinadas por (?) Blond dão à história um espectro de loucura alegre e radiante.
A reviravolta da história parte de uma trama simples mas é muito bem executada e até um pouco chocante.
A segunda é terceira histórias de Gothopia não ficam pra trás. O protagonismo da Mulher Gato é muito bom e eu adoro o papel de detetive que ela desempenha; a forma pela qual ela se lembra do próprio passado e busca resolver os mistérios é muito boa.
Ann Nocenti faz um trabalho muito bom com um roteiro das duas histórias; irônico, cômico e auto consciente, sem nunca esquecer do papel da ação, a história é muito bem construída também graças ao trabalho magnífico com os desenhos e as cores nessas histórias.
A quarta história de Gothopia é mais fraca. Recheada de momentos como "mais tarde", "logo" e coisas do tipo, essa história é bem menos energética e menos interessante, mas ainda é boa.
A última história é bem curtinha mas muito significativa. Engraçada e cheia de sentimentos e reflexões, os traços incomuns, abstratos e muito diferentes do desenhista Ian Bertram e o roteiro criativo e inteligente de Peter J. Tomasi se fundem para criar essa história que finaliza a HQ com maestria.